CriançaSemRisco

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

I Encontro de Desenvolvimento Infantil e Juvenil do Oeste

14 a 15 de fevereiro 2014 | 09h30
ESCO - Escola de Serviços e Comércio do Oeste; Boavista-Olheiros-Torres Vedras


Nos dia 14 e 15 de fevereiro, a Escola de Serviços e Comércio do Oeste (ESCO) acolherá a realização do I Encontro de Desenvolvimento Infantil e Juvenil do Oeste - "Conhecer para Agir", destinado sobretudo a técnicos nas áreas da infância e juventude; Professores e educadores de infância; Técnicos de apoio à infância; Pais e famílias, bem como a todos os interessados na temática. Esta iniciativa é uma organização da Unidade para o Desenvolvimento Infantil e Juvenil (UDIJ), em parceria com a Câmara Municipal de Torres Vedras.

As perturbações mentais são atualmente o principal problema de saúde pública na Europa, estimando-se que uma em cada cinco crianças apresente pelo menos uma perturbação mental antes de atingir os 18 anos e que destas, cerca de metade seja no âmbito do desenvolvimento.

Esta iniciativa tem como objetivos informar, debater ideias e estratégias que capacitem os profissionais e famílias na intervenção com as crianças, atuando assim preventiva e precocemente nas diferentes problemáticas, considerando asespecificidades do desenvolvimento, quer normativo como patológico. O encontro reunirá diferentes especialistas de referência nacional, na área da saúde mental, educação e desenvolvimento infantil, com a preocupação de ir ao encontro das necessidades das famílias e dos profissionais que trabalham diariamente com crianças e jovens.

Esta é a primeira vez que se realizará um encontro no âmbito do desenvolvimento infantil em Torres Vedras, procurando dinamizar-se um espaço de reflexão e discussão, com momentos de partilha, dos especialistas e também pelas famílias de crianças com perturbações do desenvolvimento, que irão expor as suas dificuldades e vitórias.

Com este encontro pretende-se:
  • promover o conhecimento na área do desenvolvimento biopsicossocial e emocional das crianças e dos jovens; 
  • facilitar o conhecimento das perturbações emocionais e cognitivas mais comuns nas crianças e jovens; 
  • alertar para a importância da deteção e intervenção precoces e articuladas nas áreas da infância e juventude; 
  • desenvolver estratégias de intervenção articuladas com crianças com necessidades educativas especiais. 

PROGRAMA
14 de fevereiro | sexta-feira

09h00 | Abertura do Secretariado

09h30 | Sessão de Abertura
- Vereadora da Câmara Municipal de Torres Vedras, Ana Umbelino;
- Diretora da Unidade para o Desenvolvimento Infantil e Juvenil (UDIJ), Sílvia Henriques;
- Diretora da ESCO, Júlia Alfaiate.

10h00 | "Relação de casal/ relação parental - A importância da comunicação em família no desenvolvimento harmonioso da criança"
Oradores:
- Psiquiatra, terapeuta familiar e membro-fundador da Soc. Portuguesa de Terapia, José Gameiro;
- Psicóloga clínica e terapeuta familiar na Fundação O Século, Diana Estevão
Moderador:
- Psicólogo clinico no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa e UDIJ, Afonso Paixão.

11h15 | Coffee-break

11h45 | "Novas famílias- impacto das alterações nas dinâmicas familiares"
Orador:
- Psicólogo sistémico e docente na Faculdade de Psicologia de Lisboa, Wolfgang Lind.
Moderadora:
- UDIJ, Sandra Santos.

13h00 | Almoço

14h30 | Boas-práticas
- Gabinete de Apoio à Família, Eliana Batista (ESCO);
- Grupo de Competências psicossociais, Sandra Santos (UDIJ).
- Académico de Torres Vedras, Atitude Positiva.
Moderador:
Câmara Municipal de Torres Vedras, Nélia Feliciano

15h30 | Coffee-break


16h00 | "Ser criança é ser especial - Especificidades das crianças com necessidades educativas especiais"
Oradores:
- Psicóloga, supervisora e docente do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA); Manuela Machado;
- Docentes convidados do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), da Universidade Técnica de Lisboa (UTL) e membros-fundadores da Associação Portuguesa de Estudos e Intervenção em Psicologia Positiva.
-Testemunho de familiar de uma criança com necessidades educativas especiais.
Moderador:
- Hospital Distrital de Torres Vedras, Centro Hospitalar do Oeste, Alexandra Seabra

17h30 | Encerramento


15 de fevereiro | sábado

09h30 | Abertura do Secretariado

10h00 | "Perturbações do desenvolvimento e perturbações emocionais"
Oradores:
- Pediatra na área do neurodesenvolvimento no Hospital de Santa Maria e na UDIJ, Tiago Proença dos Santos;
- Testemunho de familiar de uma criança com perturbações de desenvolvimento.

