CriançaSemRisco

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Visita de Estudo à Mulberry Bush - Comunidade Terapêutica para Crianças Traumatizadas

Estamos a organizar uma visita de estudo à Mulberry Bush, a famosa comunidade terapêutica para crianças traumatizadas de 9 a 12 de Junho.

O objectivo desta visita é possibilitar aos profissionais um contacto em primeira mão com uma instituição mundialmente reconhecida pelo seu modelo terapêutico e pelas suas boas práticas em acolhimento residencial para crianças traumatizadas entre os 5 e os 13 anos. A visita foi planeada de forma a proporcionar aos visitantes dois dias intensos de observação do modelo da Mulberry Bush. Concretamente, os participantes vão estar presentes em reuniões de equipa, discussões de casos, reuniões clínicas, e ainda assistir à apresentações por parte dos prestadores de cuidados, dos professores, da equipa de ligação com famílias, da equipa de psicoterapia e da direcção, tudo no espaço da Mulberry Bush. Têm também uma visita guiada pelos diversos espaços.

O número máximo de visitantes será oito, os quais serão acompanhados por dois formadores que vão facilitar o processo de aprendizagem e apoiar os visitantes ao nível da tradução. No final de cada dia da visita, os facilitadores promovem uma reunião, em português, durante a qual os visitantes poderão reflectir sobre possíveis formas de adaptar à realidade portuguesa o que aprenderam.

Antes da visita será promovido um seminário destinado à preparação da visita e à visualização e discussão do documentário sobre a Mulberry Bush,"Hold me Tight, Let me go", o qual foi premiado pela BBC 4 (ver abaixo o trailer). Duas semanas após a visita será realizado um segundo seminário durante o qual os participantes serão convidados a reflectir sobre o impacto da visita no seu trabalho. As inscrições estão abertas entre dia 27 de Fevereiro e 28 de Março de 2013, sendo que será dada prioridade por ordem de chegada. Informação adicional sobre a visita poderá encontrar-se no site: www.labirintoscoloridos.com/mulberrybush.



Para mais informações contactar tiagosmendes@labirintoscoloridos.com ou 912714998.

TSM

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Unboxing - Um Projecto Anti-Bullying

Associação Crianças da Vila está neste momento a criar um projecto de Empreendorismo Social para combater o Bullying nas escolas de terceiro ciclo e secundário. Este projecto chama-se Unboxing, e neste momento precisa da vossa ajuda para avançar.

Para isso peço-vos que divulguem este pequeno inquérito por todos os pais/encarregados de educação que conhecem e que tenham os seus filhos/educandos a frequentar o terceiro ciclo ou o secundário.

Muito Obrigada!

CBR

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Saudades da Casa Pia

Esta semana iniciei juntamente com o Tiago uma formação sobre acolhimento de crianças numa instituição. Por uma série de razões de contexto veio-nos à memória os dias fantásticos que passámos com as equipas da Casa Pia a refletir sobre acolhimento de crianças. Olhando para trás parece ontem, contudo o computador portátil novo nessa época hoje é um verdadeiro fóssil, a tentar sobreviver.

Nenhuma organização, nem nenhum grupo é igual, mas esta semana lembrei-me muito do primeiro grupo de formação da CPL. Um grupo que no primeiro dia estava relativamente céptico face aos formadores e ao programa, como se estivesse cansado de formações impingidas por uma qualquer direcção. Um grupo que tinha (corretamente) a certeza que é preciso viver o dia-a-dia de um Lar, para saber o que é trabalhar em acolhimento de crianças. Não sei por quais pós mágicos, quer eu quer o Tiago, ganhámos a confiança do grupo e tivemos a oportunidade única de trabalharmos lado a lado, com a equipa da CPL. Aprendemos toneladas de coisas nessa época. Depois, seguia-se outro grupo, e depois outro e depois outro. Já não tenho a certeza mas acho que demos formação a 10 ou 12 grupos.

Ficam as saudades e a certeza de que as equipas que conhecemos estão, independentemente dos contextos de crise e de dificuldades, a fazerem o melhor que sabem. Tenho a certeza que continuam a existir problemas, dificuldades e que o funcionamento organizacional ainda não é o sonhado, mas sem sombra de dúvidas que acredito que a meta está mais próxima.

Um abraço a todos os nossos ex-formandos.

PVS

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Práticas Parentais e o Bullying

Enquanto cuscava as vidas sociais do meu ciclo de amigos, deparei-me com uma notícia - da sic notícias em que se destacam a letras garrafais qualquer coisa como “As práticas educativas parentais desde o nascimento dos filhos são responsáveis, em noventa por cento dos casos, por comportamentos inadequados como o bullying e a indisciplina escolar”.

