CriançaSemRisco

terça-feira, 30 de junho de 2009

Recomendações da APA em matéria de avaliações psicológicas na protecção infantil

Em contexto actual de formação, tive conhecimento (ingénuamente) pela 1ª vez, sobre o documento da Associação Americana de Psicologia (http://www.apa.org/) intitulado"Orientações para Avaliações Psicológicas em matéria de Protecção Infantil".

Deste documento, para além das 17 pertinentes recomendações dirigidas aos profissionais da área de Psicologia, no que se refere à prática de diagnóstico e avaliação psicológica em contexto jurídico de abuso e maus-tratos infantis, retiro 5 vitais questões inscritas no texto, que eu recomendo a todos os profissionais que na sua área profissional utilizem entrevista ou diagnóstico psico-social, em matéria de protecção de menores:

1. "Até que ponto foi o bem-estar psicológico da criança afectado?"
2. "Quais serão as intervenções terapeuticas mais recomendáveis para auxiliar a criança"
3. "Poderão os pais vir a ser tratados com sucesso evitando-se maus-tratos no futuro? Em caso afirmativo, de que forma? Em caso negativo, quais as razões?"
4. "Qual seria a consequência psicológica na criança se for separada dos pais ou se os direitos dos pais se extinguirem?"

Parece-me ser um simples mas clarividente ponto de partida, para a difícil tarefa que nos surge sempre a seguir nas nossa actuações profissionais.

Nuno Francisco

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Diário da Conferência da ISPSO em Toledo Dia - 3

O Segundo dia do Símpósio da ISPSO, foi sem sombra de dúvidas marcado pela gestão dos nossos índices de ansiedade e com a apresentação do nosso “paper”. Acordámos sedo, ansiosos, cansados, mas ao mesmo tempo entusiasmados por apresentarmos as nossas ideias e obviamente apreensivos com a recepção das mesmas.

Tivemos duas horas a realizar uma revisão do inglês do texto base com a Marlene Spero que era a facilitadora no nosso paper. Trabalho intenso mas bastante produtivo, muito ao estilo inglês desmontar ideias e reconstruir no máximo de educação elogiando sempre o trabalho – uma honra para nós. Às 11.45h apresentamos o nosso trabalho a sala estava bem composta o que agradou-nos bastante atentos à concorrência em salas paralelas (Burkard Sievers, Howard Schwarts, Simon Western, Giles Arnaut e Frunge). A apresentação correu bem, sempre um bocadinho tremida no inglês, principalmente no meu, o Tiago sempre bastante melhor, mas acho que as principais ideias conseguiram passar. O debate de 45 min. aproximadamente, foi bastante participado e com muitos bons feedbacks, que permitem evoluirmos no nosso trabalho e na estruturação das nossas ideias. Acho que estamos a meio caminho para termos um bom paper para possivelmente submetermos para publicação.

À tarde já mais tranquilos dividimo-nos pelo paper do Herbert Hein (um histórico do Cassel Hospital) e pelo paper da Angela Eden. Eu foi ao paper da Angela, simplesmente fantástico, simples claro e preciso, colocando em evidência os conjunto de dilemas éticos que o consultor organizacional todos os dias enfrenta, no dilema constante entre escavar mais as “frechas organizacionais” na procura de sentidos mais profundos ou pelo contrário na atitude conservadora de reparar de imediato as “frechas organizacionais” que vai encontrando. Pessoalmente fica a sensação de uma apresentação de uma verdadeira honestidade, na qual ressalta a autenticidade do trabalho de um consultor organizacional de inspiração psicanalítica.

O Tiago irá adicionar os comentários sobre o paper do Herbert Hahn.

PS: nós temos os abstract de todos os trabalhos e os contactos de todos os participantes, se alguém quiser ter acesso a um trabalho específico nós podemos tentar arranjar o trabalho.

Pedro

sábado, 27 de junho de 2009

Diário da Conferência da ISPSO em Toledo - Dia 2

A conferência tem sido muito estimulante e densa. O dia de ontem foi particularmente rico. Não só a conferência principal da manhã apresentada pela Debbie Bing e por Chatham Sullivan, dois colegas dos EUA consultores da CFAR, foi muito interessante ao discutirem o seu trabalho de consultoria com os membros de uma organização com função educativa debaixo de uma enorme pressão.

