CriançaSemRisco

terça-feira, 31 de julho de 2012

Licenciatura em Intervenção Comunitária: Qualidade e Inovação

Numa altura em que se fala (e se exige) cada vez mais da qualidade das práticas nos domínios de intervenção social, surge uma nova licenciatura no ISEC que vem dar resposta às necessidades dos profissionais a trabalhar nas mais diferentes comunidades. Ainda que a população-alvo possa variar desde as crianças, às famílias, passando pelos comportamentos desviantes ou pela 3a idade, o objectivo é o mesmo: capacitar quem trabalha para que possa desenvolver uma prática de qualidade, baseada em evidências e que faça a diferença.

Para mais informações, clicar aqui.

RC

Nova Licenciatura em Psicologia - Universidade Católica (Lisboa)

É verdade que já existem alguns cursos de psicologia país fora, mas também é verdade que uma das mais prestigiadas Universidades de Lisboa ainda não disponha de um plano curricular nesta área. A Universidade Católica vai apostar este ano na abertura de uma Licenciatura em Psicologia. Uma excelente oportunidade para quem quer prosseguir estudos nesta área.

Flyer Divulgação

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As Prisioneiras - Mães Atrás das Grades

O sistema prisional Português e bem, na nossa opinião, permite que os filhos de mães em prisão preventiva ou a cumprir pena, desde que tenham menos de 3 anos de idade, possam permanecer na sua companhia. Esta oportunidade que é dada à criança e à mãe pelo o sistema penal é alvo de vários debates, a maioria condicionados pelo preconceito de que uma mãe que comete um crime não pode ser boa mãe. Óbvio que a vida não é assim tão simples: há mães que cometem crimes e são excelentes mães e há mães que não cometem crimes e são péssimas mães.

Isabel Nery, jornalista da Revista Visão publicou um apaixonante livro, "As Prisioneiras - Mães Atrás das Grades", no qual desconstrói um conjunto de preconceitos e juízos pré-feitos que existem em relação a estas mães.



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quarta-feira, 25 de julho de 2012

Cérebro em família vs. cérebro institucionalizado

Acumulam-se as evidências acerca da importância do papel da família no desenvolvimento da criança.

Os primeiros anos de vida são fundamentais e estes estudos mostram que a melhor opção (e o melhor investimento) é sempre um ambiente familiar positivo, sensível e capaz de saber ler e responder aos sinais da criança.

A institucionalização é normalmente sinónimo de pouca atenção individualizada, altos ratios educador-criança e pouco investimento na criança. As consequências deste tipo de experiências são graves ao nível do desenvolvimento cerebral encontrando-se estas crianças em risco acrescido de comprometimento da sua saúde mental ao longo da vida.

Artigo original

RC

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Relatórios sobre o Sistema de Protecção

Recentemente a Comissão Nacional de Crianças e Jovens em Risco informou que irá passar a disponibilizar os dados referentes à actividade das Comissões de Protecção semestralmente ao invés de anualmente. O aumento da frequência de divulgação de dados, o que é sem dúvida um sinal positivo, não resolve em nada a dificuldade de termos um retrato fiel do sistema de protecção e do número de crianças abrangidas.

Continua a não ser compreensível o facto de só existir informação referente aos processos de promoção e protecção que não estão em fase judicial, faltando toda a globalidade de processos que transitam para os tribunais e que são acompanhados pela Segurança Social e Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Para mais, sabe-se através do Plano de Intervenção Imediata, que descreve as crianças acolhidas, que não existe uma distribuição idêntica na aplicação das medidas de promoção e protecção nas comissões e nos tribunais, sendo a prevalência das medidas de colocação maior na fase judicial.

O estranho é queremos um melhor retrato do sistema e a medida que tomamos é retratar mais do mesmo ao invés de retratar de forma fiel o sistema, que pelo menos estaticamente continua clivado.

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sábado, 7 de julho de 2012

Especialização do acolhimento

O acolhimento de crianças e jovens em Portugal nos últimos anos tem enfrentado desafios crescentes. Já todos sabemos que a população de crianças que hoje chega às instituições têm características distintas das crianças de outrora. Hoje as nossas crianças chegam ao acolhimento com problemas de comportamento e de saúde mental que reflectem experiências de maus-tratos e de violência familiar.

