CriançaSemRisco

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Votos de Bom Natal


Ficam os votos de Bom Natal com um bonito poema compilado pelas crianças das Casa das Conchas da Fundação o Século.

PVS

sábado, 12 de dezembro de 2009

The Tavistock Lisbon Seminars - Day 1

Caros amigos, finalmente começaram ontem os tão aguardados seminários de Lisboa da Tavistock. O dia foi centrado sobre trauma, tendo a primeira lecture sido feita por Maggie Fagan, psicoterapeuta de crianças na Tavi. Maggie descreveu o impacto de experiências traumáticas em crianças e as suas consequências, seguida de meia hora de perguntas entusiásticas. Depois, nos pequenos grupos tivemos oportunidade de reflectir sobre o tema e a nossa prática em Portugal.

Servi de facilitador num desses grupos, que Robin Solomon geriu, e foi muito interessante ver a capacidade de trabalho e de reflexão, em inglês que o grupo todo teve. Como espaço de "digestão" do tema, penso que funcionou muito bem.

À tarde, a Robin Solomon abordou o tema do impacto que tem nos profissionais e organizações trabalhar com populações que sofreram traumas. Foi muito interessante por trazer para a luz da reflexão a capacidade de pensarmos sobre as nossas instituições como um todo e podermos perceber as consequências sobre a estrutura organizacional do trabalho com estas populações.

Amanhã descrevo o segundo dia...

... Mas até agora tem valido a pena.

TSM

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

The Tavistock Lisbon Seminars

Os Tavistock Lisbon Seminars esgotaram e foram muito procurados. É um sinal de que os profissionais desta área continuam a aderir às acções que temos realizado, e que os temas de trauma e suas consequências; trabalho com famílias maltratantes; e acolhimento familiar e adopção são do seu interesse.

Queríamos de agradecer a adesão aos mesmos, e a constante confiança depositada em nós. Em breve teremos mais novidades.

TSM

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Os jovens não compreendem o que lhes dizemos...

Há dias encontrei mais um conto filosófico ao qual eu associo em analogia às necessárias técnicas e habilidades que os adultos podem utilizar, quando muitas vezes precisam de explicar algo aos jovens (crianças e adolescentes), e estes têm dificuldades em compreender a informação.

Muitas vezes estas dificuldades na compreensão na mensagem devem-se mais a dificuldades emocionais e afectivas, e não tanto a limitações cognitivas (sabemos cientificamente hoje em dia que está tudo inter-relacionado).

De uma maneira ou de outra, na minha perspectiva, estimular e activar as ligações na rede de ideias e conceitos próprios ao pensamento dos jovens fornece sempre melhores resultados na capacidade de compreensão dos mesmos, do que focalizarmos a intervenção (explicativa) numa só ideia.

Deixo-vos então o conto:

A forma da neve
Srulek, o Nasreddin ou o Gohâ polaco, chegou um dia junto de um cego e sentou-se a seu lado. O cego perguntou-lhe:
- Srulek, diz-me, a neve, como é?
- É branca - respondeu Srulek.
Passado um momento, voltou a perguntar:
- Branca, como?
- Branca - diz Srulek procurando as palavras - branca como leite.
Um pouco depois, perguntou:
- O leite, é como?
- O leite - diz Srulek - estás a ver, é como as aves que pousam no rio, tu sabes, os cisnes.
- Ah - diz o cego.
Um momento depois, perguntou a Srulek:
- Diz-me, como é um cisne?
- Bem, é uma ave grande, com asas grandes, um pescoço muito comprido e curvo, e um bico assim...- Srulek esticou o braço e curvou o punho para imitar o cisne. O cego estendeu a mão e apalpou o braço e a mão de Srulek, lentamente, atentamente, antes de dizer sorrindo:
- Ah, sim, agora vejo como é ela, a neve...


In "Tertúlia de Mentirosos" - Jean-Claude Carrière
NPF

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Conferência em reconhecimento de Bob Hinshelwood

Estive este fim de semana na Universidade de Essex a assistir à conferência em reconhecimento do trabalho de Bob Hinshelwood, Professor do Centro de Estudos Psicanalíticos da Universidade de Essex. Bob teve um precurso notável e marcante em várias àreas, cada uma das quais foi alvo de um painel.

Psiquiatra, psicanalista e autor de diversos livros traduzidos em mais de 10 línguas, durante muitos anos trabalhou no departamento de psicoterapia da North London Psycotherapy Clinic e foi director clínico do Cassel Hospital, uma famosa comunidade terapêutica de inspiração psicodinâmica para famílias, adolescentes e adultos.

Fundou e presidiu a Association of Therapeutic Communities e foi editor da revista International Journal of Therapeutic Communities. Fundou ainda o British Journal of Psycotherapy e a revista Psychoanalysis and History.

Para o tema das crianças em risco, apesar de não ter contribuído directamente, publicou um livro What happens in Groups que é notável para quem trabalha em instituições. Rapidamente se tornou um clássico e é regularmente citado por autores que se dedicam ao trabalho com crianças acolhidas em instituições.

É de referir que a conferência estava cheia de colegas, alunos e das pessoas que com ele colaboraram ao longo dos anos, vindas de vários países como Ucrânia ou Grécia, o que só atesta a sua capacidade de se relacionar e criar uma forte impressão em todos os que com ele contactaram no seu precurso.

TSM

Pensar Juntos - O Direito à Palavra e participação

A Crescer Ser está a organizar uma interessante iniciativa subordinada ao tema Pensar Juntos. O encontro vai realizar-se em Lisboa nos dias 26 e 27 de Novembro. Certamente será uma mais valia para todos os presentes.

O programa pode ser visto aqui.

TSM

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

III Congresso do Instituto Profissional do Terço

O Instituto Profissional do Terço está a organizar o seu terceiro congresso subordinado ao tema "O Dom do presente, as IPSS's do futuro" nos próximos dias 25 e 26 de Novembro no Porto. O programa encontra-se on-line aqui.

Saliento a presença de vários convidados internacionais. O Instituto Profissional do Terço está de parabéns por mais esta iniciativa que contribuirá certamente para o debate sobre acolhimento em Portugal.

TSM

Os grandes orfanatos

A tradição tem muita força. Verifico que ainda há quem insista em Portugal em construir instituições massificadas, com mais de cem vagas dos 0 aos 5 anos, e afirme que está a prestar um bom serviço na área da protecção.

A Psicologia do Desenvolvimento já demonstrou empiricamente que a massificação dos cuidados primários geram uma indiferenciação vinculativa que irá traduzir-se na interiorização por parte da criança de um modelo interno de vinculação insegura que irá com muita probabilidade manter-se ao longo da vida.

PVS

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Inscrição na Ordem dos Psicólogos

Caros colegas licenciados em Psicologia, foi publicado em Outubro a regulamentação para a inscrição na Ordem dos Psicólogos.

A ver se é desta que institucionalmente começamos a contribuir para que a classe psi se distancie finalmente dos Xamãs, Santos, Psico-Curiosos e Companhia!

Boa ou má, é a Ordem que temos, e a desordem que não queremos.

NPF

Concurso público para o ISS, I.P.

Mais um concurso público para a Segurança Social. Para quem tiver interesse, o meu conselho é: a esperança é sempre a última a morrer...

Boa sorte aos candidatos.

NPF

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Ana Jorge fala acerca de crianças em risco

Ler notícia completa do Público aqui.

"Ana Jorge falava aos jornalistas à margem do I Encontro Nacional da Rede de Núcleos da Acção de Saúde para Crianças e Jovens em Risco, que decorre hoje, em Lisboa.

“O número de crianças que estão em risco ou que são vítimas de maus-tratos e de que temos conhecimento, em geral, são a ponta do ‘iceberg’, porque no fundo são as situações muito dramáticas de grande risco e agressividade e, muitas vezes por debaixo disto, existem muitas crianças e famílias em risco”, afirmou a titular da pasta da Saúde.

De acordo com números avançados pela Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco, cerca de seis mil crianças foram abusadas sexualmente ou mal tratadas entre Janeiro de 2008 e Junho de 2009.

No entanto, e apesar de considerar este número “muito preocupante”, Ana Jorge afirmou que “hoje em dia a maioria dos casos são identificados”. “Há já sinais que levam os profissionais a identificá-los”, disse.

Questionada sobre a necessidade de mais acções de sensibilização, a ministra referiu que “aquilo que é importante sensibilizar são os outros sinais ainda sem evidência física dos maus-tratos”.

Esta tarefa poderá “ser desenvolvida pelos profissionais que lidam com crianças, sejam eles educadores, professores, assistentes sociais, médicos, entre outros, e que possam ter esta sensibilidade e este conhecimento da identificação muito precoce”."

TSM

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Curso Prevenção dos Abusos Sexuais de Crianças

A Sociedade Portuguesa de Psicologia Comunitária, em parceria com a APPEPASC – Associação Portuguesa para o Estudo e Prevenção dos Abusos Sexuais de Crianças, está a divulgar um Curso de Formação sobre Prevenção dos Abusos Sexuais de Crianças: Uma Perspectiva de Prevenção Primária e Intervenção na Comunidade, a ser realizado pela Professora Doutora Sandy K. Wurtele, da Universidade do Colorado, EUA, especialista premiada na área da prevenção dos abusos sexuais de crianças, que terá lugar nos dias 26 e 27 de Novembro no Centro de Estudos Judiciários em Lisboa.

NPF

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Brincar e Neuropsicanálise

A Sociedade Internacional de Neuropsicanálise está a organizar o seu próximo congresso para 2010 sobre o tema Neuropsychoanalytic Perspectives on Play, contando já à partida com o conhecido Psicanalista Peter Fonagy. O site adianta alguns artigos interessantes sobre o tema, parecendo-me bastante pertinente o artigo de Jaack Panksepp intitulado "Pode o jogo/brincar (play) diminuir as Perturbações de Hiperactividade com Deficite de Atenção e facilitar a construcção do cérebro social?", com um conceito muito criativo sobre os "santuários" de jogo/brincadeira para as crianças em risco de desenvolverem este tipo de perturbação, contrariando alguns movimentos médicos de "vinheta fácil".

NPF

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Working together

Working together - Public services on your side, é uma publicação temática disponibilizada pelo Centro de Recursos em Conhecimento do I.S.S., I.P., que nos descreve o exemplo do actual funcionamento dos serviços públicos no Reino Unido. Vale a pena ver as estratégias dos serviços em relação aos jovens.

NPF

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Ciclo de Workshops "Mais Saber...Menos Riscos"

A Associação Chão dos Meninos e a CPCJ de Évora estão a organizar um ciclo de três workshops intitulado "Mais Saber...Menos Riscos" que me parecem do maior interesse para quem trabalha na área das crianças em perigo. Os temas dos workshops são:

Abuso Sexual Infantil: Conhecer para Intervir - 30 de Outubro
Avaliação e Desenvolvimento das Competências Parentais - 6 de Novembro
Alienação Parental - 13 de Novembro

As inscrições podem ser feitas na CPCJ de Évora: cpcje@mail.evora.net

TSM

Morrer de Vida

A Sociedade Portuguesa de Psicanálise está a organizar um colóquio com o poético título "Morrer de Vida". Este tem a particularidade de reunir em cada mesa dois psicanalistas e dois não-psicanalistas que se vão debruçar sobre quatro temas: Morrer de Sede, Morrer de Amor, Morrer de Dor e Morrer de Rir. Neste último tema contam com a participação de Ricardo Araújo Pereira.

