CriançaSemRisco

terça-feira, 27 de dezembro de 2005

Natal em risco

Mais um Natal e mais notícias de crianças em risco. As notícias sobre as duas crianças de Gaia, trouxeram na voz de um presidente de uma associação local a imensidão de chumbos que houve por parte dos serviços centrais ao Programa Ser Criança por falta de verbas.

É um verdadeiro escândalo que projectos de qualidade com pertinência, enquadrados no espírito do Programa Ser Criança, com pareceres favoráveis de todas as entidades, sejam chumbados por falta de verbas, principalmente se pensarmos o número de candidaturas que existiam de projectos válidos e urgentes, e o número de propostas aprovadas.

É de bom tom que em próximas iniciativas o Governo revele desde o início a verba disponível e o número de projectos possíveis de serem aprovados de forma a evitar o trabalho de milhares de técnicos na elaboração de centenas de candidaturas que vão liminarmente para o lixo.

A verdade na política passa por dizer quanto dinheiro é que há e o que se pode fazer, e não por uma gestão inflacionada de expectativas que consome recursos. Falo por mim que também investi bastante numa candidatura a este programa e que no fim deu em nada! Lógico que me estourei a trabalhar e a mobilizar recursos que agora pouco valem. Nesta lógica de baixa aprovação de projectos, é obvio que vão continuar a existir milhares de crianças em risco.

PVS

quinta-feira, 22 de dezembro de 2005

Férias dos centros de acolhimento

Foi com alguma surpresa que chegou-me a notícia que diversos centros de acolhimento temporários de crianças em risco vão fechar para férias de Natal. Pergunto-me então para onde vão as crianças colocadas nestas instituições! Regressam aos pais e familiares que se vêem temporariamente afastastados das suas crianças por neles recairem suspeitas de maus-tratos? Ou, com os pais ainda detentores do poder paternal, e em muitos dos casos sem ainda terem tido oportunidade de exercerem o direito de contraditório, as crianças vão para familias "amigas" sem nenhum vínculo jurídico ou psicológico que assumem sem demoras o papel de família nesta quadra.

Talvez as crianças não sejam embrulhos de Natal e os centros de acolhimento, tal como os Hospitais, Polícia, Bombeiros e outros serviços, devessem todos trabalhar 365 dias por ano.

PVS

segunda-feira, 12 de dezembro de 2005

Natal

Nesta época é normal que a sociedade se lembre dos milhares de crianças institucionalizadas. Situação que toca a todos nós enquanto cidadãos e que se torna dificil de ser pensada.

Uma criança passar o Natal sem uma família desperta na maoria de nós sentimentos de culpabilidade que nos empurram para tomarmos alguma acção.

Observamos algumas famílias generosas que fazem questão de acolher uma ou duas crianças no seu seio familiar durante a quadra natalícia de forma a lhes proporcionar uma experiência de família. Contudo, uma análise mais aprofundada leva-nos a pensar até que ponto esta acção não serve mais a protecção do sentimento de culpabilidade social do que a real necessidade das crianças. Porque afinal de contas aquela não é nem será a família delas...

Algumas instituições não fecham no Natal, permanecendo os seus funcionários a trabalhar na noite de 24, lembrando que o acolhimento é 365 dias por ano e que no Natal há crianças sem lar. A estas últimas obrigado por nos lembrarem que há crianças a sofrer e que ainda há muito por fazer. Às famílias esforçadas que acolhem crianças, a minha profunda simpatia pelo seu gesto mas não deixo de pensar que podiam canalizar as suas energias em formas de voluntariado mais comprometido no tempo.

PVS

segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

Formação baseada em "Group Relations"


À primeira vista a formação baseada em “Group Relations” pode parecer semelhante a qualquer outra formação. Tem um programa, uma equipa de organização, um grupo de participantes e módulos. Ao olharmos mais atentamente apercebemo-nos que este tipo de formação se distingue radicalmente de uma formação tradicional onde os conteúdos pedagógicos estão previamente definidos e onde a autoridade maioritariamente reside no formador.

