CriançaSemRisco

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Antropologia Urbana

Como técnicos na área profissional da protecção de menores em risco (seja ela o acolhimento residencial; protecção social; saúde mental; intervenção precoce; etc.), tendemos muitas vezes a "instrumentalizar" as nossas prácticas munindo-nos apenas de um só quadro teórico/técnico, que nos ofereça segurança e coerência de óptica de avaliação e intervenção sobre a população com que trabalhamos. Desta forma, corremos o risco (também nós ficamos em risco) de olhar a realidade dos fenómenos parcelarmente, recalcando ou barrando a informação pertinente que não se encaixa com o modelo por nós utilizado. Posto isto, venho partilhar a minha experiência de incursão pela abordagem da Antropologia Urbana, sendo esta uma área disciplinar mista, de confluência e diálogo entre a Antropologia e a Sociologia, muito fértil no conhecimento das complexas realidades urbanas. Deste estudo antropológico dos fenómenos urbanos, surgem-nos temas tão diversos onde se incluem por exemplo a delinquência e toxicopendência, entre outros tão pertinentes para quem trabalha com contextos de risco em meio urbano.

O Brazil já "joga" cartas nesta área, sendo um dos autores clássicos de maior renome Gilberto Velho. Leiam por exemplo este artigo num site brazileiro de referência:

"Os direitos da criança na encruzilhada: os princípios da igualdade versus os principios da diferença"

Em Portugal, esta área já vai com bons trabalhos e aprecio muito os escritos de um Professor Universitário (Psicólogo, por sinal e excelente orador por natureza) que se chama Luís Fernandes e que em 2003 já tinha publicado um interessantíssimo artigo chamado "A Imagem Predatória da Cidade" (in Etnografias Urbanas- Cordeiro, G.I.; Baptista, L.V.; Firmino da Costa, A.)

Nuno Francisco