CriançaSemRisco

sexta-feira, 31 de março de 2006

Formação de Formadores - Comissões de Protecção de Crianças e Jovens

Uma semana em clausura, muita reflexão e muitas descobertas!

Realmente, a Lei de Promoção e Protecção é uma caixinha de surpresas, que se renova à medida que a cultura de promoção e protecção evolui.

Alguns pontos que desde já gostava de sublinhar.

A intervenção das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJs) em modalidade restrita só pode acontecer com o consentimento dos titulares do poder paternal não bastando o consentimento do progenitor que detém o exercício do poder paternal. Esta interpretação implica a obrigação de audição de ambos os progenitores mesmo quando o casal se encontra divorciado e o exercício do poder paternal se encontra regulado judicialmente. A dispensa do consentimento de um dos titulares do poder paternal só existe em caso de manifesta dificuldade em localizar o paradeiro.

As CPCJs não fazem inquéritos crime, e por isso não fazem investigação. Neste sentido, as CPCJs não têm legitimidade de requerer exames médicos de diagnóstico na ausência de consentimento dos titulares do poder paternal.

Subsistiu a ideia de que as CPCJs não são serviços, e nesse sentido não devem assumir os actos dos processos de promoção e protecção, devendo delegar às entidades parceiras os actos que achar convenientes, levando em conta o princípio da intervenção mínima.

Um tema de grande relevo foi o princípio de reserva dos processos. O carácter confidencial dos relatórios e das peças processuais deve ser tido em conta nos serviços das entidades parceiras. Este princípio obriga a que os relatórios técnicos inter-instituições sejam de conhecimento exclusivo dos técnicos envolvidos directamente no processo, e não de todas as hierarquias e serviços administrativos de cada instituição.

Quanto ao modelo de intervenção na família... ainda não foi desta...

Contudo, ficou a promessa de um segundo momento de formação dedicado a matérias mais específicas.

O melhor foi mesmo a dinâmica de grupo que se gerou e que tanta esperança nos dá.

Obrigado Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco por esta semana tão rica.

PVS

quinta-feira, 30 de março de 2006

The Mulberry Bush


Muitas vezes escrevemos neste blog sobre comunidades terapêuticas para crianças e jovens com dificuldades emocionais.

A The Mulberry Bush é talvez a mais mítica destas comunidades.

Fundada por Barbara Dockar-Drysdale em 1948, no pós-guerra, foi muito influenciada pelo pensamento de Winnicott.

É actualmente uma escola residencial para crianças entre os cinco e os doze anos, com elevado sucesso.

Vale a pena conhecê-la visitando o website (clicar aqui).

TSM

quarta-feira, 29 de março de 2006

E quando as crianças rejeitam a nossa ajuda...

Muitas vezes quem trabalha com crianças com dificuldades emocionais depara-se com uma situação de difícil resolução: as crianças que queremos ajudar aparentemente recusam ou não querem a nossa ajuda.

É difícil para os técnicos e os prestadores de cuidados evitarem o sentimento de serem rejeitados. Especialmente quando ofereceram ajuda, com as melhores intenções, a crianças que tiveram histórias de vida bastante problemáticas. Este sentimento leva a que, frustrados, desmotivem e se esforcem menos em ajudar estas crianças, considerando-as incapazes de serem ajudadas.

Esta rejeição é tão mais estranha quanto mais facilmente os técnicos e prestadores de cuidados imaginam ou têm a ideia de que estas crianças estariam desejosas de ser retiradas às famílias que delas abusaram ou negligenciaram. No entanto, na prática não é isso que acontece.

Temos de nos lembrar que, por muito desadequada que fosse a família de onde provieram, era, mesmo assim, a única família que conheceram. Aquela a quem estão vinculados e onde aprenderam a viver.

Temos também de nos recordar do que um psicanalista escocês dos anos cinquenta, Ronald Fairbairn, chamava a defesa moral. Ao crescer num meio particularmente hostil é vulgar, dizia Fairbairn, criar a fantasia de que é o próprio que é mau em vez dos seus pais/família. Ou seja, em vez de terem pais abusadores ou negligentes, as crianças muitas vezes criam a fantasia de que o que se passa é o oposto: são eles que são más crianças e os pais são óptimos. Isto faz com que tenham esperança de que se se portarem sempre bem, os pais nunca lhes vão bater, abusar ou não lhes prestar atenção. O que significa que, quando entram numa instituição, estas crianças vão sentir isso como uma punição extrema: significa que se portaram muito mal e que os pais já não as querem.

É então necessário ter atenção aos sentimentos que estas crianças provocam em quem as tenta ajudar. Mais do que deixarmo-nos vergar pelos sentimentos que nos invadem, ficando incapazes de ajudar, temos que usar esses sentimentos "terapeuticamente". Temos de pensar nos nossos sentimentos como "pistas" para entender a experiência emocional das crianças e, consequentemente, ajudá-las com essas mesmas experiências.