À tarde tivemos o privilégio de assistir a um documentário da BBC sobre Brendan Duddy, que durante quase 20 anos foi elo de ligação secreto entre o IRA e o Governo Inglês. No final do documentário, tivemos o prazer de ver o Brendan fazer um pequeno comentário sobre o seu papel nas negociações. Ficámos impressionados e emocionados com esta experiência e com conhecer alguém que teve um papel tão importante no processo de paz.

Não pudemos deixar de pensar na importância que o seu trabalho para o crescer em paz e sem risco das crianças irlandesas. Foi um verdadeiro privilégio...

À tarde assistimos ao trabalho do meu amigo e antigo colega em Essex Matias Sanfuentes, que agora é professor universitário e consultor chileno, com médicos que trabalham num serviço de oncologia pediátrica. O seu trabalho no suporte emocional desta equipa para trabalhar de forma mais eficiente com as crianças foi espantoso. Realmente importante para aqueles profissionais.

Foi um dia fértil de aprendizagem, tanto teórica como experiencial e emocional.

No final do dia estávamos cheios de vontade de conhecer as surpresas que nos aguardavam no dia seguintes, principalmente aquando da apresentação do nosso trabalho "At STAKE-holding".

Tiago


sexta-feira, 26 de junho de 2009

Workshop no Porto

Trabalho com Crianças e Famílias Vitimas de Maus Tratos em Contexto de Acolhimento Terapêutico, é a proposta de um dia trabalho no porto em torno do Acolhimento Terapêutico, no dia 11 de Julho de 2009
Pedro Vaz Santos

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Diário da Conferência da ISPSO em Toledo - Dia 1

Hoje à noite partimos rumo a Toledo para mais uma conferência da International Society for the Psychoanalytic Studies of Organizations (ISPSO) onde vamos realizar uma comunicação no sábado. O programa é muito bom e estamos bastante entusiasmados com a nossa apresentação. A nossa facilitadora vai ser Marlene Spero, grupanalista e consultora organizacional.

O programa pode ser consultado aqui.

Durante estes dias vamos colocar aqui no blog o que temos aprendido e os vários colegas com quem temos trocado opiniões, em forma de diário.

A troca fértil de ideias é sempre uma das mais valias do congresso da ISPSO.

TSM

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Livros Acolhimento Terapêutico de Crianças

Coloquei uma lista de livros na amazon, sobre Acolhimento Terapêutico de Crianças. A lista ainda está em construção, espero adicionar mais títulos e comentários de forma a orientar algumas escolhas. Todos os livros adicionados já li e tenho acesso, por isso podem pedir informações adicionais.

PS: Não ganho nehuma comissão na Amazon, é só uma maneira mais fácil de criar uma lista bibliográfica sem que as pessoas morram à procura dos livros.

Pedro

terça-feira, 23 de junho de 2009

Bairro da Bela Vista em Setúbal II


Recebi recentemente um texto muito interessante publicado no "Le Monde Diplomatic" pelo Padre Constantino Alves, Pároco da Paróquia de Nª Sr.ª da Conceição. Apesar de sair um pouco do tema do blog, achei que valia a pena partilhar convosco uma parte do mesmo texto. Pedi autorização para publicar aqui um excerto do mesmo e agradeço desde já a disponibilidade do Padre Constantino Alves para o mesmo. Espero não o mutilar muito no esforço de o presentar aqui.

TSM

"A MINHA EXPERIÊNCIA BAIRRO DA BELA VISTA

Faz nove anos que na minha função de padre percorro o Bairro da Bela Vista.

Posso dizer que subo e desço constantemente as suas escadarias escuras, entro nas casas das pessoas, falo com grupos de jovens de dia e de noite.

Conheço os recantos mais problemáticos, calco o lixo nas escadas e sinto o odor de dejectos e esgotos a céu aberto.