Confesso que também não sou de me chocar ou surpreender com estas comunicações, aliás até me agrada bastante o facto de as pessoas andarem a escrever e a pensar, e a porem outras pessoas a pensar sobre estas coisas. No entanto, admito que me causa uma certa comichão ver efeitos de causalidade postos assim, de forma tão abrupta. Sei lá…

Certamente “tudo” começa no berço, como defende o autor desta investigação, e certamente a educação dos filhos tem uma enorme influência nos comportamentos das crianças e adolescentes. Inteiramente de acordo. Mas ao pensar que o Bullying trata um abuso sistemático de poder, que é deliberado, que tem como objectivo agredir alguém incapaz de se defender e que afecta cerca de 42% dos alunos de terceiro ciclo (na grande Lisboa), faz-me questionar sobre o que andam quase metade dos nossos pais a fazer, e se realmente podemos responsabilizar, de forma tão directa, as práticas parentais por todo este universo que é Bullying

Fica o desabafo...
CBR

Parentalidade Adoptiva e Parentalidade Biológica

A todos os que possam participar e/ou divulgar o estudo, agradece-se a colaboração!

***

"Com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre a parentalidade adotiva em Portugal, as Universidades de Lisboa e Coimbra, através de investigações de doutoramento na área de Psicologia da Família e Intervenção familiar, desenharam um estudo nacional, sob orientação das Professoras Doutoras Isabel Narciso e Salomé Vieira Santos, para o qual gostaríamos de contar com a sua participação.

Se é pai/mãe biológico/a ou adotivo/a e tem pelo menos um filho entre os 6 e os 12 anos, temos o prazer de o/a convidar a participar nesta investigação, bastando para isso o preenchimento dos questionários que encontra no link abaixo indicado. (Se tiver necessidade de parar o preenchimento, pode retomá-lo mais tarde no local onde ficou).

Para participar na investigação basta clicar em:https://ulfp.qualtrics.com/SE/?SID=SV_eGb6lzpRZM3l8HP

Os dados recolhidos são confidenciais e anónimos, sendo tratados de forma global e não individualizada.

Dada a importância da investigação em curso necessitaremos de um elevado nº. de pais/mães que possam disponibilizar algum do seu tempo participando no preenchimento destes questionários, por isso, a sua participação é para nós extremamente importante e ficamos muito gratas se puder divulgar este e-mail/link pelos seus contatos.

Um grande Bem-Haja pela vossa disponibilidade e colaboração!

As investigadoras,
Maria do Céu Costa e Marta Santos Nunes"

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Vinculação e Neurobiologia

A teoria da vinculação cada vez mais está no centro da psico-biologia moderna e na explicação do desenvolvimento das estruturas neuronais responsáveis pela regulação emocional. Aqui fica um vídeo com a participação de Alan Schore, um dos autores incontornáveis nesta área.



PVS

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Tempos da adopção

Já há algum tempo que não escrevo coisas estranhas neste blog. É verdade, o tempo faz-nos ficar mais politicamente correctos, o que não é mau. Quem já trabalhou comigo sabe que eu só tenho a ganhar se aprender a moderar as minhas caretas em reuniões difíceis. Disfarçar o desagrado é uma arte bem útil. Também é verdade que o tempo tem-me dado a sensatez de perder certezas e de passar a achar que o mundo é mesmo feito de cinzentos.

Nos últimos anos tenho-me apaixonado por trabalhar com as famílias mais corajosas do mundo. Não falo das famílias numerosas, essas conheço-as eu bem! (cá por casa vai tentado existir uma). Falo das famílias que “loucamente” adoptam,  que tornam seu o que num primeiro momento foi de outros. Tornar seu, implica um diálogo complexo entre o ter e o ser que é difícil de deslindar e que torna toda a adopção um processo complexo. Ter uma família ou ser parte de uma família é uma narrativa complexa que cada um de nós constrói ao longo da infância e da vida adulta. Gosto de pensar que ser de uma família é simultaneamente ser quem sou e em paralelo ter um conjunto de valores, ideias, princípios e expectativas comuns. Mas confesso que talvez esta minha ideia tenha pouco de real. Ser família talvez não obrigue a ter valores, ideias ou expectativas comuns; talvez obrigue simplesmente a ser. E o que é isso, de simplesmente ser? Fácil! É simples + ser. Os adolescentes gostam de traduzir: simples + ser = está-se! Vamos ficando, uma simples cronologia, na qual o ponteiro do relógio dá voltas e voltas; talvez este seja um enorme e fabuloso segredo. Na volta repetitiva do ponteiro, no estar por estar, no ficar por ficar, é possível que o ser nasça e se construa. Cada vez mais acredito que o tempo, esse ponteiro rotativo, é um instrumento poderosíssimo.