TSM

terça-feira, 28 de março de 2006

Psicanálise e Serviço Social


Saiu recentemente um livro inovador para a prática de serviço social: "Psychoanalytic Theory for Social Work Practice: Thinking under fire" (consultar aqui). Editado por Marion Bower e escrito na sua maioria por assistentes sociais, é um livro essencial nesta área.

Cada vez mais é necessária a existência de um modelo teórico partilhado entre os varios técnicos da área que permita a reflexão e compreensão das problemáticas associadas ao acolhimento de crianças.

Os temas tratados vão desde o trabalho com crianças e famílias, as questões da supervisão, consultoria e gestão de stress emocional, várias vezes debatidas neste blog.

A editora Karnac está de parabéns por ter lançado este livro!

TSM

domingo, 26 de março de 2006

No final do dia, o que é que fica?

Muitos dos técnicos das CPCJs chegam cada vez mais tarde a casa. Assumindo em regime de “voluntariado”, a gestão infinita dos processos, permanecendo noite a dentro a tentar descobrir soluções quase mágicas.

A questão que devemos friamente levantar é: qual a eficácia deste processo? Já por diversas vezes afirmámos que tarefas / missões idealizadas, não se coadunam com bons processos de gestão e acabam invariavelmente no desgaste dos recursos humanos.

Defendemos que é urgente que as CPCJs definam de forma realista a sua tarefa e os limites reais da sua intervenção, traçando estes limites a partir dos recursos existentes em matéria de infância e juventude no concelho.

É igualmente necessário que as equipas que realizam gestão de casos (Comissão Restrita), tenham acesso a consultoria e a um espaço de reflexão, que as permita trabalhar as suas próprias expectativas.

Em bom serviço é aquele que no final do dia pode-se fechar a porta com a certeza de um bom trabalho.

PVS

sexta-feira, 24 de março de 2006

Relatórios dos Listenning Post (OPUS)


Os relatórios mundiais, incluindo Portugal, dos Listening Post, organizados pela Organization to Promote Understandig of Society (OPUS) já estão on-line no site da OPUS. A leitura dos relatórios permite uma visão interessante do mundo no ínicio de 2006.

Está previsto o próximo Listening Post para os finais de Junho.

PVS

quinta-feira, 23 de março de 2006

Expo Criança 2006 - Números acima das expectativas

Pelo sétimo ano consecutivo crianças, pais, professores, educadores, e outros profissionais do sector, juntaram-se em Santarém para mais uma edição da Expo Criança.

No total, foram mais de 25 mil visitantes que passaram pelo Centro Nacional de Exposições (CNEMA), entre os dias 15 e 19 de Março. Apreciando o facto da Expo Criança ter tido em 2006 uma duração mais reduzida em relação aos anos transactos - somente cinco dias, "procurando", segundo a administração, "uma maior concentração das actividades e uma maior rentabilização da presença dos expositores profissionais", o balanço do certame superou as expectativas da organização, tendo-se registado proporcionalmente, um aumento de visitantes, de 22% em relação ao ano homólogo de 2005.

Outros dados comprovam o sucesso do evento deste ano. Foram cerca de 14 mil crianças, mais de 18% em relação ao ano homólogo de 2005, que desfrutaram de espectáculos de teatro, música e muitas outras actividades lúdicas, e 12 mil adultos - mais 28% em relação ao ano transacto -, registando-se também uma maior afluência de pais no fim-de-semana, e de técnicos de educação e outros profissionais do sector durante a semana. Digno de nota também é o aumento de 17% no número de expositores, perfazendo um total de 105.

São razões suficientes para acreditar que a Expo Criança continua a somar créditos como a principal montra do sector.

PVS

Formação nas CPCJs

A Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco (CNPCJR) está a iniciar um esforço de formação das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJs). Já algumas vezes neste blog fui crítico da política de protecção mas parece que desta vez existem sinais de alguma esperança.

Não seria honesto com os leitores deste blog se não declarasse que no presente aceitei o desafio da CNPCJR para realizar um curso de formação de formadores na área das crianças em risco e da intervenção das CPCJs. Por isso durante a próxima semana irei ficar em clausura. Espero regressar com uma dose renovada de esperança e com novas aprendizagens.

Espero também que deste momento de formação e reflexão comece a nascer um embrião de intervenção psicossocial consistente. Afinal a intervenção das CPCJs é mais que a aplicação de uma boa Lei.

Será que vêm aí o Modelo de Intervenção Centrado na Família?!

PVS

Edwin Gordon na Gulbenkian

Edwin Gordon vai estar na Gulbenkian no próximo fim de semana.

Edwin Gordon. Depois de ter realizado a sua formação como contrabaixista na Eastman School of Music, integrou a famosa banda de jazz de Gene Krupa, prosseguindo a sua formação científica na Universidade de Iowa. Foi professor em três prestigiadas universidades americanas, desempenho pelo qual foi agraciado com diversos prémios de mérito científico e académico.Tem uma vasta participação em revistas de investigação especializadas, sendo um conferencista de renome mundial. Criador de uma teoria de aprendizagem musical e co-autor do currículo de iniciação instrumental Jump Right In, Edwin Gordon é internacionalmente reconhecido como um dos maiores pedagogos da actualidade.