O acolhimento de crianças, para ser eficaz, cada vez mais tem de assumir um papel terapêutico na vida das crianças. É importante que as crianças encontrem na experiência de acolhimento a oportunidade para repararem os seus vínculos relacionais e para estabelecerem novas relações construtivas e de aprendizagem.

Hoje temos o programa SERE + e o objectivo de especializarmos as nossas instituições. Venha pensar este objectivo em conjunto!



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Acolhimento terapêutico - Conferência em MP3

Conferência realizada por John Whitwell a 9 de Novembro de 1966 intitulada "What is a Therapeutic Community" no decorrer de um fantástico dia de trabalho organizado pela SEBDA - Social Emotional and Behavioural Difficulties Association.

Clicar aqui para ouvir.

Com base na conferência, eu realizei os seguintes slides em Português que talvez já tenham visto em algumas formações: Slides - Pedro

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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Acolhimento Terapêutico - Bibliografia

Caros colegas, agora que chegou o SERE + no sentido da especialização dos nossos Lares de Infância e Juventude, não há nada como tirar os livros da estante. Decidi colocar a minha lista de recomendação de livros online. Estes são os que andam cá por casa; muitos outros bons livros existem. Se alguém quiser uma dica sobre os livros, é só perguntar ou comentar este post.


História do Acolhimento Terapêutico

Bettelheim, B. (1986). Só Amor Não Basta (2ª ed.). Lisboa: Moraes Editores.

Bridgeland, M. (1971). Pioneer Work With Maladjusted Children. London: Staples Press.

Franklin, M. E. (1966). Q Camp: An Experiment in Group Living With Maladjusted and Anti-Social Young Men. Dorking: David Neil.

Wills, D. (1967). The Hawkspur Experiment: An Informal Account of the Training of Wayward Adolescents. London: George Allen & Unwin LTD.

Wills, D. (1960). Throw Away Thy Rod: Living With Difficult Children. London: Gollancz.


Obras de Referência


Beedell, C. (1970). Residential Life With Children. London: Routledge & Kegan Paul.

Beker, J. & Eisikovits, Z. (1991). Knowledge Utilization: Residential Child Care and Youth Care Practice. Washington, D.C.: Child Welfare League of America.

Bertolino,B. & Thompson, K. (1999). The Residential Youth Care Worker in Action: A Collaborative, Competency-Based Approach. New York: Haworth Press.

Day, L. & Pringle, P. (2001). Reflective Enquiry Into Therapeutic Institutions. London: Karnac Books.

Burton, J. (1993). The Handbook of Residential Care. London: Routledge.

Day, L & Flynn, D. (2003). The Internal and External Worlds of Children and Adolescents: Collaborative Therapeutic Care. London: Karnak Books.

Dockar-Drysdale, B. (1990). The Provision of the Primary Experience: Winnicottian Work with Children and Adolescents: London: Free Association Books.

Dockar-Drysdale, B. (1993). Therapy and Consultation in Child Care. London: Free Association Books.

Falhlberg, V. (1990). Residential Treatment: A Tapestry of Many Therapies. Indianapolis: Perspective Press.

Griffiths, P. & Pringle, P. (1997). Psychosocial Practice Within a Residential Setting. London: Karnac Books.

Little, M. & Kelly, S. (1995). A Life without Problems?: Achievements of a Therapeutic Community. London: Ashgate.

Mayer, M. F.; Richman, L. H. & Balcerzak, E. A. (1978). Group Care of Children: Crossroads and Transitions. Washington, D.C.: Child Welfare League of America.

Rose, M. (1990). Healing Hurt Minds: Peper Harow Experience. London: Routledge.

Rose, M. (1997). Transforming Hate to Love. London: Routledge.

Schaefer, C.E. & Swanson, A. J. (1988). Children in Residential Care: Critical Issues in Treatment. New York: Van Nostrand Reinhold Company.

Ward, A. (1998). Intuition is Not Enough: Matching Learning With Practice in Therapeutic Child Care. London: Routledge.

Weber, G. H. & Haberlein, B. J. (1972). Residential Treatment of Emotional Disturbed Children. New York: Behavioral Publications.

Ziegler, D. (2000). Raising Children Who Refuse to Be Raised. Phoenix: Acacia Press.