Desde o início me habituei a ir ao encontro de quem não conhecia, particularmente dos jovens, tomando a iniciativa em cumprimentá-los e apresentar-me. Por vezes, quando passo junto a um grupo pergunto se alguém me conhece e há sempre um jovem que diz: “Conheço”. Peço-lhe que me apresente aos seus colegas enquanto estendo a mão a um e outro e ele diz: “É o padre!”. A partir daí estou aceite. Cumprimento-os de acordo com os seus códigos. Isso me familiariza.

Entrei em casas verdadeiros tugúrios, onde a pobreza extrema era patente. Casas com os colchões no chão, já velhos e rotos, salas sem uma mesa nem cadeiras, janelas sempre fechadas por que estavam podres, doentes acamados há vários anos dormindo em enxergas, sem frigorífico nem fogão (a comida era feita sobre um grelhador de peixe). E apesar disso tudo, nem as assistentes sociais, que já conheciam o caso, faziam mais do que atribuírem o subsídio de reinserção social. Foi preciso mobilizar os nossos recursos para oferecer mesa, cadeiras, frigorífico, televisão, fogão, cobertores e lençóis àquelas duas mulheres desgraçadas, uma com uma paralisia infantil e a mãe com uma forte anemia.

Vi quatro famílias a viverem numa única casa, vinte e duas pessoas ao todo, num ambiente escuro e doentio.

Vi casas negras pela humidade, janelas podres e sem vidros tapadas a papelão há vários anos.

Vi o abandono duma família a quem a casa ardeu com tudo o que lá havia dentro e que esperou sete meses para que a Câmara viesse colocar janelas e portas apesar de promessas sucessivas de que na próxima semana lá iam…

Vi casas onde a água escorria do tecto descendo pelos fios das lâmpadas.

Vi casas sem água há vários meses.

Vi casas com as janelas e portas fechadas com tijolo para ninguém as ocupar e a população sem saber porquê.

Vi postes derrubados com os fios eléctricos pelo chão semanas e semanas.

Vi montureiras e lixo de vários anos nos vãos das escada, e os serviços de limpeza a passarem ao lado,

Ouvi o queixume dos pobres já desesperados de quem tanto espera

Ouvi a raiva incontida de famílias que acusam as autoridades de não lhes prestarem atenção.

Vi grupos de adolescentes dias e dias em pequenos grupos desocupados e presa fácil de outros mais aventureiros.

Vi a droga a ser vendida às claras nos locais sobejamente por todos conhecidos e a preocupação de famílias por não verem acções dissuasoras ou repressivas.

Vi a insegurança estampada no rosto de muitos que à noite não saem das suas casas para participarem em reuniões ou conviverem

Vi as frases agressivas e ofensivas à polícia escritas nas paredes meses e meses a fazerem a sua acção psicológica sem ninguém perceber que isso ia minando as relações com as forças da autoridade.

UMA MASSA ENORME DE CASARIO

São 1259 fogos, cerca de 6500 pessoas, que formam as três unidades urbanas pertencentes à Câmara Municipal e divididas por cores: “Os Azuis”, “Os Rosa” e os “Amarelos”.

Construídos há cerca de trinta anos para serem habitados pelos operários provenientes das várias regiões do país para as diversas empresas de Setúbal: Setenave e várias fábricas do sector automóvel e químico. Todavia logo após o 25 de Abril e dando eco às legítimas aspirações dos “sem habitação” que moravam em barracas e no “quartel de S.Francisco”, retornados de África, além da comunidade cigana, estes bairros foram-lhes destinados. Sem um necessário enquadramento e acompanhamento técnico-social aí foram instaladas estas centenas de famílias.

Por ironia do destino, este bairro da Bela Vista construído nas margens da cidade situa-se hoje quase no centro da cidade, atendendo à construção das unidades educativas do Instituto Politécnico e da anunciada “Nova Setúbal” no Vale da Rosa!

Há questionamentos sobre o tipo de arquitectura:

Segundo os autores deste projecto, muito peculiar, com varandas compridas, pátios interiores, isso favoreceria a convivência entre as famílias.

Outros, pelo contrário, olhando para os resultados, discordam totalmente.

ESTIGMAS DA BELA VISTA

“É da Bela Vista!”, lá são só “pretos e ciganos”, “aquilo é só violência”. São preconceitos destes que criam uma ideia distorcida e redutora da vida nestes bairros.