Através de rigorosa e extensa investigação, tem dado contributos significativos em áreas como o estudo das aptidões musicais, estádios e tipos de audiação, teoria de aprendizagem musical, ritmo, movimento e improvisação musical.

Publicou vários livros, dois dos quais traduzidos e editados pela Fundação C. Gulbenkian: "Teoria de Aprendizagem Musical", "Competências, Conteúdos e Padrões" e "Teoria de Aprendizagem Musical para Recém-Nascidos e Crianças em Idade Pré-escolar".

Além do trabalho de orientação de inúmeras teses de doutoramento no campo da Psicologia da Música e da Educação Musical, o professor dedica-se há mais de 30 anos ao estudo do desenvolvimento musical de crianças recém-nascidas e em idade pré-escolar. O seu contributo nesta área de estudo é absolutamente inovador e sólido.

O seu trabalho tem sido divulgado em Portugal desde 1994, marcando decisivamente as práticas educativas e artísticas do panorama musical português.

Todos os que puderem, inscrevam-se na conferência!

Organização
CESEM - Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa
Av. de Berna, 26 C
1069-061 Lisboa

Secretariado: Cristina Cota (tlf.: 21 7942043 / email: cesem@fcsh.unl.pt)

PVS

quarta-feira, 22 de março de 2006

As nossas necessidades

Raras são as vezes que escolhemos uma profissão por acaso. Muitas das vezes a profissão que desempenhamos satisfaz algumas das nossas necessidades emocionais, o que necessariamente não é mau. Contudo quando pensamos na intervenção na área social, devemos ser mais atentos a este processo. Quais as necessidades que esperamos satisfazer? Como é que vimos o nosso papel?

É com frequência que vimos pessoas nas instituições de acolhimento à espera de reconhecimento e gratidão por parte das crianças. Não é estranho face ao investimento nelas depositado. É sempre melhor esperar gratidão do que coisas “piores”. Mas na verdade, por vezes, percebemos que o que move as pessoas não é a capacidade de se darem em uma, duas, três relações, mas pelo contrário de preencherem o próprio vazio pessoal com dez, quinze miúdos. Neste sentido, é importante compreender que alguns não andam por estas bandas pelas crianças, mas principalmente para tentar satisfazer um necessidade pessoal.

Estas pessoas precisam de ser trabalhadas e apoiadas, e são normalmente as primeiras a "estoirarem" psicologicamente. A final a gratidão é um bem escasso nesta área e é bom que assim o seja.

PVS

sábado, 18 de março de 2006

Breves notas sobre o workshop "Knowing the Child, Building a Relationship"

O workshop "Knowing the Child, Building a Relationship", foi um sucesso da Expo Criança 2006. Os participantes tiveram a oportunidade de, através de uma metodologia activa e inovadora baseada no trabalho de grupo bem como em representação pictórica, aprofundarem uma série de questões ligadas ao acolhimento de crianças em risco.
  • Quem são as crianças que acolhemos? 
  • Qual o seu contexto de origem? 
  • Qual a relação materna precoce que tiverem? 
Foi o primeiro grupo de questões abordadas pelo grupo. Após este primeiro momento, onde se destacaram algumas pré-concepções que todos nós, com alguma naturalidade, fazemos em relação a estas crianças e às sua famílias, sublinhou-se o carácter único de cada criança e como é difícil nos envolvermos numa relação de um para um. Falou-se também de crianças excessivamente exigentes e desafiadoras.
  • O grupo prosseguiu o trabalho aprofundando as seguintes questões: 
  • Como é que vemos as crianças nas instituições? 
  • Como é que vemos as instituições? 
  • Como é que vemos o papel da equipa de trabalho? 
Nesta segunda parte os diversos grupos tentaram aprofundar as suas ideias sobre a vida nas instituições e o papel destas. Falou-se de crianças a pedir ajuda, crianças vítimas, crianças sem identidade.

Paralelamente falou-se de equipas, com amor para dar, com uma capacidade quase mágica de “salvar” as crianças. O grupo foi reflectindo sobre até que ponto existe uma clivagem que permite ver as equipas como portadoras de todo o amor e por outro lado as crianças como vazias de coisas boas, vazias de amor.

Sublinhou-se o perigo dos adultos não identificarem as suas partes mais agressivas e serem movidos por uma idealização, situação que pode deslizar para um rápido “burnout” da equipa, bem como para situações de abuso.

Os trabalhos continuaram com a análise das questões associadas ao papel da cada membro da equipa e à autoridade que assumem no seu desempenho. De onde vem a nossa autoridade? Como é que usamos a autoridade?

