CriançaSemRisco

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Encontro "De Sim e de Não se faz a Educação"

A Fundação Bissaya Barreto está a organizar nos dias 23 e 24 de Outubro um interessante encontro sobre educação. Destaco a importância dada às crianças com dificuldades emocionais e do comportamento que muitas vezes se comportam de forma desajustada e cujos pais ficam sem saber o que fazer.

Certamente que este encontro vai contribuir para aprofundar a reflexão sobre a temática. A Fundação Bissaya Barreto está de parabéns.

O programa pode ver-se em http://www.fbb.pt/simenao.

TSM

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Trabalho de História de Vida

Já está disponível o site sobre Trabalho de História de Vida. Quem ficar muito, muito interessado em trabalhar em contexto de acolhimento de crianças, quiser saber mais e tiver disponibilidade para integrar um grupo de estudo nesta área, envie um mail para vaz.santos@gmail.com, juntamente com um CV.

Existem três vagas para um grupo de estudo sobre a matéria que irá trabalhar quinzenalmente aos sábados das 11h às 13h em Lisboa a partir de Setembro. O grupo será dinamizado por mim (em regime de voluntariado), e terá a oportunidade de ao longo do ano de beneficiar da formação promovida pela Labirintos Coloridos com o Richard Rose, autor do livro Child's Own Story.

PVS

Corrida de lebre e da tartaruga

Na vida real nem sempre a tartaruga ganha! Infelizmente tenho que me confrontar com o facto de a lebre possivelmente motivada pela sua forte claque tenha pelo menos nesta primeira corrida ganho à tartaruga. É assim!! Em Portugal, o período de vinculação observada entre criança e casal adoptante ainda é uma corrida maníaca na qual não há espaço para reflexão.

PVS

terça-feira, 28 de julho de 2009

Da identificação projectiva: conceptualizações reassegurantes

O mecanismo de defesa denominado Identificação Projectiva é um dos conceitos mais controversos e complexos no âmbito da Psicanálise, referindo-se a um fenómeno de defesa psíquica (inconsciente) com um carácter mais interaccional ou interpessoal. A Identificação Projectiva não se trata da junção do mecanismo de Identificação com o de Projecção. A identificação reporta-se ao processo de construcção e transformação da personalidade por intermédio da assimilação e acomodação de características e experiências observadas nos outros (pais; figuras de referência; etc.). A Projecção refere-se à exteriorização e atribuição aos outros, de características nossas mas que inconscientemente nos são inaceitáveis (por exemplo, o adolescente que se torna homofóbico por não tolerar insconscientemente os seus impulsos homosexuais, que possam surgir no seu desenvolvimento psico-sexual em devir). Quanto à identificação Projectiva, ressalvando as extensas variantes das conceptualizações teóricas na literatura, trata-se de uma acção psíquica de um sujeito (o "projector"), o qual projecta sobre outro sujeito (o "receptor") características suas (dimensões da sua personalidade) sentidas como dolorosas e intolerantes, mas aqui surge um fenómeno revelador da específicidade deste mecanismo: o "receptor" reage emocionalmente à acção projectiva e "depositária" concretizada pelo "projector".

Na prática profissional com crianças e jovens em risco, tais movimentos são frequentíssimos entre os jovens e os profissionais, devendo existir sempre um processo de interacção a um nível inconsciente entre ambos, para se poder falar em identificação projectiva. Daí muitas vezes os profissionais reagirem aos jovens com raiva; medo; nojo; complacência exagerada; etc., sendo estas formas reveladoras de o receptor assumir características humanas que vão ao encontro daquelas que para ele lhe foram projectadas.

Como se pode actuar profissionalmente com isenção: análise constante das emoções; afectos e decisões que nos surgem face a cada jovem em particular, tentando descortinar o que nós sentimos do que o que os jovens nos fazem sentir e reagir. Daí a ideal necessidade de todos os profissionais destas áreas deverem ter os seus próprios processos psicoterapêuticos pessoais (conhecendo-me melhor, conheço melhor os outros) e, mais concretizável e acessível, o acesso à consultoria e supervisão, permitindo ter acesso a todos estes fenómenos de interacção insconscientes, bloqueadores dos processos de comunicação e interacção saudável.

A acrescer, existem ainda todos os fenómenos de comunicação insconsciente (onde surge também a identificação projectiva) que se processam dentro da dinâmica dos grupos (dos jovens e dos profissionais), potenciadores de movimentos psíquicos mais ou menos facilitadores ou limitadores da "higiene mental" da organização.

Existem coceptualizações que podem ser reassegurantes na nossa prática profissional...