O bairro que não beneficiou de qualquer pintura desde a sua construção tem uma cor feia e descolorida: pichagens, graffitis de mau gosto, portas sem fechadura, gradeamentos partidos, jardins ao abandono, electricidade lúgubre ou inexistente nos pátios interiores e nas escadarias das habitações.

De fora ninguém passa pelo bairro com interesse a não ser para visitar algum familiar ou amigo. Nada há de atractivo: zonas de lazer e convivência, iniciativas culturais, comércio atraente ou oficinas que dessem resposta a necessidades da vida local. Nem mesmo o lindo Parque Verde da Bela Vista consegue disfarçar esta grande ausência de pólos atractivos.

Taxistas recusam-se a ir ao centro do Bairro durante a noite. Jovens escondem a sua morada, dando a de familiares noutras zonas da cidade, quando respondem a ofertas de emprego.

Nos “Azuis, por exemplo, não há um único parque recreativo para as crianças, apenas um café frequentado quase só por uma etnia.

Entre os moradores, por vezes com dificuldade de entrelaçamento intercultural, tenta-se não criar problemas e conflitos, numa coexistência forçada.

O forte índice de analfabetismo e o abandono precoce da escola, deixam a faixa etária entre os 13 e 16 anos desprotegidos, abandonados a si e à rua, vulneráveis a aliciamentos para a marginalidade.

Uma sociedade de consumo que acena com ilusões e padrões sociais propostos a que muitos destes adolescentes e jovens não podem aceder, cria a tentação do risco e do arranjar dinheiro como puderem e alguns enveredam pelo consumo ou tráfico de droga e roubos.

Sem vislumbrarem perspectivas de vida, surge-lhes um futuro e horizontes sombrios que não os estimulam a ser protagonistas do seu futuro. Os baixos salários e o trabalho precário desmotivam-nos.

Confrontados com a incúria ou desleixo, muitas vezes pelas várias instituições públicas, que sentimentos podem fazer germinar dentro dos adolescentes e jovens?

SINAIS PORTADORAS DE ESPERANÇA

O elevado número de crianças, adolescentes e jovens que frequentam a escola são um sinal de esperança para os tempos futuros. Quase como flores lindas no meio do pântano, muitos jovens delineiam projectos de vida e esforçam-se acumulando estudo e trabalho.

Muitos são os vizinhos que se entreajudam com alimentos e prestação de serviços de vizinhança.

Muitas são as horas passadas junto de doentes ou de famílias a viverem situações de luto. É de notar, por exemplo, na comunidade de origem africana que todos as noites na primeira semana de luto, vizinhos estão junto da família, ora conversando, ora rezando com ela.

Há um sentimento nos jovens muito marcado pela amizade e solidariedade. Embora discordando de comportamentos que condenam, roubos, violência, droga, eles são “seus amigos”. Isso viu-se nos últimos acontecimentos da Bela Vista.

É uma população que responde facilmente a desafios para acções de luta em prol do bairro, portadora de dinamismos transformadores.

Após o atropelamento mortal dum homem quando atravessava uma das avenidas beneficiada há vários meses com um tapete de alcatrão, mas onde não foi colocado qualquer sinal de trânsito e passadeiras, a população organizou-se a apresentou um baixo-assinado de protesto e reclamação de medidas urgentes. Feita a promessa para sua efectivação num curto prazo de poucas semanas foi preciso esperar meio ano.

Como solidariedade para com uma família com ordem de despejo, formada por uma mãe desempregada e duas filhas deficientes, os vizinhos organizaram-se e fizeram outro baixo-assinado dirigido à Câmara.

O DESAFIO ÀS INSTITUIÇÕES

Várias são as instituições com acção ou influência no bairro, destacando-se a Escola, a Cáritas, a Câmara, a ACM, a PSP, a Paróquia, a Associação Cabo-Verdiana, o Club Desportivo “Os Amarelos”, entre outras. Cada uma desenvolvendo a sua actividade própria, encontram dificuldades para acertarem estratégias comuns e formas concertadas de acção.

