CriançaSemRisco

terça-feira, 30 de agosto de 2005

Bem-vindos de férias!!!

Todos nós de quando a quando precisamos de férias … Normalmente começamos por juntar numa ou mais malas os objectos e utensílios indispensáveis, com especial destaque para os objectos que nos permitem sonhar: mapas, barcos insufláveis, bóias, binóculos, canivete suíço, como se fôssemos para uma arriscada exploração.

De facto ir de férias é sempre uma demanda aventurosa; as complicações do trânsito, da praia, das compras, e do alojamento revestem qualquer tipo de férias no Algarve (protótipo de férias dos portugueses), num perfeito quebra-cabeças. É verdade que poderíamos programar férias noutro destino e voar num voo charter para um destino tropical e alojarmo-nos num “resort” cinco estrelas, à beira mar plantado, onde o esforço e a azáfama eram apagados pela eficácia dos empregados hoteleiros. Contudo, optamos pelo Algarve, nós e mais uns quantos milhões de portugueses. Estou convencido que nós, os portugueses, adoramos este correr, sem saber para onde, que o Algarve nos dá. Adoramos também o esperar eternamente numa esplanada ao lado de um estrangeiro que vê os seus desejos rapidamente realizados. Amamos a azáfama e perceber que passamos as férias a cozinhar, a carregar e descarregar carros, sem nunca nos lembrarmos do conceito descansar. Por isso, heroicamente, não paramos nas férias, não deixamos de produzir e ser logisticamente eficazes. Valendo-nos no final das férias o desabafo modesto de que as férias foram poucas. Surpreendentemente, este povo que durante o ano é tão acusado de não ser produtivo, vinga-se incessantemente nas férias, trabalhando, trabalhando, trabalhando… incessantemente.

Agora que todos estamos a voltar ao trabalho e olhamos para a nossa realidade de crianças em situação de precariedade e urgentemente a precisarem de ajuda, percebemos que se exige uma vontade e uma dedicação que só umas descansadas férias nos podem dar.

Neste sentido, espero que as férias de todos tenham sido num qualquer “resort” paradisíaco, onde não mexeram uma palha e onde o vosso pensamento inquieto gentilmente se conseguiu apagar na paisagem. Se tal como eu são vítimas do desassossegado Algarve, não desanimem e mantenham o famoso ritmo do trabalha, trabalha, trabalha… porque as nossas crianças merecem.

Bem-vindos de férias!!!

PVS

terça-feira, 23 de agosto de 2005

Trajectórias de vida (SCML)


O estudo "Trajectórias de Vida das Crianças e Jovens Saídos dos Lares da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa" é um trabalho rigoroso realizado por Maria Gabriela Colen, Fernanda Belo, Genoveva Calvão Borges, Maria Amélia Branco e Simone Marques do Gabinete de Prospectiva e Planeamento da SCML.
O estudo tem como população-alvo as crianças acolhidas na SCML entre 1986 e 2001.

Num momento em que se pensa na eficácia das instituições de acolhimento, este parece ser um excelente trabalho de avaliação merecedor de uma leitura atenta. Desde já os parabéns à SCML.

PVS

Containment for Growth (OPUS)



A Organization to Promote Understanding of Society (OPUS) vai organizar uma conferência com o título "Containment for Growth - Exploring the Management of Authority and Responsability in Residential Care and Treatment of Disruptive Children".

A conferência decorrerá de 27 a 30 de Setembro de 2005 em Londres. Mesmo para os que não têm oportunidade de viajar até Londres e participarem na conferência ficam algumas sugestões desde já:
1. consultarem o site da OPUS (clicar aqui) e ver atentamente as inciativas desta sociedade científica;
2. visitar a página da conferência, dando especial relevância às metodologias de trabalho propostas para a conferência baseadas em dinâmicas de grupo.

PVS

quinta-feira, 18 de agosto de 2005

Helping Families in Family Centres


"Helping Families in Family Centres" é uma obra notável editada por Andrian Ward que resume num conjunto de capítulos o state of the art da intervenção em agregados familiares de risco.

O livro leva-nos numa viagem onde as famílias crescem apoiadas através de intervenções terapêuticas integradas. Leva-nos a pensar que ajudar as famílias não é dar recursos simplesmente mas sim capacitar a família para a gestão do mesmos, não esquecendo que o primeiro recurso que tem de ser bem gerido são as emoções. O livro faz-nos também pensar que o divórcio entre o serviço social e a saúde mental não faz qualquer sentido; talvez somente num país onde ainda se acredita e se defende o assistencialismo, e onde a verdadeira saúde mental com cariz comunitário ainda não nasceu.

Vale mesmo a pena a leitura, principalmente para quem vai iniciar novas funções na área, por forma a contrariarem alguma da rigidez organizacional que está no terreno.

PVS