11h15 | Coffee-break


11h45 | Boas-práticas
- "Utilização do Ipad com crianças com necessidades educativas especiais",Agrupamento de Escolas Henriques Nogueira, Educadora Helena Feijão;
- "Mocktails: Memórias de uma noite divertida", Associação DIANOVA Portugal, Projeto de Promoção da Saúde.
-"Crescer a sentir", Programa de Promoção de Competências Socioemocionais com Crianças em Idade Pré-Escolar, desenvolvido pela UDIJ em parceria com o jardim-de- infância de Boavista-Silveira, Carla Ferreira.
Moderador:
Presidente da Junta de Freguesia da União das Freguesias de Maxial e Monte Redondo, Celso Carvalho.

13h00 | Almoço

14h30 | "A importância do jogo e de brincar no desenvolvimento da criança"
Oradores:
- Docente na Faculdade de Motricidade Humana, Carlos Neto;
- Professora de Educação Física, Isabel Sebastião.

16h00 | Momento cultural

16h30 | Encerramento


Info: 261 321 400 / geral@udij.p
Inscrições online até 10 de fevereiro.

Preço: (s/almoço) €10 | (c/almoço no sábado) €16,5 €

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Competição, Estratégia e Instituições - O trabalho de Michael Porter

Para muitos este título pode parecer estranho. Afinal o que há de comum entre competição e estratégia, palavras associadas regularmente com à área empresarial, e instituições? O que poderá existir em comum entre os conceitos organizacionais de competição e de estratégia, as vezes entendidos de forma negativa com uma área em que todos os intervenientes estão bem intencionados e dedicados a um fim nobre que é ajudar crianças e jovens em perigo?

Bem, há já algum tempo que acho que muitas das grandes dificuldades sentidas na área das crianças e jovens em perigo prende-se mais com questões organizacionais, do que com falta de boa vontade ou disponibilidade dos intervenientes que actuam nesta área. E, tenho de confessar, ao longo dos meus vários anos em Portugal a trabalhar como supervisor/consultor/formador de várias equipas técnicas, educativas e direções, a larga maioria das pessoas que conheci faziam um esforço extraordinário para ajudar estas crianças, indo muito para além do que é pedido a um profissional.

Aqui entra Michael Porter, Professor de Estratégia e de Competição na Harvard Business School. Estive a ler um livro sobre ele que veio na minha encomenda de Natal na Amazon. Uma ideia interessante é a ideia de "trade-off", ou seja as organizações fazem escolhas estratégicas (tomam decisões), e este é um processo em que as diferentes escolhas possíveis são incompatíveis entre si, mas as escolhas realizadas trazem benefícios na medida que geram valor para a organização.

Vejamos um exemplo apresentado no livro, o caso da McDonald's que construiu o seu crescimento a volta da proposta de valor de "consistência" e "rapidez". Nos anos 90, ao enfrentar um problema de crescimento nos Estados Unidos, resolveu aproximar-se do que os outros concorrentes faziam e passou a oferecer a opção "hambúrgueres feitos à medida" ao invés dos típicos hambúrgueres previamente definidos. Julgavam que isso lhes iria dar uma vantagem competitiva face à concorrência. No entanto, esta opção ou "trade-off" veio com outros custos, uma vez que "hambúrgueres feitos à medida" demoram não só mais tempo como é mais difícil atingir a consistência desejada. Aleém do mais, não conseguiam acumular stock de hambúrgueres previamente cozinhados para as complicadas horas de almoço, deixando os restaurantes com o problema de potencialmente irritarem os clientes com longas esperas. O que Michael Porter argumenta é que aquilo que o McDonald's fez foi "straddling", ou seja, tentar copiar a vantagem da concorrência ao mesmo tempo que queria manter a proposta de valor que tinha criado. Porter argumenta que isto é impossível porque estratégia é tomar decisões que excluem outras possibilidades. Ou seja, se a opção é "rapidez" e "consistência", isso é impossível de conciliar com "hambúrgueres à medida". Por muito que custe, temos que tomar opções sabendo que não podemos "agradar a gregos e troianos".

Voltando às instituições e às famílias, se aplicarmos as ideias do Michael Porter às mesmas, temos um problema de posicionamento estratégico e de definição do que é o superior interesse da criança pois a ideia de "acolhimento familiar" pode ser uma forma de "straddling" das famílias, perdendo ao mesmo tempo o "trade-off" que pode ser ter uma criança numa instituição.