Sectores como a juventude, a exclusão social, o meio ambiente, a segurança no bairro, a educação, a cultura, a terceira idade, a diversidade étnica e cultural bem necessitam disso.

QUE FUTURO PARA A BELA VISTA?

A Bela Vista é um problema, mas também um desafio e uma oportunidade de se desenvolver uma acção transformadora

Aos moradores, uns já desencantados outros em vias disso urge apresentar sinais rápidos e visíveis.

Já há estudos e diagnósticos que cheguem. Às vezes até parece que alguns, uns atrás dos outros, servem para técnicos ganharem dinheiro e para políticos apresentarem conclusões.

SOLUÇÕES RADICAIS?

UM PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO?

Demolir o bairro da Bela Vista à semelhança do que foi feito noutros países e transferir a população para novos bairros construídos com dinheiro da venda dos terrenos? Requalificá-lo com intervenções também no interior das habitações? Demolir partes do Bairro apenas?

Problemas muito difíceis, atendendo às dimensões do bairro e ao facto de várias das habitações pertencerem já aos respectivos moradores.

Não há soluções fáceis. A responsabilidade é de todos, embora em graus diferentes, instituições públicas e cidadãos, pois estão em patamares e responsabilidades diferentes. Mas nenhum por si mesmo, sem um projecto aglutinador poderá ensaiar respostas que erradiquem as causas profundas da exclusão social e da violência.

E assim, há que saber quais e como articular medidas e acções de curto, médio e longo prazo.

Sem o envolvimento da população nada de estável e promissor será feito. E isso implica um plano de proximidade dos poderes responsáveis, um ouvir os problemas e soluções propostas pelos moradores. Com eles iniciar-se ou ampliar-se uma coresponsabilidade organizada, comissões de moradores, de condóminos e dum conselho geral do bairro.

Mas também torna claro: poderes públicos, autarquia (proprietária do bairro) e Governo têm de fazer mais e melhor. Suspenso o Proqual (Plano de requalificação das zonas sub-urbanas) o bairro foi votado ao esquecimento pelo Governo.

A autarquia incapaz de proceder a uma requalificação de fundo reclama do Governo a sua imediata intervenção.

Só o esforço conjugado dos vários poderes públicos, instituições que trabalham no bairro e população poderá aurir uma esperança duradoura.

Começar já!"

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Um novo membro do blog

A partir de hoje o blog conta com a participação de mais um elemento Nuno Pinho Francisco.

O Nuno é psicólogo clínico de formação e há vários anos que faz parte da equipa técnica de um lar de acolhimento prolongado, tendo já bastante experiência na área. Acresce que os seus comentários já há muito que vinham enriquecendo este blog, pelo que ficamos muito contentes em contar com a sua participação.

Nuno, muito obrigado por te juntares e contribuíres neste blog!

TSM

Ariscar em campos de férias

Esta é a minha primeira colaboração como blogista neste espaço, pelo que agradeço desde já o convite do Tiago Mendes e do Pedro Santos. E por que o verão começou ontem e sobre crianças em risco se inscreve neste blog, gostaria de partilhar como se pode a-risc-ar por parte dos profissionais da área de acolhimento residencial, no que concerne a providenciar experiências de campos de férias externos e residenciais (mas fora da residência-instituição) a jovens em acolhimento residencial. Da minha prática, tenho utilizado há 7 anos a rede nacional de campos de férias do Instituto Português da Juventude http://fm.juventude.gov.pt/ (logo, uma rede comunitária), como se eu fosse um qualquer Encarregado de Educação que simplesmente inscreve o seu educando nas comumente chamadas "colónias de férias". Os resultados envolvem riscos: os jovens são inscritos em grupos de dois ou três em campos de regiões diferentes (Braga; Leiria; Algarve; etc.) e eles próprios se deslocam sózinhos em transportes para as mesmas, tendo em conta que nem sempre é fácil uma adaptação a essa elevada necessidade de autonomia psicológica e social. Os benefícios são enormes: o êxito ronda os 90% e promovem-se competências sociais e psicológicas nunca antes alcançadas pois falamos de uma real adaptação, dita em meio natural de lazer. Uns fazem amigos, outros até namoradas. Alguns, com tendencias mais anti-sociais, são até altamente elogiados pelos monitores e organizadores dos campos. Claro está, que o nosso acompanhamento de retaguarda de preparação e acompanhamento é imprescendível (mesmo até pelo telefone).
Nuno Francisco