O link para o blog do congresso pode ser encontrado aqui.

TSM

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Jornais gratuitos online

A Sage Publishers está a realizar uma campanha de livre acesso aos seus periódicos de referência durante o mês de Outubro. Qualquer pessoa poder ter acesso ao Full Text dos artigos. Ver em Sage Publishers.

PVS

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Certificado de Registo Criminal

A Lei 113/2009, publicada a 17 de Setembro, vem exigir conforme o seu artigo n.º 2 que todas as instituições públicas ou privadas, no recrutamento para profissões, empregos, funções ou actividades, ainda que não remuneradas (o que no meu entender abrange o voluntariado) que envolvam contactos com crianças e jovens, estejam obrigadas a pedir Certificado de Registo Criminal.

Uma boa notícia que peca só por tardar.

Consulte a Lei 113/2009

PVS

Leituras para os Tavistock Lisbon Seminars

Para quem já está a preparar os Seminários de Lisboa da Tavistock aqui fica uma boa sugestão de leitura para o Primeiro Seminário - Trauma and Its Effect.

O livro chama-se Understanding Trauma: A Pychoanalytic Approach, e é editado por Caroline Garland e publicado pela Karnak Books. Podem comprar na Amazon UK, e chega numa semana a Portugal. Podem também consultar o livro em Google Books.

Espero encontrar-vos nestes seminários históricos.

PVS

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Tavistock Lisbon Seminars

Aqui está a novidade porque tanto trabalhámos. Tavistock Lisbon Seminars, três dias, três conferências com a equipa da Clínica Tavistock. O site dos Seminários já está online.



PVS

domingo, 27 de setembro de 2009

Labirintos Coloridos já está online

A Labirintos Coloridos Consultores é uma empresa pioneira na maneira como pretende conciliar as teorias psicodinâmicas com as terias de comportamento organizacional e gestão. Visite o site em www.labirintoscoloridos.com

PVS

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

XVII Encontro da Adolescência

Mais um excelente encontro organizado pelo Núcleo de Estudos do Suicídio, dedicado à reflexão sobre saúde mental na adolescência. Irá decorrer nos dias 19 e 20 de Novembro no Hotel Villa Rica em Lisboa. Consulte o programa aqui.

PVS

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

The provision of child care services

O Centro de Recursos em Conhecimento do ISS, I.P. disponibilizou on-line a recente análise comparativa (2009) de 30 países europeus, quanto aos serviços de prestação de cuidados infantis, com o nome The provision of child care services. É um documento que exige algum tempo e curiosidade "europeia".

NPF

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Temas sobre jovens em risco e outros

A revista Pretextos de Junho, da autoria do Instituto de Segurança Social, I.P., contém alguns artigos relacionados com jovens em perigo; acolhimento residencial e "residência de autonomização". É sempre bom estar a par sobre aquilo que o ISS, I.P. escreve sobre aquilo que faz.

NPF

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Ainda de férias...


Tempo para parar e assim permitir o movimento.

Dissipar o ruído acumulado durante o ano e afinar a óptica.

Poder reflectir e carregar planos com uma renovada motivação.

Aguarda-me uma árdua tarefa de tentar sanear um obsuleto processo de desmantelamento institucional...

Até breve.

NPF

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Congresso de Chicago - Psicanálise

Estão disponíveis online os Keynote Papers do Congresso da International Association of Psychoanalysis. Aconselho vivamente o texto do Antonino Ferro.

PVS

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Workshop Group Dynamics

Nos dias 21 e 22 tivemos a oportunidade de trabalhar dois dias com Lionel Stapley (Director da OPUS) sobre dinâmica consciente e incosnciente de grupos, usando para esse efeito o método de "Small Study Groups" introduzido por W. Bion na Tavistock no anos 50.

Foi uma excelente introdução ao estudo psicodinâmico do funcionamento dos grupos. O próximo passo, sem sombra de dúvida, terá que ser uma conferência de Group Relations.



Fica a foto para a posteridade.

PVS

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Promessa cumprida

O Instituto de Segurança Social já disponibilizou o Relatório PII - 2008 (Plano de Intervenção Imediata), relativo à caracterização das Crianças e Jovens que têm a seu favor medida de Promoção e Protecção de Acolhimento Familiar ou Residencial.

É de louvar a taxa de desinstitucionalização superior aos 25% tidos como meta para a presente legislatura. É bom quando as promessas são cumpridas.

PVS

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Dois blogues a visitar

Em pleno Verão, chamo a atenção para o blog do ATL da Galiza em Cascais e para o blog da escolinha de rugby da Galiza, no Estoril. Ambos estão deliciosamente recheados de fotografias de crianças a divertirem-se em diversas actividades. Vale a pena visitar estes blogs e ver o trabalho realizado pelo ATL da Galiza na integração de crianças e jovens da freguesia do Estoril.

TSM

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O destino do cabrito

Jean-Claude Carrière, no seu livro "Tertúlia de Mentirosos - contos filosóficos do mundo inteiro", conta-nos a seguinte história retirada da tradição popular indiana:

O destino do cabrito
O cabrito foi um dia ter com Brama, o criador, e queixou-se amargamente da sua condição.
- Todas as criaturas - diz ele - querem fazer de mim seu alimento. Como pode isto ser, ó poderoso Brama, servir-lhes eu assim de alimento? Achas justo?
Brama escutou-o e respondeu:
- Que queres que te diga, meu filho? Eu próprio, quando te vejo, sinto água na boca.

O mundo é o que é.

Infelizmente, na minha experiência de acolhimento residencial, tenho constatado que o natural "desencanto" dos adolescentes de risco com perturbações emocionais e do comportamento, faz com que se vão confrontando (e não confortando) com uma série de "Bramas" ao longo da sua história de "protecção social". As crenças, atitudes e valores dos "cuidadores" destes jovens, são na minha opinião o prioritário objecto de trabalho quando se fala em formação especializada.

NPF

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Encontro "De Sim e de Não se faz a Educação"

A Fundação Bissaya Barreto está a organizar nos dias 23 e 24 de Outubro um interessante encontro sobre educação. Destaco a importância dada às crianças com dificuldades emocionais e do comportamento que muitas vezes se comportam de forma desajustada e cujos pais ficam sem saber o que fazer.

Certamente que este encontro vai contribuir para aprofundar a reflexão sobre a temática. A Fundação Bissaya Barreto está de parabéns.

O programa pode ver-se em http://www.fbb.pt/simenao.

TSM

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Trabalho de História de Vida

Já está disponível o site sobre Trabalho de História de Vida. Quem ficar muito, muito interessado em trabalhar em contexto de acolhimento de crianças, quiser saber mais e tiver disponibilidade para integrar um grupo de estudo nesta área, envie um mail para vaz.santos@gmail.com, juntamente com um CV.

Existem três vagas para um grupo de estudo sobre a matéria que irá trabalhar quinzenalmente aos sábados das 11h às 13h em Lisboa a partir de Setembro. O grupo será dinamizado por mim (em regime de voluntariado), e terá a oportunidade de ao longo do ano de beneficiar da formação promovida pela Labirintos Coloridos com o Richard Rose, autor do livro Child's Own Story.

PVS

Corrida de lebre e da tartaruga

Na vida real nem sempre a tartaruga ganha! Infelizmente tenho que me confrontar com o facto de a lebre possivelmente motivada pela sua forte claque tenha pelo menos nesta primeira corrida ganho à tartaruga. É assim!! Em Portugal, o período de vinculação observada entre criança e casal adoptante ainda é uma corrida maníaca na qual não há espaço para reflexão.

PVS

terça-feira, 28 de julho de 2009

Da identificação projectiva: conceptualizações reassegurantes

O mecanismo de defesa denominado Identificação Projectiva é um dos conceitos mais controversos e complexos no âmbito da Psicanálise, referindo-se a um fenómeno de defesa psíquica (inconsciente) com um carácter mais interaccional ou interpessoal. A Identificação Projectiva não se trata da junção do mecanismo de Identificação com o de Projecção. A identificação reporta-se ao processo de construcção e transformação da personalidade por intermédio da assimilação e acomodação de características e experiências observadas nos outros (pais; figuras de referência; etc.). A Projecção refere-se à exteriorização e atribuição aos outros, de características nossas mas que inconscientemente nos são inaceitáveis (por exemplo, o adolescente que se torna homofóbico por não tolerar insconscientemente os seus impulsos homosexuais, que possam surgir no seu desenvolvimento psico-sexual em devir). Quanto à identificação Projectiva, ressalvando as extensas variantes das conceptualizações teóricas na literatura, trata-se de uma acção psíquica de um sujeito (o "projector"), o qual projecta sobre outro sujeito (o "receptor") características suas (dimensões da sua personalidade) sentidas como dolorosas e intolerantes, mas aqui surge um fenómeno revelador da específicidade deste mecanismo: o "receptor" reage emocionalmente à acção projectiva e "depositária" concretizada pelo "projector".

Na prática profissional com crianças e jovens em risco, tais movimentos são frequentíssimos entre os jovens e os profissionais, devendo existir sempre um processo de interacção a um nível inconsciente entre ambos, para se poder falar em identificação projectiva. Daí muitas vezes os profissionais reagirem aos jovens com raiva; medo; nojo; complacência exagerada; etc., sendo estas formas reveladoras de o receptor assumir características humanas que vão ao encontro daquelas que para ele lhe foram projectadas.

Como se pode actuar profissionalmente com isenção: análise constante das emoções; afectos e decisões que nos surgem face a cada jovem em particular, tentando descortinar o que nós sentimos do que o que os jovens nos fazem sentir e reagir. Daí a ideal necessidade de todos os profissionais destas áreas deverem ter os seus próprios processos psicoterapêuticos pessoais (conhecendo-me melhor, conheço melhor os outros) e, mais concretizável e acessível, o acesso à consultoria e supervisão, permitindo ter acesso a todos estes fenómenos de interacção insconscientes, bloqueadores dos processos de comunicação e interacção saudável.

A acrescer, existem ainda todos os fenómenos de comunicação insconsciente (onde surge também a identificação projectiva) que se processam dentro da dinâmica dos grupos (dos jovens e dos profissionais), potenciadores de movimentos psíquicos mais ou menos facilitadores ou limitadores da "higiene mental" da organização.

Existem coceptualizações que podem ser reassegurantes na nossa prática profissional...

NPF

sábado, 25 de julho de 2009

A lebre e a tartaruga

Todos conhecemos a fábula da lebre da tartaruga, através da qual muitos de nós aprendemos que devagar se vai ao longe. A lebre na fábula desempenha o papel do triunfo hipomaníaco de quem ri primeiro com a alegria de ter acabado o que ainda não começou.

