CriançaSemRisco

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Em LA com Peter Fonagy e Anthony Bateman


Cheguei hoje a Los Angeles bastante entusiasmado com os próximos três dias. Vou amanhã começar na Universidade da Califórnia UCLA uma formação com Peter Fonagy e Anthony Bateman sobre Mentalization-Based Treatment (MBT), que posso traduzir genericamente por Terapia Baseada em Mentalização.

Este modelo de intervenção é dos poucos que é empiricamente comprovado como eficaz com adultos que sofrem de uma perturbação da personalidade conhecida como borderline. Esta caracteriza-se por instabilidade emocional, impulsividade e dificuldades no relacionamento interpessoal. Acresce ainda que, não obstante a relação ainda não estar totalmente clarificada, entre os adultos que sofrem desta perturbação da personalidade encontra-se um número invulgarmente alto de pessoas que sofreram maus-tratos, especificamente abusos sexuais na infância.

Pode ser especulativo, mas face aos dados actuais e à minha experiência profissional, parece-me que um número invulgarmente elevado de crianças em perigo estão no trajecto desenvolvimental para virem a desenvolver (perdoem-me a repetição) uma perturbação da personalidade. Por isso estou tão interessado nesta formação.

O trabalho pioneiro de Fonagy e Bateman na investigação sobre o trajecto que leva ao desenvolvimento de um perturbação da personalidade borderline tem sido extraordinariamente inovador. Por exemplo, no Developmental Psychopathology Lab o referencial teórico da mentalização está no centro da investigação desenvolvida.

Afinal o que é a mentalização? É tão simplesmente a capacidade que temos de entender o comportamento dos outros, assim como o nosso, em termos de estados mentais intencionais (desejos, emoções, pensamentos, cognições, etc.). No entanto, défices ou falhas nesta capacidade extraordinária em contextos relacionais de elevada tensão emocional parecem estar por detrás desta perturbação. O modelo é bastante complexo, mas alicerça a mentalização na vinculação, argumentando que quando a criança desenvolve um padrão seguro de vinculação pode perceber e fazer sentido dos estados mentais das outras pessoas e dos seus próprios.

Fonagy e Bateman alicerçam ainda o seu modelo em recentes dados das neurociências.

Vou tentar escrever aqui no blog um pouco todos os dias acerca deste modelo e do que tenho aprendido. Deixo entretanto aqui um vídeo do Fonagy a descrever a MBT e um vídeo de Anthony BAteman a fazer role-play de MBT.