Noite de teatro no São Luiz dedicada aos maus-tratos

Hoje às 21h há Noite de Teatro "Prevenção dos Maus Tratos na Infância" no Teatro São Luiz, em Lisboa. O interessante programa começa com a peça "Não chove de baixo para cima", uma peça sobre o quotidiano de uma professora. Seguidamente realiza-se um debate com a presença de Ana Sara Brito (Vereadora da Acção Social), Armando Leandro (presidente da CNPCJR), Margarida Medina Martins (AMCV), Maria Manuela Calheiros (ISCTE), João Lázaro (encenador) e Sandra José (dramaturga e intérprete).

Parece-nos uma iniciativa a não perder e que certamente vai enriquecer quem participar. A entrada é livre!

TSM

Therapeutic Community Open Forum

O movimento das Comunidades Terapêuticas parece estar a recuperar uma vitalidade que faz lembrar a reforma na área da saúde mental dos anos 60. A ideia de Comunidade Terapêutica desenvolvida inicialmente nos momentos que antecederam a guerra com o conceito de terapia pelo meio, e posteriormente no período da Grande Guerra com as experiências de Northfield, parece estar a voltar numa certa contraposição a modelos do tipo “Quick Fix” alicerçados em farmacoterapia. A ideia de Comunidade Terapêutica assenta no princípio que a responsabilidade partilhada e a voz dos utentes (clientes), são dois elementos centrais para qualquer processo terapêutico. Tom Maim lembrou por diversas vezes que o pior elemento iatrogénico do hospital psiquiátrico e a desresponsabilização dos utentes e a consequente alienação da realidade.

A ideia de Comunidade Terapêutica, não é nem nunca foi a ideia de medicalizar a intervenção psico-social ou psicopatologizar. Pelo contrário é no movimento das Comunidades Terapêuticas que encontramos a génese da intervenção psico-social enquanto intervenção geradora de mudança e a (des)psicopatologização dos utentes acompanhada pela devolução de uma voz e uma responsabilidade real sobre a vida do hospital ou da unidade terapêutica.

Um bom exemplo deste movimento de revitalização é o site wiki: Therapeutic Communities Open Forum, com uma rádio associada da qual é possível realizar diversos podcasts de conferências e diários de bordo.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Gestão e Liderança

Gestão e Liderança em Instituições de Crianças é o nome de um primeiro curso que estamos a desenvolver em parceria com o Departamento de Formação Permanente do ISPA. Um curso que pretendemos que seja inovador na maneira como olha os processos de gestão das instituições que acolhem crianças, tendo como objctivo máximo promover a orientação das instituições para as necessidades das crianças. Uma boa oportunidade para os técnicos que querem reflectir sobre a cosntrução de modelos de gestão que se adequem às tarefas terapêuticas e educativas das instituições de acolhimento.

Podem consultar o programa aqui, as inscrições serão geridas pelo o ISPA de Lisboa.

sábado, 13 de junho de 2009

Visita à Mulberry Bush - Dia 3


Chegámos um pouco antes das 9h à Mulberry Bush. Dave Roberts estava à nossa espera para mais um dia intenso em aprendizagens. No decorrer deste dia vários elementos do grupo estiveram presentes em diferentes momentos da vida da Mulberry Bush. É de destacar que o grupo dividiu-se em vários pequenos grupos, todos com tarefas e aprendizagens distintas. Houve a possibilidade de observação de duas Tuesday Clinic e de duas Internal Case Conferences. Acresce que alguns elementos ainda estiveram com John Turberville, director da escola, a discutir como a gestão da escola pode ter um efeito terapêutico para as crianças - therapeutic management.

A Tuesday Clinic é um momento regular para discutir um assunto específico em que se juntam, a pedido, os vários elementos da "Treatment Team". Ou seja, o prestador de cuidados de referência, um elemento da escola (que é residencial), o psicoterapeuta e o elemento da equipa de trabalho com as famílias que acompanha a família da criança. Os elementos que estiveram presentes consideraram marcante a forma como foram abordados os temas.