Foi curioso percebermos como é difícil identificarmos as fontes da nossa autoridade e o reconhecimento de um mandato claro para o desempenho do nosso papel na instituição. Associou-se esta dificuldade com a definição, por vezes turva, da tarefa primária da instituição. Discutiu-se a necessidade da tarefa primária ser definida de forma concreta e com relação directa à realidade. Destacou-se o perigo de tarefa primária ser definida de forma idealizada do tipo "integrar todas as crianças na sociedade com sucesso". As tarefas primárias idealizadas contribuem negativamente para a definição dos papéis, contribuindo progressivamente para a promoção de agendas pessoais dos membros da equipa, por vezes incompatíveis com o bem-estar das crianças.

O workshop acabou com a referência à necessidade de permanecer uma visão binocular da relação, onde ambas as pessoas da díade se conseguem colocar não só no seu lugar (no seu papel) como também no lugar do outro, e desse lugar observar a relação. Esta dupla visão foi interpretada como essencial e como estruturante de uma boa prática.

Resta-nos mais uma vez sublinhar o privilégio que foi para todos trabalhar uma manhã com o Lionel Stapley, e como ficámos todos contentes por saber que existe uma grande probabilidade do Lionel Stapley, juntamente com mais dois consultores da OPUS, organizarem um curso “Containment for Growth” em Portugal no próximo Outubro.

Até Outubro...

PVS

quarta-feira, 15 de março de 2006

Não temos toda a informação...

Quando uma história sobre uma criança em risco nos chega às nossas mãos somos impelidos a tentar saber mais. Quando por razões profissionais temos que ser agentes na história dessa criança, parece que a informação que dispomos nunca é a suficiente. Por vezes vemo-nos a tentar solicitar inúmeros relatórios de forma a tentarmos ter um puzzle intelegível.

Este nosso comportamento é perfeitamente compreensível, só que se depara com uma impossibilidade de raiz. A vida de uma criança não se resume a três ou quatro relatórios. Neste sentido deixo a proposta que devemos em determinado momento tentar encontrar caminhos e respostas nos dados que dispomos, olhando para dentro de nós e usando a nossa cabeça para elaborarmos um sentido para a história que temos à nossa frente.

Esta minha proposta é obviamente polémica. Implica admitirmos em primeiro lugar que não temos o controlo completo do puzzle do caso, existem sempre peças que faltam e que por isso existe sempre incerteza. Em segundo lugar implica admitirmos que o lugar onde o sentido se ganha é interior, íntimo e por isso subjectivo. Em terceiro lugar o meu desafio levanta a questão: como é que a minha intersubjectividade, os meus valores, preconceitos e normas culturais, condiciona a maneira como construo o puzzle que é do outro?

Para minimizarmos estas questões parece existir um só caminho. Sabermos muito bem o que é nosso e o que é do outro. Ao mesmo tempo que publicamos esta distinção em grupo de trabalho e em grupo de supervisão.

É bom termos presente que os instrumentos objectivos só são úteis como parte do processo de avaliação, eles não são a avaliação por si.

PVS

Chegou a Expo Criança 2006


A Expo Criança 2006 chegou e chegou com energia, animação e muita brincadeira!!!

Um dia cheio de surpresas boas.

Na parte da manhã um seminário rico sobre as questões do ciclo da violência com três intervenções muito ricas de Laborinho Lúcio, Maria José Gambôa e Moita Flores.

Para a parte da tarde estava reservada uma verdadeira surpresa promovida pela Associação para o Desenvolvimento Social e Comunitário de Santarém. No âmbito do workshop sobre educação parental, tivemos o prazer de ouvir Ana Gomes, psicóloga clínica e terapeuta familiar. Um verdadeiro presente para quem, como eu, já anda há algum tempo a pensar nas questões da educação parental.

Retive uma máxima:

A parentalidade não se ensina: aprende-se!

PVS

Leitores amigos

Ter um blog é ter uma porta aberta para o mundo. Publicar ideias pensamentos, convicções. Neste sentido, o acto de escrita é mais fácil quando se imagina que o leitor é nosso cúmplice.

Hoje recebi um mail especial de um leitor. Alguém muito cúmplice do meu pensamento que há alguns anos me ensinou a ver a arquitectura como os traços que dispõem paredes que contêm e provocam emoções e pensamentos.

Obrigado Ana por passares pelo blog!

PVS

terça-feira, 14 de março de 2006

Ajuda de Mãe - Linha SOS Grávida

A Ajuda de Mãe tem um linha SOS Grávida de aconselhamento que nos parece bastante útil na prevenção da relação primária e do percurso da vinculação perinatal.

SOS Grávida é uma linha telefónica à qual os apelantes recorrem para, de uma forma anónima e confidencial, esclarecer dúvidas e/ou partilhar ansiedades/expectativas, nas áreas da gravidez, sexualidade e planeamento familiar. Através do contacto telefónico é ainda possível proceder ao encaminhamento adequado para os recursos disponíveis na comunidade.

808 20 11 39 / 213862020
(2a a 6a feira entre as 10h e as 18h)

PVS

segunda-feira, 13 de março de 2006

Silêncio...