State of the Art

Dixon, J. & Stein, M. (2005). Leaving Care: Throughcare and Aftercare in Scotland. London: Jessica Kingsley Publishers.

Flynn, D. (2004). Severe Emotional Disturbance in Children and Adolescents: Psychotherapy in Applied Contexts. London: Routledge

Pughe, B. & Philpot, T. (2006). Living Alongside a Child's Recovery: therapeutic parenting with traumatized children. London: Jessica Kingsley Publishers.

Tomlinson, P. (2004). Therapeutic Approaches in Work With Traumatized Children and Young People. London: Jessica Kingsley Publishers.

Tomlinson, P. & Philpot, T. (2007). A Child's Journey to Recovery: Assessment and Planning with Traumatized Children. London: Jessica Kingsley Publishers.

Ward,A.; Kasisnski,K.; Pooley, J. & Worthington, A. (2003). Therapeutic Communities for Children and Young People. London: Jessica Kingsley Publishers.

Ward, A. (2006). Working in Group Care: Social Work and Social Care in Residential and Day Care Settings (2ª ed.). London: British Association of Social Workers.

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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Acolhimento de Crianças - Reportagem TVI

Reportagem TVI sobre crianças em acolhidas em instituição, um bom panorama do que tem de ser feito com muita urgência, no sentido de um acolhimento terapêutico.

http://www.tvi.iol.pt/videos/13660256

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quarta-feira, 4 de julho de 2012

O novo Plano DOM: SERE +

Publica-se aqui na íntegra o despacho que dá origem ao plano SERE +. Acabou o Plano DOM começa o SERE +.

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MINISTÉRIO DA SOLIDARIEDADE E DA SEGURANÇA SOCIAL

Gabinete do Secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social

«Despacho n.º 9016/2012

Considerando que o Programa de Emergência Social (PES), nesse sentido, já previa aumentar a sinalização de casos de risco, conferindo uma maior aposta à prevenção primária e secundária;

Considerando que o atual contexto do País também se reflete nas famílias, que embora seja uma das instituições mais persistentes no tempo, necessária e consequentemente, sofre os impactos que abalam os seus membros, com repercussões nas suas crianças e jovens, que se querem prevenir e se possível evitar, quer ao nível das estruturas familiares, quer dos respetivos percursos escolares;

Considerando que a ação do Governo deve procurar uma atuação concertada dos diversos organismos e entidades envolvidas na criação de um novo modelo de acolhimento para as crianças e jovens em risco, por forma a alcançar uma melhor gestão de recursos humanos, técnicos e financeiros;

Considerando que o ciclo do Plano DOM, enquanto plano de intervenção integrada, deve evoluir para um modelo renovado de intervenção integrada e mais especializada, onde além da proteção se atenda à socialização e a um cuidado com o equilíbrio emocional das crianças e jovens, fica desde já salvaguardada a transição automática das instituições que tiveram este plano a decorrer, para o que lhe vai agora suceder, salvo se manifestarem intenção em contrário;

Tendo presente o compromisso estabelecido com as instituições particulares de solidariedade social no âmbito do protocolo de cooperação sobre um novo modelo de acolhimento para as crianças e jovens em risco, que, complementando a ação direta do Estado e respetivas instituições públicas, vêm partilhando importantes responsabilidades, quer para o acolhimento de curta duração em centros de acolhimento temporário, quer para o acolhimento prolongado, em lares de infância e juventude que a procura conjunta de mais soluções, deverá continuar a ter por base uma intervenção integrada, especializada e continuada junto dessas crianças e jovens e suas famílias, a par duma proteção quotidiana às primeiras, assente em modelos socioeducativos adequados:

Ao Estado e à sociedade civil impõe -se que procurem renovar as metodologias adotadas aos níveis técnico, organizativo e funcional dos lares de infância e juventude, através do desenvolvimento de um plano de intervenção integrada e especializada, que evidencie uma melhoria contínua da promoção de direitos e proteção das crianças e jovens acolhidas nos lares, não só no que se refere à definição e concretização, em tempo útil, de um projeto que promova a sua desinstitucionalização, mas seja igualmente promotor do seu desenvolvimento integral.