A fábula talvez nos ajuda a perceber que o correr entusiástico de uma criança de sete anos para o colo de um casal adoptante no momento que os conhece é semelhante ao riso da lebre que comemora vitória andes da corrida.

Na verdade, construir um novo vínculo parental em idade já escolar é um movimento de treino e esforço, um vai e vem de persistência que faz muito lembrar mais a tartaruga do que a lebre. O vínculo necessariamente tem de ser construído, longe dos mecanismos defensivos do tipo maníacos caracterizados por controlo, triunfo e desprezo face aos objectos significativos (ex: já não quero saber da minha mãe biológica, já não me lembro, só gosto dos novos pais). A nova relação deve ser alicerçada numa ambivalência saudável, típica da posição depressiva, na qual os dois mundos da parentalidade (bons e o maus pais) podem ser casados na relação com os novos pais.

Quem adopta deve ter sempre o direito hesitar, ficar indeciso, pensar na sua vida e no seu passado. É bom ter dúvidas medos e receios. É ainda melhor quando adoptamos pensarmos nos nossos pais e na nossa visão sobre a parentalidade.

Não se esqueçam a criança aos seis, sete anos, adopta os pais tanto como os pais a adoptam.

PVS

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Group Relations

Being Meaning Engaging é o nome da próxima conferência de Group Relations promovida pelo Grubb Institute, uma excelente oportunidade para explorar na prática dinâmicas relacionais associadas aos processos de gestão e liderança de grupos. Normalmente muitos dos participantes das iniciativas do Grubb Institute são de organizações sem fins lucrativos.

PVS

terça-feira, 21 de julho de 2009

Branco mais branco não há

“Branco Mais Branco Não Há” era um excelente slogan, se bem me lembro, de uma marca de detergente de roupa (acho que continha lixívia?!), que fazia jus às propriedades vorazes do detergente e emulsionar qualquer gordura e nódoa.

“Branco Mais Branco Não Há” é também o slogan de muitas instituições de acolhimento de crianças em Portugal que defendem de forma quase fundamentalista as amplas paredes de cor branca em conjugação com o chão muito bem higienizado a evaporar lixívia. Já tive a oportunidade de visitar diversas instituições em Portugal e no estrangeiro e acreditem: as nossas instituições ganham aos pontos em brancura. Rico país este dos detergentes!!!

O branco, de todas as cores, é talvez a menos afectiva, a mais fria, a que remete para o inferno gélido de Dante e para o vazio relacional. Pastourer (1993), na sua obra Dicionário das Cores do Nosso Tempo: Simbólica e Sociedade, refere que o Branco enquanto ausência de cor remete para:

a) Os fantasmas, as aparições. A morte.
b) O medo, a inquietação.
c) O grau zero da cor. A oposição preto e branco / cores.

Óbvio que o branco também remete para castidade, pureza, virgindade, santidade e muitas outras formas simbólicas associadas à ausência.

Ao seguirmos esta simbólica das cores somos obrigados a reflectir que as paredes das instituições de acolhimento de crianças em Portugal parecem cumprir o enorme esforço de espelhar objectivamente os vazios e as ausências que as crianças carregam nas suas histórias pessoais.

Diria mesmo que as paredes nas nossas instituições tendem a desempenhar um exorcismo competitivo com as crianças acolhidas do tipo quem será o mais branco, eu (parede) ou tu (criança). É pena verificar que muitos dos adultos neste concurso esforçam-se arduamente para garantir que a vitória está do lado das paredes.

Ah!! Acho que vou comprar uma lata de tinta vermelha, afinal sempre gostei das pranchas II e III do Rocharch.

PVS

Uma memória de Isabel Menzies

Aproveito para acrescentar que existe on-line uma memória sobre Isabel Menzies Lyth por Alastair Bain, que com ela trabalhou no Instituto Tavistock. Ver aqui.

Aproveito para recordar que esta autora foi durante vários anos a consultora externa da Comunidade Terapêutica para crianças e jovens Cotswold.

TSM

Sistemas sociais defensivos

Lembrei-me que o texto pioneiro da Menzies Lyth "Social System as a Defense Against Anxiety" está online com acesso livre. Por isso todos os interessados podem fazer o download do texto em pdf. Vale bem a pena realizar-se uma leitura atenta.

PVS

Filosofia e sistemas sociais defensivos

A propósito do meu anterior post sobre a Antropologia Urbana, como uma das áreas de estudo favoráveis à compreensão "macro-sistemica" de vários fenómenos sociais e humanos, venho hoje também falar em como a Filosofia "à Portuguesa" curiosamente tão bem aborda os fenómenos bem descritos pelo Pedro e pelo Tiago, relacionados com os "sistemas sociais defensivos" utilizados pelas pessoas em contexto laboral (e não só), de forma a "evitarem a experiência consciente de ansiedade" no confronto omnipresente com a "tarefa primária" (a missão; o objectivo primordial; etc.) da organização, provocando entropia e resistencia à mudança. Ora então vejam neste excerto de texto, como é que o nosso Filósofo português José Gil, tão bem descreve no seu belíssimo livro PORTUGAL, HOJE - O Medo de Existir, a prática social defensiva da BUROCRATIZAÇÃO estatal em Portugal:

(...) Num tal sistema, em que a não-acção é a regra, não se imagina um Estado e uma administração sem burocracia. Porque esta constitui o melhor meio de adiamento e paralisação da acção (...), ao adiar indefinidamente o agir, a burocracia toma a aparência da acção, criando a ilusão da sua efectuação. (...) Seria necessário analisar os diferentes tipos de burocracia, nos diversos sectores da vida do Estado, para se ter uma ideia exacta da sua função na nossa sociedade. No entanto, é desde logo claro que quando existe recusa de enfrentamento e condutas generalizadas de evitamentos de conflitos, a burocracia surge como a via que permite ao mesmo tempo exprimir indirectamente a violência conflitual, e impedi-la de se exercer literalmente ou fisicamente. (...) Neste sentido, a burocracia representa uma espécie de sintoma social da recusa do conflito e da acção.

Digam lá se não assenta que nem uma luva quer na teoria invocada em cima, quer em algumas organizações que nós vamos conhecendo?

NPF

domingo, 19 de julho de 2009

Acolhimento Terapêutico

Desculpem a ausência de posts esta semana, mas decidi aproveitar o tempo para agregar alguma informação sobre Acolhimento Terapêutico de Crianças num novo website. Espero que gostem.

A ideia é disponibilizar online o máximo de recursos sobre Acolhimento Terapêutico de Crianças, e no presente já podem encontrar uma lista bibliográfica, alguns links de interessantes e conferências em mp3.

Esperamos desenvolver mais o site contando para isso com os vossos comentários e sugestões. Podem também enviar material que achem importante ficar disponível para todos.

PVS

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Workshop no Porto

No último sábado tive a oportunidade de passar o dia no Porto a dinamizar um workshop sobre Acolhimento Terapêutico de Crianças. Antes demais é preciso sublinhar que ir ao Porto é sempre uma experiências fantástica, pela hospitalidade e pelas Francesinhas.

Referi num post anterior que estava apreensivo face à aceitação do termo / conceito de Acolhimento Terapêutico por parte dos colegas do norte. Disparate o meu!!!

O grupo de trabalho cedo revelou ter uma leitura muito precisa e compreensiva das crianças que actualmente encontram-se em acolhimento residencial, tendo bem presente as suas necessidades emocionais específicas, neste sentido era já muito evidente para grupo a necessidade das Instituições de Acolhimento serem pensadas enquanto espaços terapêuticos.

O Workshop na minha opinião foi uma excelente oportunidade de aprendizagem (pelo menos para mim) e estou cada vez mais certo que as nossas instituições estão cheias de profissionais com muita competência e disponibilidade para as qualificar.

Pedro Vaz Santos

Mais Profissionais

Caros colegas está aberto concurso de preenchimento de vagas no Instituto de Segurança Social nas áreas da psicologias, serviço social e educação social.

Vejam o Diário da República.

Pedro Vaz Santos (por indicação do Nuno Francisco)

Congresso de Antropologia

A propósito do "post" sobre Antropologia Urbana, fica aqui para todos os interessados, o link do IV Congresso da Associação Portuguesa de Antropologia, com o título "Classificar o mundo". Pelo que vi, existem painéis com temas para todos os gostos e todas as áreas profissionais.

Nuno Francisco

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Acolhimento Terapêutico

Estou a ultimar o workshop de amanhã sobre acolhimento terapêutico e confesso que estou bastante apreensivo sobre a reacção dos colegas da área do acolhimento ao termo “terapêutico”. Ultimamente verifiquei que alguns colegas têm uma espécie de alergia ao termo, talvez por remeter para a ideia de pathos e com essa ideia venham receios sobre patogenização da infância ou rotulação e descriminação das crianças acolhidas!!? Não sei.

Em termos pessoais a ideia de Terapêutico remete-me muito mais para um “ethos” cultural, uma cultura de crescimento, promoção de direitos e principalmente promotora do desenvolvimento da identidade, do que para a ideia de intervenção médica na doença.

Contudo não devemos perder de vista que as crianças vítimas de maus tratos e que viveram experiências traumáticas, têm necessidades específicas que por vezes as distinguem das restantes crianças.

Pedro Vaz Santos

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Antropologia Urbana

Como técnicos na área profissional da protecção de menores em risco (seja ela o acolhimento residencial; protecção social; saúde mental; intervenção precoce; etc.), tendemos muitas vezes a "instrumentalizar" as nossas prácticas munindo-nos apenas de um só quadro teórico/técnico, que nos ofereça segurança e coerência de óptica de avaliação e intervenção sobre a população com que trabalhamos. Desta forma, corremos o risco (também nós ficamos em risco) de olhar a realidade dos fenómenos parcelarmente, recalcando ou barrando a informação pertinente que não se encaixa com o modelo por nós utilizado. Posto isto, venho partilhar a minha experiência de incursão pela abordagem da Antropologia Urbana, sendo esta uma área disciplinar mista, de confluência e diálogo entre a Antropologia e a Sociologia, muito fértil no conhecimento das complexas realidades urbanas. Deste estudo antropológico dos fenómenos urbanos, surgem-nos temas tão diversos onde se incluem por exemplo a delinquência e toxicopendência, entre outros tão pertinentes para quem trabalha com contextos de risco em meio urbano.

O Brazil já "joga" cartas nesta área, sendo um dos autores clássicos de maior renome Gilberto Velho. Leiam por exemplo este artigo num site brazileiro de referência:

"Os direitos da criança na encruzilhada: os princípios da igualdade versus os principios da diferença"

Em Portugal, esta área já vai com bons trabalhos e aprecio muito os escritos de um Professor Universitário (Psicólogo, por sinal e excelente orador por natureza) que se chama Luís Fernandes e que em 2003 já tinha publicado um interessantíssimo artigo chamado "A Imagem Predatória da Cidade" (in Etnografias Urbanas- Cordeiro, G.I.; Baptista, L.V.; Firmino da Costa, A.)