O baloiço parou!!! Ficou simplesmente a memória vaga de uma infância trémula. Marcada pelo compasso do bater seco de um punho. Os sapatos, os companheiros de todos os caminhos, inertes repousam junto do baloiço. O silêncio lembra a mordaça, do não falar e o cheiro, os lírios murchos.

Este é só um lugar difícil de visitar, um lugar imaginado a partir de muitas histórias não contadas, por muitas crianças que tenho vindo a conhecer.

PVS

Grupos de supervisão

Estando bem cientes das dificuldades das instituições em apostarem numa supervisão externa às suas equipas, vamos iniciar grupos de supervisão transversais.

A ideia é criar grupos de 8 técnicos de diferentes instituições da acolhimento de crianças que se possam reunir quinzenalmente com um consultor/supervisor, e que nesse espaço possam apresentar/discutir e reflectir sobre casos práticos.

Em breve iremos dar mais notícias sobre estes grupos e sobre a metodologia a seguir.

PVS

Não nos vamos esquecer...

Atenção!!!

"As Comissões de Protecção de Crianças e Jovens em Risco deverão receber novos técnicos até ao final de Junho, anunciou hoje a secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Moniz."

In Público (08/03/2006)

PVS

domingo, 12 de março de 2006

Caminhos a percorrer...

O Diário de Notícias na revista de hoje dedica uma entrevista e um artigo às crianças mal tratadas. A entrevista ao Juiz Conselheiro Armando Leandro é uma boa viajem ao mundo do sistema de protecção das crianças, onde a demagogia de uma outra direcção da Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco (CNPCJR), numa cruzada contra a mudança da Lei de Protecção, deu lugar ao idealismo quase onírico de um Homem que acredita talvez demais na Humanidade, na Sociedade e no Direito. Lógico que o Juiz Conselheiro Armando Leandro nunca pode ser julgado por acreditar na Humanidade. E ainda bem que acredita!!! Contudo, ao fim de algum tempo, o movimento de apelo constante à comunidade civil como primeira responsável pela protecção das crianças começa a cansar. Não que a tese esteja errada mas pela falta de eco que o apelo produz. Na prática, pregar aos peixes tem exactamente a limitação de se estar a pregar aos peixes.

Cremos que é preciso algo mais para mudar o sistema de protecção vigente. Uma terceira via entre a demagogia política e o sonho humanista. Um caminho traçado pela ciência, pela formação técnica e que assente na competência dos principais agentes. Não faz sentido que não existam médicos de Medicina Legal, com competência e formação específica para fazer um diagnóstico de maus-tratos nos diversos hospitais centrais, concentrando-se esta valência específica da Medicina Legal somente em Lisboa, Coimbra e Porto. Também não faz qualquer sentido que não exista formação ao nível das diferentes tipologias de maus-tratos. Como é que um técnico de serviço social pode fazer um diagnóstico se desconhece os quadros nosográficos dos maus-tratos infantis? Quantos técnicos sabem o que é uma Síndrome de Münchausen ou uma Síndrome da Criança Abanada?

Na verdade, a qualidade da parentalidade não salta sempre à vista. Exige-se avaliações pormenorizadas e técnicas sobre a qualidade da vinculação. Sendo assim, como é que não existe um único protocolo alicerçado em instrumentos estandardizados de avaliação da vinculação?

Enfim... o que pretendo com este texto é sublinhar a necessidade do sonho e do ideal abrirem o caminho à ciência e a técnica.

PVS

sábado, 11 de março de 2006

Guião Técnico - Lares de Crianças e Jovens

A Direcção Geral da Acção Social do Ministério da Segurança Social, no ano de 1996, sob a direcção técnica de Maria Amélia Fernandes e Maria Graciete Palma da Silva, publicou um guião técnico sobre o funcionamento dos Lares de Infância e Juventude.

Este documento, lamentavelmente, nos últimos dez anos não foi alvo de nenhuma actualização e revisão. Contudo, ao lermos de novo o documento, ficamos com a sensação de que se pelo menos as directivas nele inscritas estivessem universalizadas, o panorama já não seria muito negro.

O problema reside nos acordos de cooperação que o Estado só revê anualmente do ponto de vista financeiro, não revendo as outras dimensões do acordo, deixando desta forma a avaliação da adequação das instituições ás normas mínimas definidas pelos próprios serviços do Estado.

Para a consulta deste guião basta clicar aqui.

PVS

À espera de uma picareta...

Há paredes que ainda têm que ser derrubadas.

O trabalho eficaz em parceria que é exigido na área das crianças em risco habita para lá de alguns muros!!!

PVS

Supervisão externa - Uma exigência!

O texto do Tiago Sousa Mendes faz-nos lembrar mais uma vez a necessidade de supervisão dando ênfase as necessidades de quem cuida. Lembrando que a qualidade da prestação de cuidados está intimamente interligada à disponibilidade emocional dos aultos que trabalham com elas.

Convém afirmar que estas notas do Tiago sobre a necessidade de supervisão não são notas sobre necessidades supérfluas, sobre luxos de instituições e de funcionários. Pelo contrário, a supervisão é o método mais económico e eficaz de evitar histórias de abuso e de maus-tratos dentro das instituições.