NPF

sábado, 25 de julho de 2009

A lebre e a tartaruga

Todos conhecemos a fábula da lebre da tartaruga, através da qual muitos de nós aprendemos que devagar se vai ao longe. A lebre na fábula desempenha o papel do triunfo hipomaníaco de quem ri primeiro com a alegria de ter acabado o que ainda não começou.

A fábula talvez nos ajuda a perceber que o correr entusiástico de uma criança de sete anos para o colo de um casal adoptante no momento que os conhece é semelhante ao riso da lebre que comemora vitória andes da corrida.

Na verdade, construir um novo vínculo parental em idade já escolar é um movimento de treino e esforço, um vai e vem de persistência que faz muito lembrar mais a tartaruga do que a lebre. O vínculo necessariamente tem de ser construído, longe dos mecanismos defensivos do tipo maníacos caracterizados por controlo, triunfo e desprezo face aos objectos significativos (ex: já não quero saber da minha mãe biológica, já não me lembro, só gosto dos novos pais). A nova relação deve ser alicerçada numa ambivalência saudável, típica da posição depressiva, na qual os dois mundos da parentalidade (bons e o maus pais) podem ser casados na relação com os novos pais.

Quem adopta deve ter sempre o direito hesitar, ficar indeciso, pensar na sua vida e no seu passado. É bom ter dúvidas medos e receios. É ainda melhor quando adoptamos pensarmos nos nossos pais e na nossa visão sobre a parentalidade.

Não se esqueçam a criança aos seis, sete anos, adopta os pais tanto como os pais a adoptam.

PVS

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Group Relations

Being Meaning Engaging é o nome da próxima conferência de Group Relations promovida pelo Grubb Institute, uma excelente oportunidade para explorar na prática dinâmicas relacionais associadas aos processos de gestão e liderança de grupos. Normalmente muitos dos participantes das iniciativas do Grubb Institute são de organizações sem fins lucrativos.

PVS

terça-feira, 21 de julho de 2009

Branco mais branco não há

“Branco Mais Branco Não Há” era um excelente slogan, se bem me lembro, de uma marca de detergente de roupa (acho que continha lixívia?!), que fazia jus às propriedades vorazes do detergente e emulsionar qualquer gordura e nódoa.

“Branco Mais Branco Não Há” é também o slogan de muitas instituições de acolhimento de crianças em Portugal que defendem de forma quase fundamentalista as amplas paredes de cor branca em conjugação com o chão muito bem higienizado a evaporar lixívia. Já tive a oportunidade de visitar diversas instituições em Portugal e no estrangeiro e acreditem: as nossas instituições ganham aos pontos em brancura. Rico país este dos detergentes!!!

O branco, de todas as cores, é talvez a menos afectiva, a mais fria, a que remete para o inferno gélido de Dante e para o vazio relacional. Pastourer (1993), na sua obra Dicionário das Cores do Nosso Tempo: Simbólica e Sociedade, refere que o Branco enquanto ausência de cor remete para:

a) Os fantasmas, as aparições. A morte.
b) O medo, a inquietação.
c) O grau zero da cor. A oposição preto e branco / cores.

Óbvio que o branco também remete para castidade, pureza, virgindade, santidade e muitas outras formas simbólicas associadas à ausência.

Ao seguirmos esta simbólica das cores somos obrigados a reflectir que as paredes das instituições de acolhimento de crianças em Portugal parecem cumprir o enorme esforço de espelhar objectivamente os vazios e as ausências que as crianças carregam nas suas histórias pessoais.

Diria mesmo que as paredes nas nossas instituições tendem a desempenhar um exorcismo competitivo com as crianças acolhidas do tipo quem será o mais branco, eu (parede) ou tu (criança). É pena verificar que muitos dos adultos neste concurso esforçam-se arduamente para garantir que a vitória está do lado das paredes.

Ah!! Acho que vou comprar uma lata de tinta vermelha, afinal sempre gostei das pranchas II e III do Rocharch.

PVS

Uma memória de Isabel Menzies

Aproveito para acrescentar que existe on-line uma memória sobre Isabel Menzies Lyth por Alastair Bain, que com ela trabalhou no Instituto Tavistock. Ver aqui.

Aproveito para recordar que esta autora foi durante vários anos a consultora externa da Comunidade Terapêutica para crianças e jovens Cotswold.

TSM

Sistemas sociais defensivos

Lembrei-me que o texto pioneiro da Menzies Lyth "Social System as a Defense Against Anxiety" está online com acesso livre. Por isso todos os interessados podem fazer o download do texto em pdf. Vale bem a pena realizar-se uma leitura atenta.