Nuno Francisco

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Acolhimento Terapêutico

Estamos certos que muitos de vós conhecem de nome Bruno Bettelheim, um psicanalista austríaco, autor do livro Psicanálise dos Contos de Fadas. Talvez desconheçam o facto de Bruno Bettelheim, após ter migrado para os Estados Unidos durante a Segunda Grande Guerra, assumiu funções como director clínico da famosa Unidade Terapêutica para Jovens – The Sonia Shankman Orthogenic School da Universidade de Chicago. Sobre a experiência de director da Sonia Shankman School, Bettelheim escreveu o livro Love is Not Enough (à venda na amazon por menos de 1 USD), que descreve bem o modelo terapêutico e a rotina diária de uma unidade terapêutica de crianças e jovens.

Para quem anda pelas feiras de livros antigos pode ser que encontre este mesmo livro em Português, foi editado nos anos 70 pela Moraes Editores com o título “Só Amor Não Basta” (Este talvez seja o único livro traduzido sobre acolhimento terapêutico), boa pesquisa.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Trabalho de História de Vida

A Labirintos Coloridos Consultores irá organizar o primeiro curso de formação (2 dias) sobre Trabalho de História de Vida. O Curso irá decorrer nos dias 13 e 14 de Novembro no IPJ - Moscavide Lisboa e irá ser dinamizado por Richard Rose, autor do Livro Child Own Story e director do Mary Walsh Institute.

Lançamos o desafio a todos os interessados nesta técnica terapêutica de trabalho com crianças em perigo a lerem o livro no verão e a prepararem a formação em Novembro, podem marcar os dias já nas vossas agendas.


Em breve iremos lançar a brochura de divulgação e as datas de inscrição, contudo podem desde já enviar um mail a manifestar o vosso interesse, para enviarmos mais notícias e informações em breve.
Pedro Vaz Santos

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Saldos Livros

A Karnak Books, a livraria de perder a cabeça in Finchley Road, perto da Tavistock está em verdadeiros saldos de verão, saldos que são extensiveis às compras online. Dez livros por 30 Libras mais portes de envio, mais ou menos 55 euros com os portes.

Karnak Books.

Pedro Vaz Santos

Casa Pia - Parabéns

Hoje O Centro Educação e Desenvolvimento de Santa Catarina da Casa Pia de Lisboa está de parabéns vai inaugurar o seu primeio Centro de Acolhimento Temporário de Crianças em Perigo. O centro irá acolher jovens em acolhimento temporário os quais foram alvo de interveção urgente das Comissões de Protecção ou dos Tribunais. Cremos que vai ser um centro de excelência onde a qualidade ao nível da avaliação diagnóstica das crianças e das suas famílias vai andar de mão danda com a qualidade do acolhimento e da intervenção residencial com os jovens.

Já tivemos oportunidade de conhecer e trabalhar com a equipa que hoje inicia funções, oportunidade que nos honrou muito e nos permitiu constatar a maturidade e disponibilidade da equipa para este novo projecto, estão mesmo de parabéns.

BOA SORTE E FELICIDADES !!!

Pedro Vaz Santos

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Caso do Martim

Não é hábito neste blog comentarmos processos que ainda estão a correr termos em tribunal, contudo o processo do “Martim” a correr termos no Tribunal de Cascais merece-nos uma excepção. Na verdade permito-me comentar o caso porque não fui em nenhum momento interveniente e na verdade não conheço a fundamentação legal do caso. Pelo simples facto de não conhecer o caso permite-me o seguinte comentário.

O caso do Martim é na minha opinião o primeiro caso mediático ilustrativo do facto dos processos de Promoção e Protecção serem de processos de Jurisdição Voluntária o que confere ao Juiz uma latitude processual quase única. Um caso julgado e transitado, encontra agora uma nova solução que se afigura de melhor direito e actualidade para todos os intervenientes e obviamente levando em conta o supremo interesse da criança enquanto principio orientador de toda a intervenção.

Estamos na verdade no início de uma nova era no Sistema de Protecção Português, na era onde uma decisão correcta ontem pode ser incorrecta amanhã. Uma era onde o tribunal olha e pondera em função da actualidade circunstancial, numa era onde exige-se que comunicação processual com diferentes intervenientes seja célere de forma a aplicar a justiça no tempo.
O tempo faz envelhecer as boas decisões, tornando-as más, veja-se outros casos mediáticos onde o tempo correu sempre contra a criança. Hoje inicia-se a era dos processos que têm de ser rápidos ao nível da avaliação e apreciação técnica. A era do verdadeiro contraditório onde os pais independentemente dos seus comportamentos mau tratantes ou abusivos encontram sempre o direito de defenderem-se e contradizerem os técnicos. Inicia-se a era em que os tribunais estão disponíveis a rever acórdãos.

PS: Espero que em breve inicie-se a era onde colocar um bebé numa instituição de acolhimento num distrito diferente da residência dos pais seja proibido. O encurtado caminho para adopção, através da separação geográfica e pela criação de um artificial cenário de desinteresse dos pais tem de ter os seus dias contados.

Quando ao Martim desconheço a fundamentação da decisão por isso resta-me desejar boa sorte.

Pedro Vaz Santos

Tudo bons rapazes (desde que falem...)

A propósito do dom da palavra na facilitação das mudanças psicológicas e comportamentais dos jovens rapazes (dirigo-me por agora apenas a este género) , cujas vidas lhes deram razões para exprimir revolta, raiva e agressividade, gostaria de partilhar um breve parágrafo de um livro (in Criando Caim- Proteger a Vida Emocional dos Rapazes, de Dan Kindlon e Michael Thompson - 1999) que faz um delicioso eco para quem trabalha com rapazes:

"Sabemos até que ponto a facilidade de expressão melhora o controlo da impulsividade, tal como acontece com a compreensão das emoções, a consciência daquilo que sentimos e das razões que nos fazem sentir assim. Quando esta literacia está ausente, as emoções tendem a exprimir-se através do movimento ou acção. A dificuldade de expressão verbal, característica do desenvolvimento dos rapazes, combinada com a lei cultural de que não devem falar dos sentimentos, canaliza a energia emocional destas crianças para a acção. Quando os rapazes estão excitados e contentes, tornam-se barulhentos e activos: gritam, saltam, correm e empurram-se uns aos outros. Mas quando as emoções são dolorosas, uma corrida não basta. A energia física pode aliviar o stress, mas não elimina as suas causas e, por isso, a actividade física- quer seja fazer uma corrida, quer seja dar murros na parede- não é suficiente. Descarrega a energia que rodeia o sentimento, mas não o sentimento em si mesmo. Liberta vapor, mas não apaga a chama acesa sob a panela de pressão emocional".

A juntar a isto, qualquer perturbação emocional e do comportamento adicional nestes rapazes, reforça a necessidade de os pôr a falar. Tudo bons rapazes, desde que falem...

Nuno Francisco

terça-feira, 30 de junho de 2009

Recomendações da APA em matéria de avaliações psicológicas na protecção infantil

Em contexto actual de formação, tive conhecimento (ingénuamente) pela 1ª vez, sobre o documento da Associação Americana de Psicologia (http://www.apa.org/) intitulado"Orientações para Avaliações Psicológicas em matéria de Protecção Infantil".

Deste documento, para além das 17 pertinentes recomendações dirigidas aos profissionais da área de Psicologia, no que se refere à prática de diagnóstico e avaliação psicológica em contexto jurídico de abuso e maus-tratos infantis, retiro 5 vitais questões inscritas no texto, que eu recomendo a todos os profissionais que na sua área profissional utilizem entrevista ou diagnóstico psico-social, em matéria de protecção de menores:

1. "Até que ponto foi o bem-estar psicológico da criança afectado?"
2. "Quais serão as intervenções terapeuticas mais recomendáveis para auxiliar a criança"
3. "Poderão os pais vir a ser tratados com sucesso evitando-se maus-tratos no futuro? Em caso afirmativo, de que forma? Em caso negativo, quais as razões?"
4. "Qual seria a consequência psicológica na criança se for separada dos pais ou se os direitos dos pais se extinguirem?"

Parece-me ser um simples mas clarividente ponto de partida, para a difícil tarefa que nos surge sempre a seguir nas nossa actuações profissionais.

Nuno Francisco

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Diário da Conferência da ISPSO em Toledo Dia - 3

O Segundo dia do Símpósio da ISPSO, foi sem sombra de dúvidas marcado pela gestão dos nossos índices de ansiedade e com a apresentação do nosso “paper”. Acordámos sedo, ansiosos, cansados, mas ao mesmo tempo entusiasmados por apresentarmos as nossas ideias e obviamente apreensivos com a recepção das mesmas.

Tivemos duas horas a realizar uma revisão do inglês do texto base com a Marlene Spero que era a facilitadora no nosso paper. Trabalho intenso mas bastante produtivo, muito ao estilo inglês desmontar ideias e reconstruir no máximo de educação elogiando sempre o trabalho – uma honra para nós. Às 11.45h apresentamos o nosso trabalho a sala estava bem composta o que agradou-nos bastante atentos à concorrência em salas paralelas (Burkard Sievers, Howard Schwarts, Simon Western, Giles Arnaut e Frunge). A apresentação correu bem, sempre um bocadinho tremida no inglês, principalmente no meu, o Tiago sempre bastante melhor, mas acho que as principais ideias conseguiram passar. O debate de 45 min. aproximadamente, foi bastante participado e com muitos bons feedbacks, que permitem evoluirmos no nosso trabalho e na estruturação das nossas ideias. Acho que estamos a meio caminho para termos um bom paper para possivelmente submetermos para publicação.

À tarde já mais tranquilos dividimo-nos pelo paper do Herbert Hein (um histórico do Cassel Hospital) e pelo paper da Angela Eden. Eu foi ao paper da Angela, simplesmente fantástico, simples claro e preciso, colocando em evidência os conjunto de dilemas éticos que o consultor organizacional todos os dias enfrenta, no dilema constante entre escavar mais as “frechas organizacionais” na procura de sentidos mais profundos ou pelo contrário na atitude conservadora de reparar de imediato as “frechas organizacionais” que vai encontrando. Pessoalmente fica a sensação de uma apresentação de uma verdadeira honestidade, na qual ressalta a autenticidade do trabalho de um consultor organizacional de inspiração psicanalítica.

O Tiago irá adicionar os comentários sobre o paper do Herbert Hahn.

PS: nós temos os abstract de todos os trabalhos e os contactos de todos os participantes, se alguém quiser ter acesso a um trabalho específico nós podemos tentar arranjar o trabalho.

Pedro

sábado, 27 de junho de 2009

Diário da Conferência da ISPSO em Toledo - Dia 2

A conferência tem sido muito estimulante e densa. O dia de ontem foi particularmente rico. Não só a conferência principal da manhã apresentada pela Debbie Bing e por Chatham Sullivan, dois colegas dos EUA consultores da CFAR, foi muito interessante ao discutirem o seu trabalho de consultoria com os membros de uma organização com função educativa debaixo de uma enorme pressão.