“Group Relations” é o termo utilizado a partir dos finais dos anos 50 pela equipa do Instituto Tavistock para se referir ao método laboratorial de estudo das relações humanas dentro e entre grupos. Este método laboratorial foi numa primeira fase desenvolvido por Bethel e Maine tendo por base o modelo de aprendizagem experencial em grupo resultante dos trabalhos de Kurt Lewin e posteriormente desenvolvido por W. R. Bion na forma de grupos sem líder.

As conferências baseadas em “Group Relations” são organizadas de forma a criar oportunidades de aprendizagem experencial através da participação activa dos participantes em todas as sessões favorecendo as interacções com os diferentes participantes e membros formadores / consultores. As interacções desenvolvem-se numa variedade de grupos e contextos (settings) que pretendem ser laboratórios vivos de dinâmica relacional. A formação é lida como metáfora de uma instituição real, onde cada sessão tende a espelhar os diferentes contextos de uma instituição. É dado aos participantes a oportunidade de estudarem o seu próprio comportamento e o dos outros no desenrolar das diferentes sessões, numa lógica de análise da situação “no aqui e agora” de cada grupo. Cada participante usa a sua autoridade para aceitar o que julga serem aprendizagens úteis e rejeitar o que julga ser inútil. Através deste processo cada participante pensa sobre as modalidades de ganho e perda de poder e de exercício de autoridade nos diversos sistemas da vida quotidiana.

A formação cria uma instituição temporária de aprendizagem que permite estudar de forma experencial os elementos conscientes e inconscientes que afectam a dinâmica dos sistemas sociais e da vida organizacional, com especial enfoque nos processos de lideranças e autoridade.

Para mais informação sobre este modelo de formação pode-se consultar o site http://www.grouprelations.com.

PVS

domingo, 4 de dezembro de 2005

Consultoria a instituições de acolhimento

Cada vez mais a consultoria / supervisão a equipa técnicas e a prestadores de cuidados de instituições acolhimento de crianças se torna uma urgência.

Sabemos que pela exigência emocional da tarefa destas organizações, é necessário criar espaços de reflexão e pensamento que permitam aos profissionais lidar de forma eficaz com as ansiedades e emoções emergentes da prática laboral.

Neste sentido iremos apresentar em breve um conjunto de respostas atractivas nesta área e acessíveis do ponto de vista económico às instituições.

Iremos apresentar igualmente um conjunto de acções de formação baseadas em “eventos de grupo” na tradição do Instituto Tavistock, privilegiando-se a aprendizagem pela experiência.

Serão trabalhadas questões como liderança, autoridade e dinâmica organizacional. Todo o processo de aprendizagem será experiencial, não havendo lugar a aulas propriamente ditas.

Esperamos que estas iniciativas tenham a melhor receptividade.

PVS

sexta-feira, 2 de dezembro de 2005

Organization in the Mind


Gostaria de partilhar convosco um dos últimos livros que adquiri e que me pareceu óptimo para a reflexão sobre a vida mental das nossas organizações.

"Organization in The Mind: Psychoanalysis, Group Relations and Organizational Consultancy", de David Armstrong, publicado pela Karnak Books.

O livro não se refere concretamente a instituições de acolhimento de crianças mas permite retirar muitas ideias úteis sobre tópicos essenciais como sejam liderança, autoriadade, gestão de fronteiras institucionais e consultoria.

O autor inscreve-se numa linha teórica conhecida por Modelo Tavistock que incorpora conceitos da Psicanálise com conceitos da teoria sistémica. Excelente livro para todos os que querem reflectir sobre a dinâmica organizacional.

PVS

quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

Novo portal CNPCJR


A Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco lançou um portal destinado a divulgar o trabalho das CPCJs. Possibilitou também a existência de uma zona discussão exclusica para técnicos através de construção de um fórum de discussão.

Esperemos que esta feliz iniciativa se traduza num salto qualitativo de acesso à informação.

O site é http://www.cnpcjr.pt.

PVS