CriançaSemRisco

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Há pessoas que nos marcam...

Penso que todos nós temos pessoas que nos marcaram de alguma maneira, sejam estas familiares, amigos ou professores. Neste último caso confesso que tive a sorte de ter encontrado alguns professores que me marcaram distintamente e que me ajudaram a ser quem sou, não só enquanto pessoa, mas também na minha vida profissional.

Tive há pouco a notícia que uma dessas pessoas morreu recentemente, António Candeias, Professor de Ciências da Educação no ISPA (onde o conheci) e depois na Nova. Recordo-o como professor da cadeira de ciências da educação no 2º ano do ISPA, onde tantas vezes tentava que pensássemos e nos provocava de forma enérgica, mas que depois referia que tentava fazer com os alunos, o mesmo que lhe tinha sido feito pelos professores que o marcaram mais e com quem sentiu que tinha aprendido.

Mas recordo-o principalmente como alguém que teve a paciência de ouvir em várias tardes de Verão dos anos 90, os projectos e ideias de um seu jovem aluno, tendo ainda a paciência de ler os trabalhos deste sobre história, literacia e ascensão social na idade média. Teve a paciência de escutar e ajudar a pensar o que fazer com essas ideias, com sentido crítico e de realidade, não deixando de alertar para o risco de diletantismo e dispersão inerente a vários e tão díspares interesses.

Lembrei-me várias vezes nestes anos dessas conversas ( cheguei a comprar a sua tese de doutoramento), apesar de ter perdido o contacto desde essa altura. Se calhar as conversas de que me lembro não são as que tive exactamente. Mas a sensação de ter conversado, de ter sido ouvido e a sua forma de pensar marcou-me. Se calhar um pouco da forma como tento ser em formações tem a ver com as aulas do António Candeias. No final de contas, tento fazer em formação o mesmo que os professores com quem aprendi mais, e que me marcaram, fizeram comigo. António Candeias foi indiscutivelmente uma dessas pessoas.

Pode-se ver aqui o seu precurso académico.

Tiago