À tarde tivemos o privilégio de assistir a um documentário da BBC sobre Brendan Duddy, que durante quase 20 anos foi elo de ligação secreto entre o IRA e o Governo Inglês. No final do documentário, tivemos o prazer de ver o Brendan fazer um pequeno comentário sobre o seu papel nas negociações. Ficámos impressionados e emocionados com esta experiência e com conhecer alguém que teve um papel tão importante no processo de paz.

Não pudemos deixar de pensar na importância que o seu trabalho para o crescer em paz e sem risco das crianças irlandesas. Foi um verdadeiro privilégio...

À tarde assistimos ao trabalho do meu amigo e antigo colega em Essex Matias Sanfuentes, que agora é professor universitário e consultor chileno, com médicos que trabalham num serviço de oncologia pediátrica. O seu trabalho no suporte emocional desta equipa para trabalhar de forma mais eficiente com as crianças foi espantoso. Realmente importante para aqueles profissionais.

Foi um dia fértil de aprendizagem, tanto teórica como experiencial e emocional.

No final do dia estávamos cheios de vontade de conhecer as surpresas que nos aguardavam no dia seguintes, principalmente aquando da apresentação do nosso trabalho "At STAKE-holding".

Tiago


sexta-feira, 26 de junho de 2009

Workshop no Porto

Trabalho com Crianças e Famílias Vitimas de Maus Tratos em Contexto de Acolhimento Terapêutico, é a proposta de um dia trabalho no porto em torno do Acolhimento Terapêutico, no dia 11 de Julho de 2009
Pedro Vaz Santos

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Diário da Conferência da ISPSO em Toledo - Dia 1

Hoje à noite partimos rumo a Toledo para mais uma conferência da International Society for the Psychoanalytic Studies of Organizations (ISPSO) onde vamos realizar uma comunicação no sábado. O programa é muito bom e estamos bastante entusiasmados com a nossa apresentação. A nossa facilitadora vai ser Marlene Spero, grupanalista e consultora organizacional.

O programa pode ser consultado aqui.

Durante estes dias vamos colocar aqui no blog o que temos aprendido e os vários colegas com quem temos trocado opiniões, em forma de diário.

A troca fértil de ideias é sempre uma das mais valias do congresso da ISPSO.

TSM

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Livros Acolhimento Terapêutico de Crianças

Coloquei uma lista de livros na amazon, sobre Acolhimento Terapêutico de Crianças. A lista ainda está em construção, espero adicionar mais títulos e comentários de forma a orientar algumas escolhas. Todos os livros adicionados já li e tenho acesso, por isso podem pedir informações adicionais.

PS: Não ganho nehuma comissão na Amazon, é só uma maneira mais fácil de criar uma lista bibliográfica sem que as pessoas morram à procura dos livros.

Pedro

terça-feira, 23 de junho de 2009

Bairro da Bela Vista em Setúbal II


Recebi recentemente um texto muito interessante publicado no "Le Monde Diplomatic" pelo Padre Constantino Alves, Pároco da Paróquia de Nª Sr.ª da Conceição. Apesar de sair um pouco do tema do blog, achei que valia a pena partilhar convosco uma parte do mesmo texto. Pedi autorização para publicar aqui um excerto do mesmo e agradeço desde já a disponibilidade do Padre Constantino Alves para o mesmo. Espero não o mutilar muito no esforço de o presentar aqui.

TSM

"A MINHA EXPERIÊNCIA BAIRRO DA BELA VISTA

Faz nove anos que na minha função de padre percorro o Bairro da Bela Vista.

Posso dizer que subo e desço constantemente as suas escadarias escuras, entro nas casas das pessoas, falo com grupos de jovens de dia e de noite.

Conheço os recantos mais problemáticos, calco o lixo nas escadas e sinto o odor de dejectos e esgotos a céu aberto.

Desde o início me habituei a ir ao encontro de quem não conhecia, particularmente dos jovens, tomando a iniciativa em cumprimentá-los e apresentar-me. Por vezes, quando passo junto a um grupo pergunto se alguém me conhece e há sempre um jovem que diz: “Conheço”. Peço-lhe que me apresente aos seus colegas enquanto estendo a mão a um e outro e ele diz: “É o padre!”. A partir daí estou aceite. Cumprimento-os de acordo com os seus códigos. Isso me familiariza.

Entrei em casas verdadeiros tugúrios, onde a pobreza extrema era patente. Casas com os colchões no chão, já velhos e rotos, salas sem uma mesa nem cadeiras, janelas sempre fechadas por que estavam podres, doentes acamados há vários anos dormindo em enxergas, sem frigorífico nem fogão (a comida era feita sobre um grelhador de peixe). E apesar disso tudo, nem as assistentes sociais, que já conheciam o caso, faziam mais do que atribuírem o subsídio de reinserção social. Foi preciso mobilizar os nossos recursos para oferecer mesa, cadeiras, frigorífico, televisão, fogão, cobertores e lençóis àquelas duas mulheres desgraçadas, uma com uma paralisia infantil e a mãe com uma forte anemia.

Vi quatro famílias a viverem numa única casa, vinte e duas pessoas ao todo, num ambiente escuro e doentio.

Vi casas negras pela humidade, janelas podres e sem vidros tapadas a papelão há vários anos.

Vi o abandono duma família a quem a casa ardeu com tudo o que lá havia dentro e que esperou sete meses para que a Câmara viesse colocar janelas e portas apesar de promessas sucessivas de que na próxima semana lá iam…

Vi casas onde a água escorria do tecto descendo pelos fios das lâmpadas.

Vi casas sem água há vários meses.

Vi casas com as janelas e portas fechadas com tijolo para ninguém as ocupar e a população sem saber porquê.

Vi postes derrubados com os fios eléctricos pelo chão semanas e semanas.

Vi montureiras e lixo de vários anos nos vãos das escada, e os serviços de limpeza a passarem ao lado,

Ouvi o queixume dos pobres já desesperados de quem tanto espera

Ouvi a raiva incontida de famílias que acusam as autoridades de não lhes prestarem atenção.

Vi grupos de adolescentes dias e dias em pequenos grupos desocupados e presa fácil de outros mais aventureiros.

Vi a droga a ser vendida às claras nos locais sobejamente por todos conhecidos e a preocupação de famílias por não verem acções dissuasoras ou repressivas.

Vi a insegurança estampada no rosto de muitos que à noite não saem das suas casas para participarem em reuniões ou conviverem

Vi as frases agressivas e ofensivas à polícia escritas nas paredes meses e meses a fazerem a sua acção psicológica sem ninguém perceber que isso ia minando as relações com as forças da autoridade.

UMA MASSA ENORME DE CASARIO

São 1259 fogos, cerca de 6500 pessoas, que formam as três unidades urbanas pertencentes à Câmara Municipal e divididas por cores: “Os Azuis”, “Os Rosa” e os “Amarelos”.

Construídos há cerca de trinta anos para serem habitados pelos operários provenientes das várias regiões do país para as diversas empresas de Setúbal: Setenave e várias fábricas do sector automóvel e químico. Todavia logo após o 25 de Abril e dando eco às legítimas aspirações dos “sem habitação” que moravam em barracas e no “quartel de S.Francisco”, retornados de África, além da comunidade cigana, estes bairros foram-lhes destinados. Sem um necessário enquadramento e acompanhamento técnico-social aí foram instaladas estas centenas de famílias.

Por ironia do destino, este bairro da Bela Vista construído nas margens da cidade situa-se hoje quase no centro da cidade, atendendo à construção das unidades educativas do Instituto Politécnico e da anunciada “Nova Setúbal” no Vale da Rosa!

Há questionamentos sobre o tipo de arquitectura:

Segundo os autores deste projecto, muito peculiar, com varandas compridas, pátios interiores, isso favoreceria a convivência entre as famílias.

Outros, pelo contrário, olhando para os resultados, discordam totalmente.

ESTIGMAS DA BELA VISTA

“É da Bela Vista!”, lá são só “pretos e ciganos”, “aquilo é só violência”. São preconceitos destes que criam uma ideia distorcida e redutora da vida nestes bairros.

O bairro que não beneficiou de qualquer pintura desde a sua construção tem uma cor feia e descolorida: pichagens, graffitis de mau gosto, portas sem fechadura, gradeamentos partidos, jardins ao abandono, electricidade lúgubre ou inexistente nos pátios interiores e nas escadarias das habitações.

De fora ninguém passa pelo bairro com interesse a não ser para visitar algum familiar ou amigo. Nada há de atractivo: zonas de lazer e convivência, iniciativas culturais, comércio atraente ou oficinas que dessem resposta a necessidades da vida local. Nem mesmo o lindo Parque Verde da Bela Vista consegue disfarçar esta grande ausência de pólos atractivos.

Taxistas recusam-se a ir ao centro do Bairro durante a noite. Jovens escondem a sua morada, dando a de familiares noutras zonas da cidade, quando respondem a ofertas de emprego.

Nos “Azuis, por exemplo, não há um único parque recreativo para as crianças, apenas um café frequentado quase só por uma etnia.

Entre os moradores, por vezes com dificuldade de entrelaçamento intercultural, tenta-se não criar problemas e conflitos, numa coexistência forçada.

O forte índice de analfabetismo e o abandono precoce da escola, deixam a faixa etária entre os 13 e 16 anos desprotegidos, abandonados a si e à rua, vulneráveis a aliciamentos para a marginalidade.

Uma sociedade de consumo que acena com ilusões e padrões sociais propostos a que muitos destes adolescentes e jovens não podem aceder, cria a tentação do risco e do arranjar dinheiro como puderem e alguns enveredam pelo consumo ou tráfico de droga e roubos.

Sem vislumbrarem perspectivas de vida, surge-lhes um futuro e horizontes sombrios que não os estimulam a ser protagonistas do seu futuro. Os baixos salários e o trabalho precário desmotivam-nos.

Confrontados com a incúria ou desleixo, muitas vezes pelas várias instituições públicas, que sentimentos podem fazer germinar dentro dos adolescentes e jovens?

SINAIS PORTADORAS DE ESPERANÇA

O elevado número de crianças, adolescentes e jovens que frequentam a escola são um sinal de esperança para os tempos futuros. Quase como flores lindas no meio do pântano, muitos jovens delineiam projectos de vida e esforçam-se acumulando estudo e trabalho.

Muitos são os vizinhos que se entreajudam com alimentos e prestação de serviços de vizinhança.

Muitas são as horas passadas junto de doentes ou de famílias a viverem situações de luto. É de notar, por exemplo, na comunidade de origem africana que todos as noites na primeira semana de luto, vizinhos estão junto da família, ora conversando, ora rezando com ela.

Há um sentimento nos jovens muito marcado pela amizade e solidariedade. Embora discordando de comportamentos que condenam, roubos, violência, droga, eles são “seus amigos”. Isso viu-se nos últimos acontecimentos da Bela Vista.