A Internal Case Conference é a reunião de avaliação do progresso das crianças que ocorre a cada seis meses. Quatro visitantes tiveram a oportunidade de observar, em grupos de dois, estas reuniões. Aprendemos muito uns com as epxriências dos outros, visto que existiram vários momentos a ocorrer em simultâneo.

Mais uma vez, foi um dia intenso em aprendizagens!!!

Em breve, teremos mais novidades!

TSM

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Visita à Mulberry Bush - Dia 2

Chegámos pontualmente à Mulberry Bush às 8h50. O Dave Roberts recebeu-nos e introduziu-nos o programa de trabalhos do dia.

9h00: Opening meeting for pre-occupations and thoughts (facilitated by Dave Roberts and John Diamond)

9h40: Morning meeting

10h00: "Spaces for Growth - 60 years of Child Psychotherapy at the Mulberry Bush School" presented by Caryn Onions and Jennifer Browning

11h00: Coffe Break

11h15: “How can we care for the children” – Presentation by Care Team followed by tour

12h30: Lunch (on site)

13h30: Seminar 1 - “Mulberry Bush as a Therapeutic Community – Culture and Context 1948-2008” followed by Dave Roberts

14h45: Tea Break

15h00: "The work of the schools, family and professional network team" presented by John Agudelo

15h45: Therapeutic Education - discussion with Andy Lole

16h45: Closing day meeting for reflections

17h45: Regresso ao Hotel

É de salientar a observação do Morning Meeting, a reunião diária com um representante de cada sector da casa e gerida pelo John Turberville. Através da Agenda do Outlook, durante a reunião, as equipas da Mulberry Bush discutiram a agenda semanal e diária. Ficámos muito contentes quando vimos "Estudantes Portugueses" na agenda. A seguir cada sector (educação, prestação de cuidados, manutenção, cozinha, etc.) passou a informação relevante referente aos seus sectores.

A visita às casas e salas de aulas também foi marcante por nos permitir ver in loco como aplicam as ideias sobre acolhimento terapêutico.

Foi um dia intenso em aprendizagens!!!

Amanhã há mais!

TSM

domingo, 7 de junho de 2009

Diário da Visita MB - dia 1

Começou hoje o primeiro dia da visita à comunidade terapêutica para crianças Mulberry Bush. Acabámos de chegar a Oxford ao Hotel Linton Lodge e o grupo de visitantes veio bastante motivado durante a viagem. Temos estado a reler os textos de John Diamond colocados no site da visita e a trocar impressões acerca dos mesmos. 

O tempo em Oxford está frio e com a ameaça constante de chuva, mas a moral continua alta!!!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Golf por uma Causa

O Centro de Acolhimento Temporário a Catraia, talvez tendo em atenção o excelente tempo algarvio e as boas condições para a prática de Golf, lança o desafio de um 13 de Junho (Sábado) bem passado e solidário no Campo Pestana Alto Golf em Portimão. Podem consultar o programa aqui. Inscrevam-se.

Infelizmente eu não vou poder comparecer por ainda estar em Londres.

Um Abraço aos amigos da Catraia, Nuno Encarnação e Rita Cristo.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Visita Mulberry Bush

Caros Amigos estamos, a uma semana de um dos projectos mais acarinhados por nós ao longo deste ano: a viajem à Mulberry Bush School. Como sabem a Mulberry Bush School é uma instituição de referência no trabalho com crianças vítimas de diferentes formas de maus tratos e privações, apresentando graves perturbações emocionais e do comportamento. A escola foi fundada no pós guerra por Barbara Dockar Drysdale e é até aos dias de hoje uma verdadeira escola de boas práticas nesta área. O Grupo de visitantes é constituído por 8 participantes e mais dois facilitadores nos quais me incluo, e terá como objectivo aprender em contexto real e de imersão as melhores práticas de trabalho terapêutico em contexto residencial. Estou certo que as observações e as aprendizagens serão muito rica e obviamente a curo prazo vertidas em posts no blog ou na realização de um pequeno documento síntese.