PVS

Filosofia e sistemas sociais defensivos

A propósito do meu anterior post sobre a Antropologia Urbana, como uma das áreas de estudo favoráveis à compreensão "macro-sistemica" de vários fenómenos sociais e humanos, venho hoje também falar em como a Filosofia "à Portuguesa" curiosamente tão bem aborda os fenómenos bem descritos pelo Pedro e pelo Tiago, relacionados com os "sistemas sociais defensivos" utilizados pelas pessoas em contexto laboral (e não só), de forma a "evitarem a experiência consciente de ansiedade" no confronto omnipresente com a "tarefa primária" (a missão; o objectivo primordial; etc.) da organização, provocando entropia e resistencia à mudança. Ora então vejam neste excerto de texto, como é que o nosso Filósofo português José Gil, tão bem descreve no seu belíssimo livro PORTUGAL, HOJE - O Medo de Existir, a prática social defensiva da BUROCRATIZAÇÃO estatal em Portugal:

(...) Num tal sistema, em que a não-acção é a regra, não se imagina um Estado e uma administração sem burocracia. Porque esta constitui o melhor meio de adiamento e paralisação da acção (...), ao adiar indefinidamente o agir, a burocracia toma a aparência da acção, criando a ilusão da sua efectuação. (...) Seria necessário analisar os diferentes tipos de burocracia, nos diversos sectores da vida do Estado, para se ter uma ideia exacta da sua função na nossa sociedade. No entanto, é desde logo claro que quando existe recusa de enfrentamento e condutas generalizadas de evitamentos de conflitos, a burocracia surge como a via que permite ao mesmo tempo exprimir indirectamente a violência conflitual, e impedi-la de se exercer literalmente ou fisicamente. (...) Neste sentido, a burocracia representa uma espécie de sintoma social da recusa do conflito e da acção.

Digam lá se não assenta que nem uma luva quer na teoria invocada em cima, quer em algumas organizações que nós vamos conhecendo?

NPF

domingo, 19 de julho de 2009

Acolhimento Terapêutico

Desculpem a ausência de posts esta semana, mas decidi aproveitar o tempo para agregar alguma informação sobre Acolhimento Terapêutico de Crianças num novo website. Espero que gostem.

A ideia é disponibilizar online o máximo de recursos sobre Acolhimento Terapêutico de Crianças, e no presente já podem encontrar uma lista bibliográfica, alguns links de interessantes e conferências em mp3.

Esperamos desenvolver mais o site contando para isso com os vossos comentários e sugestões. Podem também enviar material que achem importante ficar disponível para todos.

PVS

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Workshop no Porto

No último sábado tive a oportunidade de passar o dia no Porto a dinamizar um workshop sobre Acolhimento Terapêutico de Crianças. Antes demais é preciso sublinhar que ir ao Porto é sempre uma experiências fantástica, pela hospitalidade e pelas Francesinhas.

Referi num post anterior que estava apreensivo face à aceitação do termo / conceito de Acolhimento Terapêutico por parte dos colegas do norte. Disparate o meu!!!

O grupo de trabalho cedo revelou ter uma leitura muito precisa e compreensiva das crianças que actualmente encontram-se em acolhimento residencial, tendo bem presente as suas necessidades emocionais específicas, neste sentido era já muito evidente para grupo a necessidade das Instituições de Acolhimento serem pensadas enquanto espaços terapêuticos.

O Workshop na minha opinião foi uma excelente oportunidade de aprendizagem (pelo menos para mim) e estou cada vez mais certo que as nossas instituições estão cheias de profissionais com muita competência e disponibilidade para as qualificar.

Pedro Vaz Santos

Mais Profissionais

Caros colegas está aberto concurso de preenchimento de vagas no Instituto de Segurança Social nas áreas da psicologias, serviço social e educação social.

Vejam o Diário da República.

Pedro Vaz Santos (por indicação do Nuno Francisco)

Congresso de Antropologia

A propósito do "post" sobre Antropologia Urbana, fica aqui para todos os interessados, o link do IV Congresso da Associação Portuguesa de Antropologia, com o título "Classificar o mundo". Pelo que vi, existem painéis com temas para todos os gostos e todas as áreas profissionais.

Nuno Francisco

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Acolhimento Terapêutico

Estou a ultimar o workshop de amanhã sobre acolhimento terapêutico e confesso que estou bastante apreensivo sobre a reacção dos colegas da área do acolhimento ao termo “terapêutico”. Ultimamente verifiquei que alguns colegas têm uma espécie de alergia ao termo, talvez por remeter para a ideia de pathos e com essa ideia venham receios sobre patogenização da infância ou rotulação e descriminação das crianças acolhidas!!? Não sei.