É uma população que responde facilmente a desafios para acções de luta em prol do bairro, portadora de dinamismos transformadores.

Após o atropelamento mortal dum homem quando atravessava uma das avenidas beneficiada há vários meses com um tapete de alcatrão, mas onde não foi colocado qualquer sinal de trânsito e passadeiras, a população organizou-se a apresentou um baixo-assinado de protesto e reclamação de medidas urgentes. Feita a promessa para sua efectivação num curto prazo de poucas semanas foi preciso esperar meio ano.

Como solidariedade para com uma família com ordem de despejo, formada por uma mãe desempregada e duas filhas deficientes, os vizinhos organizaram-se e fizeram outro baixo-assinado dirigido à Câmara.

O DESAFIO ÀS INSTITUIÇÕES

Várias são as instituições com acção ou influência no bairro, destacando-se a Escola, a Cáritas, a Câmara, a ACM, a PSP, a Paróquia, a Associação Cabo-Verdiana, o Club Desportivo “Os Amarelos”, entre outras. Cada uma desenvolvendo a sua actividade própria, encontram dificuldades para acertarem estratégias comuns e formas concertadas de acção.

Sectores como a juventude, a exclusão social, o meio ambiente, a segurança no bairro, a educação, a cultura, a terceira idade, a diversidade étnica e cultural bem necessitam disso.

QUE FUTURO PARA A BELA VISTA?

A Bela Vista é um problema, mas também um desafio e uma oportunidade de se desenvolver uma acção transformadora

Aos moradores, uns já desencantados outros em vias disso urge apresentar sinais rápidos e visíveis.

Já há estudos e diagnósticos que cheguem. Às vezes até parece que alguns, uns atrás dos outros, servem para técnicos ganharem dinheiro e para políticos apresentarem conclusões.

SOLUÇÕES RADICAIS?

UM PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO?

Demolir o bairro da Bela Vista à semelhança do que foi feito noutros países e transferir a população para novos bairros construídos com dinheiro da venda dos terrenos? Requalificá-lo com intervenções também no interior das habitações? Demolir partes do Bairro apenas?

Problemas muito difíceis, atendendo às dimensões do bairro e ao facto de várias das habitações pertencerem já aos respectivos moradores.

Não há soluções fáceis. A responsabilidade é de todos, embora em graus diferentes, instituições públicas e cidadãos, pois estão em patamares e responsabilidades diferentes. Mas nenhum por si mesmo, sem um projecto aglutinador poderá ensaiar respostas que erradiquem as causas profundas da exclusão social e da violência.

E assim, há que saber quais e como articular medidas e acções de curto, médio e longo prazo.

Sem o envolvimento da população nada de estável e promissor será feito. E isso implica um plano de proximidade dos poderes responsáveis, um ouvir os problemas e soluções propostas pelos moradores. Com eles iniciar-se ou ampliar-se uma coresponsabilidade organizada, comissões de moradores, de condóminos e dum conselho geral do bairro.

Mas também torna claro: poderes públicos, autarquia (proprietária do bairro) e Governo têm de fazer mais e melhor. Suspenso o Proqual (Plano de requalificação das zonas sub-urbanas) o bairro foi votado ao esquecimento pelo Governo.

A autarquia incapaz de proceder a uma requalificação de fundo reclama do Governo a sua imediata intervenção.

Só o esforço conjugado dos vários poderes públicos, instituições que trabalham no bairro e população poderá aurir uma esperança duradoura.

Começar já!"

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Um novo membro do blog

A partir de hoje o blog conta com a participação de mais um elemento Nuno Pinho Francisco.

O Nuno é psicólogo clínico de formação e há vários anos que faz parte da equipa técnica de um lar de acolhimento prolongado, tendo já bastante experiência na área. Acresce que os seus comentários já há muito que vinham enriquecendo este blog, pelo que ficamos muito contentes em contar com a sua participação.

Nuno, muito obrigado por te juntares e contribuíres neste blog!

TSM

Ariscar em campos de férias

Esta é a minha primeira colaboração como blogista neste espaço, pelo que agradeço desde já o convite do Tiago Mendes e do Pedro Santos. E por que o verão começou ontem e sobre crianças em risco se inscreve neste blog, gostaria de partilhar como se pode a-risc-ar por parte dos profissionais da área de acolhimento residencial, no que concerne a providenciar experiências de campos de férias externos e residenciais (mas fora da residência-instituição) a jovens em acolhimento residencial. Da minha prática, tenho utilizado há 7 anos a rede nacional de campos de férias do Instituto Português da Juventude http://fm.juventude.gov.pt/ (logo, uma rede comunitária), como se eu fosse um qualquer Encarregado de Educação que simplesmente inscreve o seu educando nas comumente chamadas "colónias de férias". Os resultados envolvem riscos: os jovens são inscritos em grupos de dois ou três em campos de regiões diferentes (Braga; Leiria; Algarve; etc.) e eles próprios se deslocam sózinhos em transportes para as mesmas, tendo em conta que nem sempre é fácil uma adaptação a essa elevada necessidade de autonomia psicológica e social. Os benefícios são enormes: o êxito ronda os 90% e promovem-se competências sociais e psicológicas nunca antes alcançadas pois falamos de uma real adaptação, dita em meio natural de lazer. Uns fazem amigos, outros até namoradas. Alguns, com tendencias mais anti-sociais, são até altamente elogiados pelos monitores e organizadores dos campos. Claro está, que o nosso acompanhamento de retaguarda de preparação e acompanhamento é imprescendível (mesmo até pelo telefone).
Nuno Francisco

Noite de teatro no São Luiz dedicada aos maus-tratos

Hoje às 21h há Noite de Teatro "Prevenção dos Maus Tratos na Infância" no Teatro São Luiz, em Lisboa. O interessante programa começa com a peça "Não chove de baixo para cima", uma peça sobre o quotidiano de uma professora. Seguidamente realiza-se um debate com a presença de Ana Sara Brito (Vereadora da Acção Social), Armando Leandro (presidente da CNPCJR), Margarida Medina Martins (AMCV), Maria Manuela Calheiros (ISCTE), João Lázaro (encenador) e Sandra José (dramaturga e intérprete).

Parece-nos uma iniciativa a não perder e que certamente vai enriquecer quem participar. A entrada é livre!

TSM

Therapeutic Community Open Forum

O movimento das Comunidades Terapêuticas parece estar a recuperar uma vitalidade que faz lembrar a reforma na área da saúde mental dos anos 60. A ideia de Comunidade Terapêutica desenvolvida inicialmente nos momentos que antecederam a guerra com o conceito de terapia pelo meio, e posteriormente no período da Grande Guerra com as experiências de Northfield, parece estar a voltar numa certa contraposição a modelos do tipo “Quick Fix” alicerçados em farmacoterapia. A ideia de Comunidade Terapêutica assenta no princípio que a responsabilidade partilhada e a voz dos utentes (clientes), são dois elementos centrais para qualquer processo terapêutico. Tom Maim lembrou por diversas vezes que o pior elemento iatrogénico do hospital psiquiátrico e a desresponsabilização dos utentes e a consequente alienação da realidade.

A ideia de Comunidade Terapêutica, não é nem nunca foi a ideia de medicalizar a intervenção psico-social ou psicopatologizar. Pelo contrário é no movimento das Comunidades Terapêuticas que encontramos a génese da intervenção psico-social enquanto intervenção geradora de mudança e a (des)psicopatologização dos utentes acompanhada pela devolução de uma voz e uma responsabilidade real sobre a vida do hospital ou da unidade terapêutica.

Um bom exemplo deste movimento de revitalização é o site wiki: Therapeutic Communities Open Forum, com uma rádio associada da qual é possível realizar diversos podcasts de conferências e diários de bordo.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Gestão e Liderança

Gestão e Liderança em Instituições de Crianças é o nome de um primeiro curso que estamos a desenvolver em parceria com o Departamento de Formação Permanente do ISPA. Um curso que pretendemos que seja inovador na maneira como olha os processos de gestão das instituições que acolhem crianças, tendo como objctivo máximo promover a orientação das instituições para as necessidades das crianças. Uma boa oportunidade para os técnicos que querem reflectir sobre a cosntrução de modelos de gestão que se adequem às tarefas terapêuticas e educativas das instituições de acolhimento.

Podem consultar o programa aqui, as inscrições serão geridas pelo o ISPA de Lisboa.

sábado, 13 de junho de 2009

Visita à Mulberry Bush - Dia 3


Chegámos um pouco antes das 9h à Mulberry Bush. Dave Roberts estava à nossa espera para mais um dia intenso em aprendizagens. No decorrer deste dia vários elementos do grupo estiveram presentes em diferentes momentos da vida da Mulberry Bush. É de destacar que o grupo dividiu-se em vários pequenos grupos, todos com tarefas e aprendizagens distintas. Houve a possibilidade de observação de duas Tuesday Clinic e de duas Internal Case Conferences. Acresce que alguns elementos ainda estiveram com John Turberville, director da escola, a discutir como a gestão da escola pode ter um efeito terapêutico para as crianças - therapeutic management.

A Tuesday Clinic é um momento regular para discutir um assunto específico em que se juntam, a pedido, os vários elementos da "Treatment Team". Ou seja, o prestador de cuidados de referência, um elemento da escola (que é residencial), o psicoterapeuta e o elemento da equipa de trabalho com as famílias que acompanha a família da criança. Os elementos que estiveram presentes consideraram marcante a forma como foram abordados os temas.

A Internal Case Conference é a reunião de avaliação do progresso das crianças que ocorre a cada seis meses. Quatro visitantes tiveram a oportunidade de observar, em grupos de dois, estas reuniões. Aprendemos muito uns com as epxriências dos outros, visto que existiram vários momentos a ocorrer em simultâneo.

Mais uma vez, foi um dia intenso em aprendizagens!!!

Em breve, teremos mais novidades!

TSM

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Visita à Mulberry Bush - Dia 2

Chegámos pontualmente à Mulberry Bush às 8h50. O Dave Roberts recebeu-nos e introduziu-nos o programa de trabalhos do dia.

9h00: Opening meeting for pre-occupations and thoughts (facilitated by Dave Roberts and John Diamond)

9h40: Morning meeting

10h00: "Spaces for Growth - 60 years of Child Psychotherapy at the Mulberry Bush School" presented by Caryn Onions and Jennifer Browning

11h00: Coffe Break

11h15: “How can we care for the children” – Presentation by Care Team followed by tour

12h30: Lunch (on site)

13h30: Seminar 1 - “Mulberry Bush as a Therapeutic Community – Culture and Context 1948-2008” followed by Dave Roberts

14h45: Tea Break

15h00: "The work of the schools, family and professional network team" presented by John Agudelo

15h45: Therapeutic Education - discussion with Andy Lole

16h45: Closing day meeting for reflections

17h45: Regresso ao Hotel

É de salientar a observação do Morning Meeting, a reunião diária com um representante de cada sector da casa e gerida pelo John Turberville. Através da Agenda do Outlook, durante a reunião, as equipas da Mulberry Bush discutiram a agenda semanal e diária. Ficámos muito contentes quando vimos "Estudantes Portugueses" na agenda. A seguir cada sector (educação, prestação de cuidados, manutenção, cozinha, etc.) passou a informação relevante referente aos seus sectores.