Não raras vezes se fala da importância do tempo de qualidade, nomeadamente no tempo de qualidade entre pais e filhos, contudo cada vez mais acredito que o segredo está no tempo de quantidade que nos escapa na correria de sermos gente neste mundo. Quem adopta  normalmente sabe o valor da quantidade. Sabe e compreende a diferença quantitativa entre ter “uma” e não ter “uma” família, ter “um” ou não ter "um" filho e talvez por essa razão saiba muito sobre ser uma família, e sobre ser pai ou ser mãe, na medida que descobre nos olhos dos seus filhos o que é ser filho ou filha no passar do tempo. As famílias adoptivas são belos exemplos de quantidade “excessiva” de amor no qual o novo tempo, vence não só o presente e se projeta no futuro, como é capaz de conquistar o sombreado do passado. É talvez aí, no sombreado do passado, que reside o segredo de construir uma família. Tornar família é, talvez, o tempo que por ser tempo, dá a segurança de reescrever o passado, reinventando-o, como quem conta e reconta uma história acrescentando ou diminuindo um conto ou um ponto.
Todos sabemos que contar histórias é isso mesmo, tempo, muito tempo, mais subjectividade que tece o improvável. E qual improvável dos improváveis. Contar histórias não é, na minha opinião, reconstruir a veracidade histórica, mas sim narrar romances que nos embalam. O segredo não está na precisão do relato, mas sim na forma fantástica e melódica que nos acalma e nos adormece. Os olhos fecham-se, com uma boa história. Na escuridão da noite, fica então o colorido do dia, as voltas do ponteiro que marcam o tempo, de não estar sozinho. No sonho que agora preenche a solidão, nasce na madrugada o sentimento de pertença a uma família.

No trabalho com crianças e jovens adoptados tenho aprendido que adopção nasce na madrugada, dos sonhos. Ao contrário do que muitos possam pensar, a adopção não nasce na manhã de segunda-feira, nem na tarde de sexta-feira. Por esta razão, teimo em não perceber o vício das equipas da segurança social em acreditarem na fórmula, manhã de segunda e tarde de sexta, como fórmula perfeita de construção de uma família. Ser família é tempo, ausência, noite, sonho e acordar. É estar e não estar, é ter e não ter, para por fim, ser ou não ser. Filosofias à parte… Construir família é dar tempo para que tudo possa acontecer e voltar a acontecer.

As famílias adoptivas com quem tenho trabalhado têm-me ensinado isso mesmo. Ser boa família é ver tudo ser questionado, é bater na parede. Sim bater na parede! Olhar em frente, e numa lógica heróica e “mágica”, de quem olha em frente seguir com a convicção de que não há impossíveis, nas voltas do ponteiro do relógio.

PVS

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Curso Acolhimento Prolongado

Ontem eu e o Tiago iniciámos a 7.ª Edição do Curso Intervenção Terapêutica e Educativa em Acolhimento Prolongado de Crianças. É sempre uma emoção conhecer um grupo novo de profissionais motivados e que diariamente dão o máximo para tornarem as instituições de acolhimento lugares saudáveis de crescimento.

Olhando para trás ficam seis anos de aprendizagens, pensamentos, partilha de boas práticas e amizade.

Um abraço a todos os colegas que frequentaram este curso.

PVS

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Guia Prático do Divórcio e das Responsabilidades Parentais

Documento sugerido pelas colegas Leonor Brito e Renata Benavente, da autoria de António José Fialho, Juiz de Direito, com a colaboração científica de Manuel José Aguiar Pereira e Helena Bolieiro. Uma edição de 2012 do Centro de Estudos Judiciários.

Disponível para download integral aqui.

ADC

domingo, 3 de fevereiro de 2013

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Conferência Internacional Família e Psicologia: Contributos para a investigação e intervenção

O Instituto de Ciências da Família da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica de Lisboa está a organizar uma conferência submetida às temáticas da família. O dupla foco da conferência investigação e intervenção será uma oportunidade única para ligar a teoria à prática.

O programa é excelente na sua globalidade "na nossa opinião", mas não podemos deixar de destacar a participação de Ricardo Ramos (Escola de Terapia Familiar do Hospital de Sant Pau, Universidade Autónoma de Barcelona). Ricardo Ramos é talvez dos pensadores mais interessantes sobre a articulação entre o sistema de protecção e a intervenção com famílias. A não perder!!!