Em termos pessoais a ideia de Terapêutico remete-me muito mais para um “ethos” cultural, uma cultura de crescimento, promoção de direitos e principalmente promotora do desenvolvimento da identidade, do que para a ideia de intervenção médica na doença.

Contudo não devemos perder de vista que as crianças vítimas de maus tratos e que viveram experiências traumáticas, têm necessidades específicas que por vezes as distinguem das restantes crianças.

Pedro Vaz Santos

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Antropologia Urbana

Como técnicos na área profissional da protecção de menores em risco (seja ela o acolhimento residencial; protecção social; saúde mental; intervenção precoce; etc.), tendemos muitas vezes a "instrumentalizar" as nossas prácticas munindo-nos apenas de um só quadro teórico/técnico, que nos ofereça segurança e coerência de óptica de avaliação e intervenção sobre a população com que trabalhamos. Desta forma, corremos o risco (também nós ficamos em risco) de olhar a realidade dos fenómenos parcelarmente, recalcando ou barrando a informação pertinente que não se encaixa com o modelo por nós utilizado. Posto isto, venho partilhar a minha experiência de incursão pela abordagem da Antropologia Urbana, sendo esta uma área disciplinar mista, de confluência e diálogo entre a Antropologia e a Sociologia, muito fértil no conhecimento das complexas realidades urbanas. Deste estudo antropológico dos fenómenos urbanos, surgem-nos temas tão diversos onde se incluem por exemplo a delinquência e toxicopendência, entre outros tão pertinentes para quem trabalha com contextos de risco em meio urbano.

O Brazil já "joga" cartas nesta área, sendo um dos autores clássicos de maior renome Gilberto Velho. Leiam por exemplo este artigo num site brazileiro de referência:

"Os direitos da criança na encruzilhada: os princípios da igualdade versus os principios da diferença"

Em Portugal, esta área já vai com bons trabalhos e aprecio muito os escritos de um Professor Universitário (Psicólogo, por sinal e excelente orador por natureza) que se chama Luís Fernandes e que em 2003 já tinha publicado um interessantíssimo artigo chamado "A Imagem Predatória da Cidade" (in Etnografias Urbanas- Cordeiro, G.I.; Baptista, L.V.; Firmino da Costa, A.)

Nuno Francisco

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Acolhimento Terapêutico

Estamos certos que muitos de vós conhecem de nome Bruno Bettelheim, um psicanalista austríaco, autor do livro Psicanálise dos Contos de Fadas. Talvez desconheçam o facto de Bruno Bettelheim, após ter migrado para os Estados Unidos durante a Segunda Grande Guerra, assumiu funções como director clínico da famosa Unidade Terapêutica para Jovens – The Sonia Shankman Orthogenic School da Universidade de Chicago. Sobre a experiência de director da Sonia Shankman School, Bettelheim escreveu o livro Love is Not Enough (à venda na amazon por menos de 1 USD), que descreve bem o modelo terapêutico e a rotina diária de uma unidade terapêutica de crianças e jovens.

Para quem anda pelas feiras de livros antigos pode ser que encontre este mesmo livro em Português, foi editado nos anos 70 pela Moraes Editores com o título “Só Amor Não Basta” (Este talvez seja o único livro traduzido sobre acolhimento terapêutico), boa pesquisa.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Trabalho de História de Vida

A Labirintos Coloridos Consultores irá organizar o primeiro curso de formação (2 dias) sobre Trabalho de História de Vida. O Curso irá decorrer nos dias 13 e 14 de Novembro no IPJ - Moscavide Lisboa e irá ser dinamizado por Richard Rose, autor do Livro Child Own Story e director do Mary Walsh Institute.

Lançamos o desafio a todos os interessados nesta técnica terapêutica de trabalho com crianças em perigo a lerem o livro no verão e a prepararem a formação em Novembro, podem marcar os dias já nas vossas agendas.


Em breve iremos lançar a brochura de divulgação e as datas de inscrição, contudo podem desde já enviar um mail a manifestar o vosso interesse, para enviarmos mais notícias e informações em breve.
Pedro Vaz Santos

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Saldos Livros

A Karnak Books, a livraria de perder a cabeça in Finchley Road, perto da Tavistock está em verdadeiros saldos de verão, saldos que são extensiveis às compras online. Dez livros por 30 Libras mais portes de envio, mais ou menos 55 euros com os portes.

Karnak Books.