A exigência de supervisão/consultoria externa a todas as instituições de acolhimento iria de forma significativa melhorar a qualidade de vida das crianças acolhidas e evitar escândalos do tipo Casa Pia.

Esta exigência deveria estar incluída em todos os acordos de cooperação que o Estado celebra com as instituições que acolhem crianças.

PVS

sexta-feira, 10 de março de 2006

Ciudar de quem cuida

Muito se tem falado ultimamente sobre as crianças em instituições, sobre como é necessário criar as melhores condições possíveis para estas. No entanto, o discurso sobre instituições de/para crianças acaba, ou pelo menos não vai muito para além disto, como se a "vida" de uma instituição se resumisse apenas às crianças de que cuida.

Raramente ouvimos falar dos técnicos e funcionários que "cuidam" destas crianças e, quando ouvimos, é muitas vezes para os criticar enquanto pessoas e enquanto técnicos. No entanto, são eles que diariamente são confrontados com as ansiedades decorrentes da sua, como alguém designou, "tarefa impossível". A maior parte das vezes sozinhos, têm de lidar com todas as dificuldades emocionais inerentes a esta profissão, além de recursos materiais e humanos insuficientes.

Uma instituição que se pretende que "cuide" de crianças não o pode fazer sem conseguir "cuidar" dos seus membros. Estes precisam de ser apoiados, suportados, entendidos e "cuidados" na sua tarefa de cuidar. É nesse sentido que a supervisão e a consultoria externa assumem particular importância.

Só conseguimos cuidar de alguém, porque alguém cuidou de nós.

TSM

Os adultos não gostam do tempo

Crescer tem tudo a ver com limites. Só se cresce em espaços estruturados, onde há tempo e momentos de silêncio e de reflexão. Neste sentido, quando trabalhamos com crianças devemos ter sempre presente a gestão do tempo e como o tempo se impõe enquanto limite estruturante dos processos de aprendizagem.

Numa sala de aula existem tempos e aprendizagem, tempos de trabalho de grupo, tempos de reflexão, tempos de brincadeira, tempos para dúvidas. O professor deve ser o gestor dos tempos à medida que facilita e propõe tarefas.

Sendo pacífico a tese que aqui apresento, interrogo-me... Porquê é que nos colóquios e seminários de gente crescida os trabalhos nunca se iniciam a horas? Porquê é que ao final de uma hora de trabalhos já existe uma hora de atraso? Porquê é que quando se chega à hora do debate em plenário tem de se acabar os trabalhos porque o atraso já é incomportável?

Então como é que os adultos querem continuar a crescer (e a ajudar as crianças a crescer) se não respeitam o TEMPO?

O tempo é amigo da organização e da produtividade, e muitíssimo amigo do crescimento.

PVS

8 Apostas para uma cultura ética no acolhimento de crianças

  • Cultura de Vinculação
  • Cultura de Segurança e Compreensão – “Holding”
  • Cultura de Comunicação
  • Cultura de Participação e Cidadania
  • Cultura de Autonomia / "Empowerment"
  • Cultura de Pensamento e Verdade
  • Cultura de Parceria
  • Cultura de Supervisão e Consultoria Externa
 
PVS

quinta-feira, 9 de março de 2006

Tarefa primária em acolhimento de crianças

A tarefa rimária (primary task) é um conceito introduzido nos anos 60/70 na literatura organizacional influenciada pelos trabalhos do Instituto Tavistock.

Todas as organizações são tidas como um sistema aberto, com uma tarefa (missão) central, que tem de ser conseguida através da actividade coordenada de um conjunto de elementos do sistema que organizam processos e funções.

A clarificação da tarefa primária é essencial para o funcionamento da organização e para a sua sobrevivência.

É importante reflectirmos sobre qual é a tarefa primária das instituições de acolhimento de crianças (Lares de Infância e Juventude).

Richard Rollinson (2003), propõe um conjunto de 6 questões que nos ajudam a definir qual a nossa primary task numa instituição de acolhimento de crianças:

  • Quem são as crianças que nós pretendemos ajudar?
  • O que é que aconteceu a estas crianças?
  • Qual foi o impacto nas crianças das experiências precoces?
  • Como é que as crianças exprimem este impacto no presente?
  • O que é que tentamos fazer com e para elas quando são acolhidas?
  • Para que fim e resultado nós realizamos este esforço extraordinário?

PVS

quarta-feira, 8 de março de 2006

Autonomização do crime de violência doméstica... Proposta arrojada!

A Comissão para a reforma do Código Penal foi arrojada quanto à autonomização do crime de violência doméstica. Um sinal muito positivo desta Comissão. Resta esperar que em sede legislativa as propostas não se percam e que, no terreno da aplicação do Direito, a lei se transforme em sentença.

PVS

Violência doméstica passa a ser crime autónomo

"Violência doméstica passa a ser um crime autónomo no projecto de novo Código Penal, punido com pena de prisão de um a cinco anos, revelou à Lusa fonte ligada ao processo.