O programa pode ser consultado AQUI!

PVS

Olhares sobre a adoção

Texto retirado do site Sapo Bebé

"Ser mãe ou pai é sempre um desafio. Uma aventura, que normalmente se começa a escrever num sonho de infância quando brincamos aos pais e às mães e que começa a ganhar contorno com o desejo adulto de ter um filho ou uma filha com a pessoa que amamos. Na maioria dos casais, o sonho concretiza-se através de uma gravidez viável e do nascimento de um bebé, noutros a chegada do filho acontece através da adoção.

Neste artigo gostávamos de olhar para alguns dos desafios que pais e filhos adotivos enfrentam.

Indepentemente dos motivos que levam uma família adotar, devemos ter sempre presente que a adoção é sempre um ato de enorme generosidade, na medida que dá a uma criança uma segunda oportunidade de crescer numa família. Tal como todos os projetos de maternidade e paternidade a adoção também se sonha perfeita, mas tal como todos os projetos de maternidade e paternidade biológica não há caminhos 100% perfeitos. Afinal nada no mundo é 100% perfeito. Ser pai e mãe é sempre um caminho povoado por desafios. O cenário idealizado por muitos pais e mães que decidem pela adoção, é o encontro perfeito entre a vontade de acolher e a vontade da criança ser acolhida e receber uma nova família.

Por vezes este cenário de encontro e de troca de amores, tarda acontecer criando ansiedade nos pais adotivos. Devemos ter presente que em Portugal, muitas das crianças em situação jurídica de adoptabilidade, viveram situações traumática precoces e construírem durante a sua primeira infância modelos de vinculação inseguros que condicionam a forma como construem novos vínculos relacionais.

Inúmeros estudos científicos, têm sublinhado o impacto que a relação precoce e os primeiros vínculos afetivos, têm no desenvolvimento neuronal da criança, mais especificamente na maturação das estruturas do cérebro que desempenham funções de regulação emocional. Sabe-se estatisticamente que crianças que viveram situações de maus tratos têm maior probabilidade de desenvolverem perturbações do humor e do comportamento. Por vezes os pais são levado a pensar que o amor que sentem pelos seus filhos é o elemento suficiente para ultrapassarem todos os desafios e para determinar a construção de um vinculo seguro.

É indiscutível que o amor é um elemento importante, mas a nossa experiência tem nos dito que por vezes o amor só por si, não é ingrediente suficiente, para a construção de um vínculo seguro. Talvez o grande desafio, dos pais adotivos, é compreenderem que suas crianças trazem para o seio da nova família modelos de relação aprendidos na família de origem ou na instituição na qual viveram uma parte da sua vida. Estes padrões relacionais que porventura cumpriram uma função adaptativa noutro contexto, na nova família são percecionados como desadaptados ou desafiadores.

Compreender e acolher estes comportamentos, é acolher parte da história da criança, e consecutivamente acolher histórias de desencontro que porventura todos nós gostamos de pensar que não acontecem no nosso mundo. A grande maioria dos pais e das crianças adotadas, acabam por encontrar um equilíbrio relacional que permita um jogo de reciprocidade afetiva, que é gratificante para ambos, tornando o vinculo emocional seguro. Contudo por vezes, a construção de um vínculo seguro é mais difícil.

Os pais e as crianças começam a ficar progressivamente descrentes na relação e a ameaça de rutura começa a pairar na família. O desencontro relacional em muitos casos materializa-se através das birras repetidas, da falta de troca de afetos, na baixa tolerância à frustração, na ausência de proximidade física ou simplesmente num desligar progressivo. É neste momento quando a descrença se começa apoderar dos pais e das crianças que achamos que a procura de um apoio especializado é importante.

Existem momentos que a nova família precisa de ser apoiada, de forma a que pais e criança reencontrem o caminho para uma vinculação segura. Este é um apoio que se pode ser feito dependente dos casos de diferentes formas: aconselhamento parental, terapia familiar, a intervenção terapêutica individual com a criança. Independentemente da intervenção terapêutica adotada, o objetivo é sempre apoiar os pais e a criança a desenharam formas construtivas de relação nas quais pais e filhos encontrem um espaço de crescimento emocional. Acabamos este breve texto reafirmando a nossa forte convicção que construir uma família é sempre um processo complexo, onde amor, esperança, contenção e pensamento andam de mão dada, de forma a evitar que a criança adaptada sinta de novo o medo de ficar só ou perdida.

Pedro Vaz Santos PIN – Progresso Infantil Consulta da Adoção

Pedro.santos@pin.com.pt"

PVS