A visita às casas e salas de aulas também foi marcante por nos permitir ver in loco como aplicam as ideias sobre acolhimento terapêutico.

Foi um dia intenso em aprendizagens!!!

Amanhã há mais!

TSM

domingo, 7 de junho de 2009

Diário da Visita MB - dia 1

Começou hoje o primeiro dia da visita à comunidade terapêutica para crianças Mulberry Bush. Acabámos de chegar a Oxford ao Hotel Linton Lodge e o grupo de visitantes veio bastante motivado durante a viagem. Temos estado a reler os textos de John Diamond colocados no site da visita e a trocar impressões acerca dos mesmos. 

O tempo em Oxford está frio e com a ameaça constante de chuva, mas a moral continua alta!!!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Golf por uma Causa

O Centro de Acolhimento Temporário a Catraia, talvez tendo em atenção o excelente tempo algarvio e as boas condições para a prática de Golf, lança o desafio de um 13 de Junho (Sábado) bem passado e solidário no Campo Pestana Alto Golf em Portimão. Podem consultar o programa aqui. Inscrevam-se.

Infelizmente eu não vou poder comparecer por ainda estar em Londres.

Um Abraço aos amigos da Catraia, Nuno Encarnação e Rita Cristo.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Visita Mulberry Bush

Caros Amigos estamos, a uma semana de um dos projectos mais acarinhados por nós ao longo deste ano: a viajem à Mulberry Bush School. Como sabem a Mulberry Bush School é uma instituição de referência no trabalho com crianças vítimas de diferentes formas de maus tratos e privações, apresentando graves perturbações emocionais e do comportamento. A escola foi fundada no pós guerra por Barbara Dockar Drysdale e é até aos dias de hoje uma verdadeira escola de boas práticas nesta área. O Grupo de visitantes é constituído por 8 participantes e mais dois facilitadores nos quais me incluo, e terá como objectivo aprender em contexto real e de imersão as melhores práticas de trabalho terapêutico em contexto residencial. Estou certo que as observações e as aprendizagens serão muito rica e obviamente a curo prazo vertidas em posts no blog ou na realização de um pequeno documento síntese.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Caso Alexandra

O caso Alexandra, pelo sofrimento que provoca na criança, na família que a acolheu e - cremos que também - na família biológica, obriga-nos a um reflexão profunda sobre a articulação do nosso sistema de protecção.

Não queremos saltar para conclusões rápidas nem juízos críticos sumários e demagógicos. Convidamos sim os nossos leitores a estudarem o Acórdão do Tribunal da Relação de Guimarães que decidiu pela entrega da criança à mãe biológica e o subsequente regresso à Rússia.

No site do jornal Público pode ainda ver-se a sentença do Tribunal Judicial da Comarca de Barcelos.

PVS

terça-feira, 26 de maio de 2009

Intervenção mãe-bebé em contexto residencial terapêutico (Cassel Hospital)

Ainda sobre o Cassel Hospital referido no post anterior, segue o link de uma conferência com o título Mother/Baby Work 1948-1998: A Tribute to Tom Main, proferida por Jennifer Johns, filha de Tom Main, director do Hospital no pós-guerra. Nesta conferência, que poderão ouvir em podcast, terão a oportunidade de, em primeira mão, saberem um pouco mais sobre a génese do trabalho mãe-bebé em contexto residencial terapêutico.

PVS

Intervenção Psico-Social

Existe um livro de leitura fácil e bastante compreensível que na minha opinião abre horizontes para pensarmos o trabalho em contextos residenciais. "Psychosocial practice within a residential setting" é um livro notável editado por Peter Griffiths sobre um conjunto de experiências e técnicas de intervenção do Cassel Hospital, uma unidade de saúde mental de excelência que acolhe adolescentes, adultos e famílias em crise.

Neste livro poderão encontrar muito da génese do pensamento associado às comunidades terapêuticas em saúde mental e à intervenção psicossocial. É também uma excelente introdução ao legado extraordinário que Tom Main teve na saúde mental da segunda metade do século XX.

PVS

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Mês dos Maus-Tratos na Infância com "Antwone Fisher"

No âmbito do Mês da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância, a Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco, a Associação das Mulheres Contra a Violência e a Câmara Municipal de Lisboa organizaram a exibição do filme “Antwone Fisher” (2002) de Denzel Washington no dia 26 de Maio às 21h no Cinema São Jorge (Lisboa), seguido de debate moderado por Paula Torres de Carvalho (jornalista) e com a presença de Anália Torres (socióloga e professora universitária) e Maria do Carmo Sousa Lima (psicanalista). Deixo-vos com o trailer.



PVS

Acolhimento de crianças e jovens - Entrevista a Bruno Anjos

No dia 19 de Março realizou-se um entrevista / debate com o Bruno Anjos, Director do Centro de Acolhimento de Emergência – Casa do Lado do Centro Distrital da Segurança Social de Lisboa que acolhe jovens dos 14 aos 18 anos de idade. A entrevista e o debate foram particularmente interessantes, pelas imagens práticas que o Bruno Anjos transmitiu sobre o acolhimento, nomeadamente ao nível da disponibilidade física e mental dos recursos humanos tendo por base as exigências diárias que estes jovens colocam às equipas. Acolher jovens nas zonas metropolitanas exige equipas especializadas e uma muito boa gestão de limites, regras e segurança para que a casa de acolhimento não se transforme rapidamente num meio social e físico perigoso. Não há dúvida que uma atenção mais diminuta ou alguma ingenuidade no acreditar que todas as crianças no sistema de protecção por serem crianças em perigo (vítimas) são por essa razão incapazes de agredir, tem levado nos últimos tempos a uma colecção de episódios pouco felizes no nosso sistema de acolhimento.

Pergunto-me como é possível ainda hoje os centros de acolhimento, centros que acolhem crianças ainda não diagnosticadas, tenham quartos conjuntos e com somente uma pessoa de turno no período da noite? Parece-me a mim que deixou-se cair um véu sobre o acolhimento que nos impede pelo menos parcialmente de vermos quem são e quais as necessidades das crianças que acolhemos.

PVS

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Seminário "CPCJ: Contextos e Pretextos" (Loulé)

A Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Loulé está a organizar um seminário intitulado "CPCJ: Contextos e Pretextos" a realizar no próximo dia 29 de Maio no Centro Autárquico de Quarteira. O programa encontra-se aqui.

TSM

sexta-feira, 15 de maio de 2009

O modelo Tavistock

Para quem ainda tem tempo para ler, descobri que está online a colectânea completa dos três livros Tavistock Anthology: The Social Engament of Social Sciences.

Os três volumes são constituídos por uma colectânea de textos inovadores e que marcaram os primeiros anos do Instituto Tavistock após a cisão com a Clínica Tavistock, que dão conta da aplicação dos conhecimentos adquiridos na área da teoria psicanalítica, sistémica e group relations, à compreensão de fenómenos organizacionais e sociais.

No conjunto dos três volumes devo reforçar que o primeiro volume, "The Social Psychological Perspective" é quase todo de leitura obrigatória e, acreditem, depois de lerem o livro ficam com um novo olhar sobre a vida das organizações.

PVS

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Observação de bebés - O método Tavistock

Os centros de acolhimento que acolhem crianças mais pequenas, bebés, sabem que muito do seu trabalho de avaliação da criança e da sua interacção com a família desenvolve-se com enorme subtileza e sensibilidade.

Avaliar e compreender bebés e crianças pequenas é uma tarefa muito sofisticada e requer do observador uma enorme disponibilidade. Nos finais dos anos quarenta (1947), John Bowlby da Clínica Tavistock, desafiou Esther Bick a desenvolver um método de observação de bebés e crianças pequenas que servisse de metodologia de treino de futuros psicoterapeutas de crianças. Hoje o método é conhecido por método de observação Tavistock (Tavistock Observation Method), e é utilizado em diferentes contextos, incluindo em contextos de avaliação em matéria de protecção.

Mais recentemente foi publicado um jornal científico “peer review” só dedicado a este método de observação de bebés e crianças pequenas, o “Infant Observation”, este é um periódico que vale a pena ser subscrito pelas instituições que acolhem crianças pequenas e que melhor ilustra o impacto que o método de observação Tavistock tem tido no desenvolvimento da compreensão do desenvolvimento mental da criança pequena.

PVS

terça-feira, 12 de maio de 2009

Comunidades terapêuticas para adolescentes

John Whitwell colocou no seu site em formato PDF, um pequeno livro de Melvyn Rose intitulado "The trouble with teenagers: A guide to caring for disturbed adolescents". Estou certo que a leitura vai-se revelar interessante e ilustrativa do que é uma comunidade terapêutica para adolescentes vítimas de maus-tratos.

PVS

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Acolhimento terapêutico por David Millar. O que se segue?

O workshop "Acolhimento Terapêutico" dinamizado pelo David Millar deixou água na boca para muitas mais iniciativas. Saímos do workshop extremamente optimistas. Primeiro, pelo excelente grupo de participantes dispostos a reflectirem e a arrriscarem-se a trabalhar um dia em Inglês. Segundo, pela ideia de que acolher crianças tem que ser muito mais do que dar cama, alimentação e educação. É necessariamente repôr um processo de desenvolvimento, desconstruindo modelos relacionais patológicos e reconstruindo vinculações seguras.

Ficou a máxima: se andarmos com uma caixa de ferramentas para reparar os problemas carregada somente com um martelo, ao fim de algum tempo todos os problemas irão ter para nós a forma de um prego.

Muito em breve iremos anunciar um conjunto de iniciativas de forma a enchermos as caixa de ferramentas dos profissionais desta áreas com muito mais do que um simples martelo.

Se estiver interessado em receber informação actualizada sobre acções de formação nesta área, envie um mail para vaz.santos@labirintoscoloridos.com, de forma a construirmos uma mailing list.

PVS

sexta-feira, 8 de maio de 2009

O Serviço Social Sistémico e a intervenção em rede


O Serviço Social moderno já está muito longe do velho assistencialismo. É um Serviço Social com modelos epistemológicos sólidos e com uma capacidade de pensar os fenómenos humanos próprios de um corpo teórico científico aplicado à prática. O Serviço Social que sabe olhar para os modelos sistémicos de intervenção em sistemas humanos/sociais é um Serviço Social inovador, com rasgos de excelência, capaz de motivar uma nova geração de programas de intervenção e de criar verdadeiras pontes integradas entre várias áreas do saber.

Sónia Guadalupe já nos tinha impressionado pela edição activa e sempre actualizada do seu blog Insistente Social. Mas hoje, com a publicação de um post sobre o seu novo livro "Intervenção em Rede - Serviço Social, Sistémica e Redes de Suporte Social" surpreendeu-nos mais uma vez. Aconselho vivamente a olharem com atenção para o índice deste livro que me parece ser de uma máxima pertinência. Vou encomendar o livro já!