Vamos a um exemplo mais perto da nossa realidade. Se uma instituição de crianças quiser ser o mais parecido com uma família tem que ter o menor número de crianças possível, o interior da casa deve assemelhar-se a uma casa de uma família, deve ter o funcionamento o mais semelhante com uma família na gestão das rotinas e na forma como a casa é gerida, e os adultos devem ter um papel parental.

No entanto, quanto mais caminhamos no sentido familiar perdemos os possíveis "trade-off's" de ser uma instituição nomeadamente capacidade de avaliação da interação mãe-criança para fornecer evidências às CPCJs/Tribunais porque uma casa familiar não tem uma sala equipada com um espelho uni-direccional, e as famílias e as crianças não são avaliadas. Perdemos o uso da intervenção através da rotina diária, na medida em que isto implica que as crianças e jovens sejam elas próprias co-gestores da casa, o que pode colidir com a arrumação típica de uma casa familiar. Perdemos a capacidade de envolvermos as crianças e jovens na gestão democrática e colaborativa da casa, reunindo regularmente em grupo e discutindo abertamente os problemas, inclusivamente o que os levou à instituição. Perdemos a possibilidade das instituições funcionarem em acolhimento terapêutico, pois numa família normal se há problemas as crianças ou a família vão uma vez por semana ao psicólogo. Ou seja, ou os pomos a "fazer" e nos sujeitamos a que seja mal feitos, ou mantemos a casa num brilho mas eles estão menos envolvidos no processo e ficam desresponsabilizados - típico problema nas instituições.

Resumindo, se queremos instituições terapêuticas - cheias de recursos de intervenção focados nas necessidades emocionais e do comportamento-, ou se queremos bons centros de avaliação - capazes de fazer bons relatórios e produzir muita informação para os tribunais e CPCJ-, então o trade-off pode ser que as instituições sejam menos familiares. Se queremos instituições mais familiares, o trade-off pode ser que sejam menos capazes de fazer boas avaliações ou terem um impacto terapêutico. No entanto, se ir ao encontro das necessidades destas crianças é colocá-las num lugar familiar, pessoalmente, então faz-me mesmo muito mais sentido que haja uma cobertura nacional de famílias de acolhimento.

Segundo Michael Porter é tudo uma questão de decisão sobre qual é a proposta de valor, mas é impossível ter o melhor dos dois mundos. Se um professor de Harvard (consultor do governo português) diz isto, quem sou eu para duvidar.

São apenas algumas ideias. Não têm de concordar comigo e aceitam-se comentários.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Workshop "Construção da relação e o papel do educador de referência no acolhimento de crianças"

Workshop no Porto sobre acolhimento terapêutico e a importância do educador de referência a realizar nos dias 28 de Fevereiro e 1 de Março. O formador é o Pedro Vaz Santos, e é organizado pelo Instituto Português do Terço.

O educador de referência é uma peça fundamental imprescindível em acolhimento terapêutico, e este workshop vai certamente ajudar a definir não só o conceito, como a a sua aplicabilidade e operacionalização na realidade portuguesa.

Fica aqui o programa. Para mais informacoes, contactar Igor Magalhaes: igormagalhães.ipt@gmail.com


1.º Dia

10.00 - 10.30 Apresentação / Expectativas
10.30 - 11.30 Relação e Vinculação
11.30 - 11.45 Café
11.45 - 12.30 Trabalho em Pequenos Grupos
12.30 - 13.00 Apresentação de Trabalhos
13.00 - 14.00 Almoço
14.00 - 15.00 O Papel do Educador de Referência
15.00 - 15.30 Trabalho em Pequenos Grupos
15.30 - 15.45 Apresentação de Trabalhos
15.45 - 16.00 Intervalo
16.00 - 16.40 Grupos de Aplicação
16.40 - 17.00 Avaliação


2.º Dia
10.00 - 10:30 Reflexões e Comentários
10.30 - 11.30 Autoridade e Poder
11.30 - 11.45 Café
11.45 - 12.30 Trabalho em Pequenos Grupos
12.30 - 13.00 Apresentação de Trabalhos
13.00 - 14.00 Almoço
14.00 - 15.00 O Educador de Ref. e a Equipa
15.00 - 15.30 Trabalho em Pequenos Grupos
15.30 - 15.45 Apresentação de Trabalhos
15.45 - 16.00 Intervalo
16.00 - 16.40 Grupos de Aplicação
16.40 - 17.00 Avaliação / Encerramento