Fonte da Unidade de Missão para a Reforma do Código Penal (CP), que na próxima semana deverá entregar as suas propostas para o novo código, disse à Lusa que uma das novidades do projecto é a autonomização do crime de violência doméstica, que fica contemplado no artigo 152.

De acordo com a mesma fonte, no artigo agora criado entende-se que 'quem de modo intenso causar maus tratos físicos ou psíquicos, incluindo privação da liberdade, a cônjuge, ex-cônjuge ou com quem vive em união de facto, bem como aos filhos, é punido com pena de prisão de um a cinco anos'.

A fonte admitiu também que, no novo CP, o crime de violência doméstica deixe de depender de queixa da vítima.

A revisão do CP deverá ficar concluída na próxima segunda-feira, depois de o grupo de trabalho ter praticamente ultimado as ultimas propostas na passada segunda-feira."

In Portugal Diário (08/03/2006)

PVS

terça-feira, 7 de março de 2006

Presente

Um presente foi deixado à porta de uma instituição de acolhimento de crianças. Uma criança a passar por ele apanhou-o. Ao abrir o embrulho encontrou um carro dos bombeiros.

Contente, pegou no carro e reparou que precisava de pilhas. Correu a pedir a um adulto três pilhas para colocar no super carro dos bombeiros. O adulto prontamente colocou as pilhas no carro e para espanto de todos o carro não andou. Afinal era um carro para meninos pobres!!!...

PVS

Crianças de olhar perdido


Algumas crianças esperam, anos e anos por uma família, esquecidas numa instituição.

Resta-lhes olhar para o céu e esperar que alguma nave tipo "Cocoon" as venha buscar. O olhar perdido que vemos é o olhar de quem olha para uma esperança remota...

PVS

segunda-feira, 6 de março de 2006

Campanha "Pobreza Zero"


Uma excelente iniciativa na luta contra a pobreza!

Missão da campanha:

Mobilizar a sociedade portuguesa para a acção em torno da luta contra a pobreza e para os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM).

Porquê uma Campanha “Pobreza Zero”?

No ano 2000, 189 chefes de Estado e de Governo assinaram a Declaração do Milénio que levaram à formulação de oito objectivos de desenvolvimento específicos a alcançar até 2015. Estes objectivos, chamados Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, podem ser resumidos da seguinte forma:

  1. reduzir para metade a pobreza extrema e a fome;
  2. alcançar o ensino primário universal;
  3. promover a igualdade entre os sexos;
  4. reduzir em dois terços a mortalidade de crianças;
  5. reduzir em três quartos a taxa de mortalidade materna;
  6. combater o VIH/SIDA, a malária e outras doenças graves;
  7. garantir a sustentabilidade ambiental;
  8. criar uma parceria mundial para o desenvolvimento.

Passaram-se cinco anos e os líderes políticos continuam a não cumprir as suas promessas. Por isso, sob o lema “Pobreza Zero”, a campanha apela à sociedade para que se mobilize, actue e pressione os líderes políticos, e exija, como primeiro passo para a erradicação da pobreza, o cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

O crescimento económico espectacular gerado nos últimos anos não contribuiu para garantir os direitos humanos nem para melhorar as condições de vida em todas as regiões do mundo, nem para todas as pessoas seja qual for a sua condição, género, raça ou cultura. Pelo contrário, aumentou a desigualdade e a injustiça para níveis escandalosos.

A persistência da pobreza e da desigualdade no mundo de hoje não tem justificação. Somos a primeira geração que pode erradicar a pobreza! Existem meios suficientes, tecnologias, desenvolvimento e capacidade para tal. Os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio são objectivos viáveis do ponto de vista técnico e económico, exigindo apenas vontade política por parte dos Estados.

Para as organizações sociais os ODM são limitados e apenas representam alguns avanços face às suas reivindicações históricas mas é igualmente certo que se no ano 2015 se conseguirem cumprir os ODM tal como estão formulados, será o melhor indicador de que se produziram transformações profundas na estrutura mundial que conseguiram reverter o agravamento da situação. Neste sentido, o ano de 2005 foi um ano fundamental para os movimentos sociais.

Ainda em Setembro de 2005, a Assembleia Geral da Nações Unidas apresentou um relatório sobre o grau de cumprimento e incumprimento relativo aos ODM, durante a cimeira do Milénio.

Esta cimeira foi de uma importância primordial para este século e permitiu perceber qual a real vontade dos países em envolver-se na luta contra a pobreza global. Visite o site Pobreza Zero!

PVS

Crianças em risco e pobreza

Existe curiosamente em Portugal uma sobreposição considerável entre crianças sinalizadas nas CPCJs e crianças incluídas em agregados beneficiários de Rendimento Social de Inserção (antigo Rendimento Mínimo); por outras palavras, há uma sobreposição clara entre pobreza e maus-tratos a crianças.