PVS

Os tempos de espera da adopção

Existem muitas ideias, e talvez alguns falsos entendidos, associados ao tempo de espera associado a uma adopção. Tempos longos, demorados, por vezes incompreensíveis para quem espera e sonha por ter um filho. Não gostaríamos neste post de aprofundar as causas e os motivos que marcam a tramitação do processo. Gostaríamos sim de chamar a atenção da necessidade imperiosa que os casais adoptantes têm de saber em que fase do processo e em que lugar na lista de espera se encontram. O pais adoptantes, e as suas famílias, têm necessariamente de poder perspectivar o processo e os tempos associados de forma a programarem a sua parentalidade. Parece-me inconcebível que os casais adoptantes não sejam contactados durante anos e depois sejam confrontados, do dia para a noite, com a apresentação de uma criança e a necessidade de ser tomada rapidamente uma decisão. Não devemos esquecer que na parentalidade biológica temos 9 meses para, parafraseando Eduardo Sá, engravidamos psicologicamente. Ser pai ou mãe implica uma processo intenso de preparação e de mobilização de recursos psicológicos de modo a criar-se um enxoval de amor, de afecto e de parentalidade que possa acolher a criança.

Ninguém deveria ter que ser pai da noite para o dia, mesmo quando a parentalidade é um sonho muito desejado. Esperar só é uma tortura quando se espera num total vazio.

PVS

quarta-feira, 6 de maio de 2009

509º Aniversário da SCM Santarém - Dia aberto dedicado ao acolhimento de crianças

A Santa Casa da Misericórdia de Santarém pelo ocasião do seu 509º Aniversário irá realizar no dia 19 de Maio, de manhã, um debate sobre acolhimento de emergência de crianças. O debate na primeita parte irá contar com uma entrevista realizada pelo Tiago Sousa Mendes, consultor externo de diversas instituições de acolhimento, a Bruno Anjos, director da Casa do Lago do Centro Distrital da Segurança Social de Lisboa. Consulte o programa inscreva-se com urgência; há poucos lugares!

PVS

terça-feira, 5 de maio de 2009

Reflectir sobre consultoria organizacional no Congresso Anual ISPSO

O Congresso Anual da ISPSO - International Society for the Psychoanalytic Study of Organizations este ano é em Toledo, e é uma excelente oportunidade para todos os que querem reflectir sobre consultoria organizacional.

Numa fase em que as organizações que trabalham com pessoas - escolas, lares de infância e juventude, centros de acolhimento temporário, centros de apoio familiar e aconselhamento parental - solicitam supervisão e consultoria externa, é importante aprofundarmos os métodos e os referenciais teóricos que nos permitem pensar a vida organizacional.

Chamamos atenção de dois papers com cunho português: "Under the skin of the organisation: Violation and shamelessness - searching for a model to explore proto-mental dynamics" de Richard Morgan Jones e Nuno Torres e "At stake-holding integration and containment in non-profit organizations" de Pedro Vaz Santos, Tiago Sousa Mendes e Joana Branco.

PVS

domingo, 3 de maio de 2009

Jornadas "Desafios e responsabilidades da intervenção com jovens em risco"

O Centro Jovem Tabor está a organizar as primeiras Jornadas Técnicas Internacionais dedicadas ao tema "Desafios e responsabilidades da intervenção com jovens em risco" a decorrer no dia 22 de Maio no Instituto Politécnico de Setúbal.

Chamo a atenção para o excelente painel de conferencistas, onde se incluem António Coimbra de Matos, Carlos Amaral Dias, Jordi Royo e Rafael Israel. É ainda de notar a presença de Richard Rollinson, antigo director da The Mulberry Bush School.

O Centro Jovem Tabor está de parabéns por esta iniciativa que muito vai contribuir para a reflexão sobre as boas práticas na intervenção com crianças de risco.

TSM

sábado, 2 de maio de 2009

Nos limites do contrabando

Hoje e amanhã estou numa visita à zona da raia portuguesa, na Beira. Uma exploração que tem se revelado particularmente interessante ao nível da reflexão da gestão cultural que os grupos fazem em torno dos limites e fronteiras. Numa zona com uma das fronteiras políticas mais antigas da Europa, é particularmente interessante observar o impacto que o contrabando teve no moldar da vida económica e social das populações. O impacto da fronteira e da actividade contrabandista é particularmente notado na criação de uma gíria e dialecto próprio destas gentes que tiveram de ao longo dos anos encontrar formas de comunicarem sem serem compreendidas pela Guarda Fiscal e Guardia Civil espanhola.

A linguagem alterou-se mais por via da actividade que viola os limites (contrabando) e menos por via da mesclação cultural de quem vive perto de Espanha. Situação semelhante é verificável noutros grupos que vivem da violação e transposição de limites e fronteiras sociais e políticas, como é o caso dos grupos delinquentes juvenis que desenvolvem uma gíria própria quase incompreensível.

Culturalmente, esta é uma zona do país que nos ensina bastante sobre a cultura que os grupos desenvolvem junto às suas fronteiras e com as tarefas que implicam um constante vai e vêm entre os diferentes mundos.

PVS

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Manual de Processos-Chave para Centro de Acolhimento Temporário

Durante esta semana tenho dedicado algum tempo ao Manual de Processos-Chave referente aos centros de acolhimento de temporário (CAT), um documento de leitura obrigatória e de cumprimento mínimo por todas as instituições verdadeiramente responsáveis pelas suas crianças (disponível para download aqui).

Contudo uma análise cuidade obriga a reconhecer que um centro de acolhimento mediano precisa de muitos, muitos, muitos mais recursos do que os habituais, nomeadamente em termos de edificado e de recursos humanos.

Parabéns ao ISS pelo bom manual que obriga os CAT tornarem-se verdadeiros centros de diagnóstico.

PVS

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Formação em acolhimento de crianças

Irá iniciar-se no ISPA no dia 4 de Junho a 3a Edição do Curso "Acolhimento de Emergência de Crianças em Risco". O curso foi revisto: agora tem menos horas, é mais conciso e económico. E existe uma boa novidade: a frequência deste curso, juntamente com a frequência de outros três na área do acolhimento, confere um Certificado Avançado em Acolhimento de Crianças.

Poderão saber mais informações através do flyer da acção de formação ou contactando o Departamento de Formação Permanente do ISPA.

Esta formação será uma excelente oportunidade para todos os que querem pensar os novos paradigmas de acolhimento de crianças, nomeadamente o acolhimento terapêutico.

Inscrevam-se!

PVS

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Abordagem Systems-Psychodynamic

O trabalho de consultoria que temos desenvolvido em diversas instituições sociais tem por enquadramento teórico o que hoje se designa por abordagem Systems-Psychodynamic. Algumas pessoas tem solicitado alguns esclarecimento sobre esta abordagem que cruza conhecimentos vindo da teoria sistémica e da Psicanálise.

A origem do termo Systems-Psychodynamic é associado muitas vezes à publicação do livro de Eric Milles e A.K. Rice "Systems of Organization" em 1967. Contudo os autores nunca utilizam o termos para definir a sua abordagem teórica. Segundo Amy Fraher (2004), só no final dos anos 80 é que Eric Miller, na altura director do programa de Group Relations do Instituto Tavistock, cunhou o termo.

No início de 1992, no âmbito de uma redefinição estratégica do Instituto Tavistock, Eric Miller propõe que o conceito Systems-Psychodynamic seja aprofundado e desenvolvido, constituindo para isso uma equipa de investigadores e consultores organizacionais. Wesley Carr, Tim Dartington, Olya Khaleelee, Isabel Menzies Lyth e Jean Neumann, são alguns dos nomes que estiveram envolvidos no processo de desenvolvimento e consolidação desta abordagem, tornando-a uma referência internacional no mundo académico e organizacional.

O termo Systems-Psychodynamic foi-se afirmando ao longo dos anos 90 integrando abordagens sistémicas e psicodinâmicas de forma a gerar novos entendimentos sobre o comportamento individual, comportamento de grupos e comportamento organizacional. A integração foi sendo realizada tendo por base um modelo de investigação-acção, alicerçado nas experiências práticas das conferências de group relations e através da experiência obtida em projectos de consultoria organizacional.

Podem aprofundar um pouco mais este tema no artigo de Amy Fraher "Systems Psychodynamic: The Formative Years of an Interdisciplinary Field at the Tavistock Institute".

PVS

terça-feira, 21 de abril de 2009

A vontade de deitar fora

Quem trabalha em acolhimento de crianças sabe que por vezes desenvolve-se a sensação na equipa educativa que, se o “João” ou o “Luís” não tivessem sido acolhidos naquele lar ou centro de acolhimento, tudo corria às mil maravilhas. O fenómeno de “bode expiatório” existente em qualquer grupo é particularmente incidente em grupos de forte tensão emocional, como é o caso dos grupos de crianças acolhidas com perturbações emocionais. Existe uma tese de mestrado online intitulada: If only you exclude “Ben” we would be able to work with others just fine! escrita por John Tuberville que vale a pena ser lida.

PVS

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Crianças acolhidas... sem diagnóstico e sem pais

Continuo intrigado pela dificuldade que existe no nosso sistema de protecção em desenvolverem-se respostas de acolhimento temporário ou de emergência que sejam verdadeiros centros de avaliação diagnóstica orientados para a saúde mental da criança.

Vasculhando alguns livros do Eduardo Sá já com alguns anos, verifico que ele já falava há uns tempos da necessidade de criarem-se verdadeiros serviços de urgência um pouco à semelhança dos serviços de urgência hospitalares. Eduardo Sá defendia serviços ricos em recursos técnicos e de diagnóstico capazes de em poucas horas estancarem a hemorragia que uma retirada do meio familiar provoca sempre numa criança e avaliarem as competências da família de forma a desenharem de imediato um plano de intervenção.

Com pena verificamos que continuamos a cair numa dicotomia de bons e maus pais e numa visão simplista que vê o acolhimento como uma espécie de salvação onde as crianças são salvas pelo afastamento da família.

Há alguns anos que os hospitais pediátricos, atentos aos trabalhos de Bowlby sobre a vinculação e em particular a um filme realizado por James Robertson, um psiquiatra da Clínica Tavistock, intitulado "A Two Year Old Goes to Hospital" (1952), mudaram por completo o modelo organizacional dos serviços de Pediatria. Hoje em dia qualquer serviço de Pediatria aprendeu a viver com os pais dia e noite, e passou a proteger a saúde mental da criança colocando preferencialmente a seu lado a sua figura de vinculação.

O que é curioso é que a mesma teoria que serviu de base à mudança nos Serviços de Saúde, e que hoje é indiscutível, seja completamente negada no sistema de protecção. Um bom exemplo disso são os centro de acolhimento em que os pais só podem agendar uma hora de visita por semana às crianças e que não permitem que os pais acompanhem as crianças nas suas rotinas.

PVS