Assim, determina-se o seguinte:

1 — A criação do Plano SERE + (Sensibilizar, Envolver, Renovar, Esperança, MAIS), de âmbito nacional, que tem como objetivo principal a implementação de medidas de especialização da rede de lares de infância e juventude, impulsionadoras de uma melhoria contínua na promoção de direitos e proteção das crianças e jovens acolhidas, para que no menor tempo útil, da sua educação para a cidadania, sentido de identidade, de autonomia e segurança resultar a sua desinstitucionalização.

2 — A transição automática das instituições que tiveram a decorrer o plano DOM para o Plano SERE +, salvo se no prazo de 30 dias a contar da publicação do presente despacho [Diário da República, 2.ª Série — N.º 128 — 4 de Julho de 2012], manifestarem intenção em contrário.

3 — Sem prejuízo da participação da Comissão Nacional de Proteção das Crianças e Jovens em Risco, e dos contributos da Confederação das Instituições de Solidariedade Social, da União das Misericórdias Portuguesas e da União das Mutualidades, cabe ao Instituto da Segurança Social, I. P., a conceptualização do Plano SERE + e respetiva regulamentação, que definirá os princípios, as regras e os procedimentos a que a execução do mesmo deverá obedecer, bem como a sua execução e avaliação, em três modelos de intervenção especializada de lares de infância e juventude, a definir pelo mencionado organismo.

4 — Nos termos do disposto no n.º 3 do presente despacho, a execução do Plano será assegurada pelo Instituto da Segurança Social, I. P., nos seus serviços desconcentrados, em ligação com o Centro de Segurança Social da Madeira, o Instituto de Ação Social dos Açores e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, nos termos que vierem a ser definidos na mencionada regulamentação.

5 — O disposto no presente despacho entra em vigor no dia 1 de julho de 2012.

26 de junho de 2012. — O Secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social,Marco António Ribeiro dos Santos Costa.».

[Diário da República, 2.ª Série — N.º 128 — 4 de Julho de 2012].

Papel do psicólogo no acolhimento

Já algumas vezes escrevi sobre este tema no Blog, contudo recentemente várias pessoas voltaram-me a perguntar qual a minha opinião. Confesso que tenho uma opinião completamente anti-cooperativismo que pode chocar alguns colegas; portanto, preparem-se para o que eu vou dizer.

Eu acho que o papel do psicólogo no acolhimento é o que a organização definir. As instituições de acolhimento são organizações como todas as outras e por isso devem ter a legitimidade para definir o conteúdo funcional dos seus recursos humanos. Por exemplo, na instituição onde trabalho existem licenciados em Psicologia com várias funções: alguns são directores de valências, outros arte-terapeutas, outros terapeutas familiares, outros fazem ligação à escola, outros ainda fazem parte das equipas educativas. O que me parece importante é todos saberem de forma clara qual é o seu papel e de que forma contribuem para a missão global da instituição.

Óbvio que podem argumentar que a maioria dos profissionais a que fiz referência não estão contratados como psicólogos. Sim, é verdade. Mas afinal o que é contratar alguém como psicólogo? É contratar alguém para fazer avaliações psicológicas, aplicar WISCS e Rorschach, como no outro dia uma potencial estagiária dizia ser a sua percepção do trabalho de psicólogo, ou contratar alguém para fazer psicoterapia, um para um, com as crianças institucionalizadas (mas para esta função teria de ser um psicólogo psicoterapeuta, verdade?). Não querendo entrar numa outra discussão sobre o papel do psicoterapeuta numa instituição (o que seria uma discussão fácil), permitam-me só esclarecer que um psicólogo não é um psicoterapeuta.

Por esta altura já tenho a classe dos psicólogos a quererem me matar!!! Mas calma. Eu acho que o licenciado em Psicologia é dos profissionais mais bem preparado para trabalhar numa instituição de acolhimento de crianças. Um psicólogo é alguém habilitado a compreender os contextos e processos de mudança e apto a ajudar a instituição a ser promotora de um crescimento saudável. Um psicólogo está habilitado, em equipa, para contribuir para o desenho do modelo terapêutico / educativo de um lar e torná-lo especializado. Um psicólogo está habilitado a compreender como uma instituição é influenciada pelos fenómenos sociais internos e externos, e como esses fenómenos determinam o comportamento dos adultos e crianças.