Esta clara sobreposição conduz a algumas questões:

  • Será que as CPCJs só sinalizam em meios sócio-económicos baixos?
  • Será que pobreza em Portugal é sinónimo de mau trato?
  • Será que a política / metodologias de luta contra a pobreza está a alimentar a exclusão social?
  • Será que a pobreza em Portugal se associa positivamente com problemáticas de saúde mental que desembocam em patologias da vinculação?

Esta são algumas perguntas que exigem respostas rápidas…

PVS

O regresso da roda

Alguns países europeus, de forma a agilizar o processo de adopção e diminuir o número de crianças que ficam em situação de abandono intra-familiar, voltaram a recuperar o velhinho sistema da roda.

Pode ser esta uma forma curiosa para dar a volta à morosidade dos processos de adopção?

PVS

domingo, 5 de março de 2006

Blogicamente!

Expo Criança - Workshop no dia 17 de Março, no Espaço Multiusos das 16h às 17h, dinamizado por Raquel Nunes e Ermelinda Damas.

Os primeiros passos na Matemática são marcantes e determinantes no percurso escolar de uma criança. As noções de lógica devem ser colocadas em “alto-relevo” na Educação Pré-Escolar, devendo ser uma constante de trabalho, exploração e criação, por parte dos agentes educativos ao longo do Ensino Básico.

O Kit Blogic irá ser apresentado como um recurso didáctico que permite aos profissionais da Educação Pré-Escolar e do 1º Ciclo do Ensino Básico utilizar as potencialidades pedagógicas do material estruturado Blocos Lógicos.

Seguindo uma trajectória sequencial, de forma mais ou menos complexa, consoante a faixa etária e o desenvolvimento da criança, o Blogic proporciona momentos lúdicos ao mesmo tempo que desenvolve competências lógico-matemáticas.

PVS

sábado, 4 de março de 2006

Parcas mudanças

Já não há dúvida que a atenção dos media está redobrada nos casos de maus tratos infantis. Ao ritmo semanal, a imprensa apresenta um novo caso grave e mais uma história de possível ineficácia das autoridades com responsabilidades em matéria de protecção da infância. A mediatização tem o “mérito” de redefinir a agenda política, colocando a prioridade na protecção à infância.

Contudo, ao olharmos para este último ano e meio, pouco mudou nas CPCJs. Os técnicos de reforço às ainda não estão em funções, o diploma de regulamentação das medidas de Promoção e Protecção (i.e., acolhimento familiar, educação parental, e apoio para a autonomia de vida) ainda não foi publicado.

Ainda não existe um guião de procedimentos uniformes que estandardize os procedimentos inter-serviços, sempre que existe a sinalização de um caso de maus-tratos grave. A esta lista devemos ainda adicionar o baixo número de programas "Escolhas" e "Ser Criança" aprovados (menos que um por distrito!).

Resta concluir que muito pouco tem sido efectivamente feito. A ausência total de respostas continua a imperar na intervenção.

PVS

sexta-feira, 3 de março de 2006

Mais adultos e menos crianças

Um bom indicador de qualidade do funcionamento das instituições de acolhimento de crianças é o rácio adulto (prestador de cuidados) / criança. Um quadro de pessoal que não prevê 10 educadores para 20 crianças é manifestamente insuficiente. Lógico que estamos conscientes que este número é considerado de luxo, atentos à comparticipação que o Estado dá por criança acolhida em Lar de Infância e Juventude, o que ronda os 400€ mensais.

Temos é que pensar que os lares não são unidades residenciais de estudantes, povoados por crianças desvalidas que só estão acolhidas para terem acesso à escolaridade. Os lares são hoje em dia respostas últimas no sistema de protecção de crianças em perigo e por isso devem ter o reforço financeiro compatível com as novas exigências da população a que dão resposta.

PVS

Depósitos

Ainda não há muito tempo as instituições de acolhimento de crianças eram depósitos organizados em grandes camaratas.

O problema é que por aí fora, pelo país profundo, camaratas como esta continuam a existir...

PVS

quinta-feira, 2 de março de 2006

Suporte emocional

Quem trabalha com crianças em risco, frequentemente crianças com perturbações emocionais e do comportamento, está diariamente exposto a comportamento e atitudes desafiantes que provocam ansiedades, medos, tensões. Sem o devido suporte emocional de uma equipa coesa e de uma consultoria / supervisão externa o caminho é certo...

Uma forte aposta em team building e em consultoria externa evita o burnout das equipas, diminui o turnover das equipas e melhora a prestação de cuidados.

PVS

Viva aos Morangos


Cada vez mais as nossas crianças não se satisfazem nas relações sociais significativas. Pelo contrário, pedem à televisão que as satisfaça.

PVS

quarta-feira, 1 de março de 2006

Bater à porta


Porque é que não se bate à porta nas instituições de acolhimento?

Uma boa forma de respeitar a privacidade de cada um é bater à porta quando se entra no espaço do outro. A individualidade e a privacidade têm obrigatoriamente de ser alvo de respeito nas instituições que acolhem crianças.

PVS