Pedro Vaz Santos

Casa Pia - Parabéns

Hoje O Centro Educação e Desenvolvimento de Santa Catarina da Casa Pia de Lisboa está de parabéns vai inaugurar o seu primeio Centro de Acolhimento Temporário de Crianças em Perigo. O centro irá acolher jovens em acolhimento temporário os quais foram alvo de interveção urgente das Comissões de Protecção ou dos Tribunais. Cremos que vai ser um centro de excelência onde a qualidade ao nível da avaliação diagnóstica das crianças e das suas famílias vai andar de mão danda com a qualidade do acolhimento e da intervenção residencial com os jovens.

Já tivemos oportunidade de conhecer e trabalhar com a equipa que hoje inicia funções, oportunidade que nos honrou muito e nos permitiu constatar a maturidade e disponibilidade da equipa para este novo projecto, estão mesmo de parabéns.

BOA SORTE E FELICIDADES !!!

Pedro Vaz Santos

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Caso do Martim

Não é hábito neste blog comentarmos processos que ainda estão a correr termos em tribunal, contudo o processo do “Martim” a correr termos no Tribunal de Cascais merece-nos uma excepção. Na verdade permito-me comentar o caso porque não fui em nenhum momento interveniente e na verdade não conheço a fundamentação legal do caso. Pelo simples facto de não conhecer o caso permite-me o seguinte comentário.

O caso do Martim é na minha opinião o primeiro caso mediático ilustrativo do facto dos processos de Promoção e Protecção serem de processos de Jurisdição Voluntária o que confere ao Juiz uma latitude processual quase única. Um caso julgado e transitado, encontra agora uma nova solução que se afigura de melhor direito e actualidade para todos os intervenientes e obviamente levando em conta o supremo interesse da criança enquanto principio orientador de toda a intervenção.

Estamos na verdade no início de uma nova era no Sistema de Protecção Português, na era onde uma decisão correcta ontem pode ser incorrecta amanhã. Uma era onde o tribunal olha e pondera em função da actualidade circunstancial, numa era onde exige-se que comunicação processual com diferentes intervenientes seja célere de forma a aplicar a justiça no tempo.
O tempo faz envelhecer as boas decisões, tornando-as más, veja-se outros casos mediáticos onde o tempo correu sempre contra a criança. Hoje inicia-se a era dos processos que têm de ser rápidos ao nível da avaliação e apreciação técnica. A era do verdadeiro contraditório onde os pais independentemente dos seus comportamentos mau tratantes ou abusivos encontram sempre o direito de defenderem-se e contradizerem os técnicos. Inicia-se a era em que os tribunais estão disponíveis a rever acórdãos.

PS: Espero que em breve inicie-se a era onde colocar um bebé numa instituição de acolhimento num distrito diferente da residência dos pais seja proibido. O encurtado caminho para adopção, através da separação geográfica e pela criação de um artificial cenário de desinteresse dos pais tem de ter os seus dias contados.

Quando ao Martim desconheço a fundamentação da decisão por isso resta-me desejar boa sorte.

Pedro Vaz Santos

Tudo bons rapazes (desde que falem...)

A propósito do dom da palavra na facilitação das mudanças psicológicas e comportamentais dos jovens rapazes (dirigo-me por agora apenas a este género) , cujas vidas lhes deram razões para exprimir revolta, raiva e agressividade, gostaria de partilhar um breve parágrafo de um livro (in Criando Caim- Proteger a Vida Emocional dos Rapazes, de Dan Kindlon e Michael Thompson - 1999) que faz um delicioso eco para quem trabalha com rapazes:

"Sabemos até que ponto a facilidade de expressão melhora o controlo da impulsividade, tal como acontece com a compreensão das emoções, a consciência daquilo que sentimos e das razões que nos fazem sentir assim. Quando esta literacia está ausente, as emoções tendem a exprimir-se através do movimento ou acção. A dificuldade de expressão verbal, característica do desenvolvimento dos rapazes, combinada com a lei cultural de que não devem falar dos sentimentos, canaliza a energia emocional destas crianças para a acção. Quando os rapazes estão excitados e contentes, tornam-se barulhentos e activos: gritam, saltam, correm e empurram-se uns aos outros. Mas quando as emoções são dolorosas, uma corrida não basta. A energia física pode aliviar o stress, mas não elimina as suas causas e, por isso, a actividade física- quer seja fazer uma corrida, quer seja dar murros na parede- não é suficiente. Descarrega a energia que rodeia o sentimento, mas não o sentimento em si mesmo. Liberta vapor, mas não apaga a chama acesa sob a panela de pressão emocional".

A juntar a isto, qualquer perturbação emocional e do comportamento adicional nestes rapazes, reforça a necessidade de os pôr a falar. Tudo bons rapazes, desde que falem...

Nuno Francisco