Em suma, um psicólogo para trabalhar bem numa instituição de acolhimento necessita de saber Psicologia Educacional / Desenvolvimento de forma a desenhar bons programas de intervenção, Psicologia Clínica para compreender o funcionamento mais perturbado e o impacto dos maus-tratos e do trauma nas crianças, e muita Psicologia Organizacional para compreender como o comportamento organizacional determina todo o contexto de crescimento das crianças acolhidas.

PS: Enviem comentários à minha provocação.

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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Pais, filhos e a obesidade infantil

Pais&filhos: "Obesidade infantil: educar as mães é essencial". Assim como os pais, avós ou outros educadores, acrescentaria eu. Ou estes não têm um papel fundamental na (des)educação dos hábitos alimentares saudáveis?

Pais&filhos: "Pais ausentes contribuem para o sedentarismo"

Duas notícias hoje publicadas na Pais&filhos lembraram-me que já há uns tempos que ando para escrever uma nota sobre a Plataforma Contra a Obesidade, um site da Direcção Geral de Saúde com informação útil sobre o tema.


Não me alongando na análise do conteúdo do mesmo - é muito mais interessante cada um ir espreitar por si e tecer as suas considerações - há uma questão que pode ser melhorada: o site ser "child friendly".

Que tal um grafismo mais apelativo aos mais pequenos? Ou pelo menos uma parte do site estar dedicada às crianças, com conteúdos adequados às mesmas.

Há uma área infantil na plataforma que ainda não tem conteúdo mas pensá-la só para pais, escolas e comunidades, como parece indicar o aviso que consta no site, seria esquecer que as crianças também podem ter um papel bastante activo na exploração de informação online (às vezes até de forma bem mais proficiente que alguns adultos...).


E que tal umas receitas pensadas para levar as crianças para a cozinha? Ora aqui está uma estimulante actividade pais-filhos!... Cozinhar pode ser extremamente educativo e pouco ou nada sedentário. Senão vejamos:
  • é uma oportunidade para ao vivo e a cores promover uma alimentação saudável; 
  • aprender hábitos de higiene e segurança na cozinha; 
  • descobrir a Física, a Química, a Biologia e a Matemática com as "mãos na massa"; 
  • exercitar o Português com a leitura dos rótulos e das receitas; 
  • contextualizar os alimentos e os hábitos alimentares em função da Geografia e História dos povos; 
  • e estimular a sensibilidade artística... sim, porque cozinhar é uma Arte! 

O dia seguinte ao plano DOM

Hoje é o primeiro dia sem o Plano DOM em muitas instituições. Não porque o Estado tenha dito de forma categórica que o projecto tenha acabado, mas simplesmente por que de nim em nim chegámos a Julho. Óbvio que muitas instituições sem certezas e com a obrigação de passar os técnicos para o quadro, assumindo o aumento de custos operacionais, decidiram pela fim dos contratos. Este é um bom caso de desarticulação de medidas. Por um lado o Estado a querer acabar com o projecto, com toda a legitimidade, por outro lado as instituições aflitas a não quererem assumir mais encargos, com toda a legitimidade, pelo meio as crianças e jovens que do dia para noite vêem à sua volta uma confusão de adultos ansiosos sem saber se os seus postos de trabalho vão acabar ou não.

Não me vou alongar mais sobre o sim ou não do plano DOM. Gostava de levantar uma outra questão. Qual o impacto deste zig zag ao nível dos despedimentos dos mais qualificados das instituições na construção da percepção que os mais novos têm sobre o valor do estudo e das qualificações? Qual a mensagem que as instituições e o Estado estão a passar às suas crianças, colocando perante os seus olhos esta desvalorização do social dos profissionais mais qualificados? Será que estamos todos a dizer "olha, não estudes porque o melhor que tens a esperar, tal como nós, é não saber se amanhã terás emprego".

Quem trabalha em acolhimento sabe que tudo tem de ser devidamente preparado e trabalhado com antecedência. Sempre que entra ou sai um novo membro na equipa deve ser realizado um momento de apresentação ou de despedida, envolvendo-se necessariamente as crianças na vida da casa. É muito importante que mesmo em tempos turbulentos, como os que vivemos, os adultos consigam pensar que todas estas alterações têm um impacto nas crianças e nos jovens acolhidos.

PVS