CriançaSemRisco

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Caridade vs Solidariedade

Das discussões que tenho vindo a acompanhar nos media e fora deles sobre a velha questão da caridade vs solidariedade, apetece-me lembrar uma célebre frase do Eduardo Galeano.

"La caridad es humillante porque se ejerce verticalmente y desde arriba; la solidaridad es horizontal e implica respetuo mutuo."

Para quem não teve oportunidade de ver, aproveito para partilhar uma entrevista que deu há relativamente pouco tempo e que passou na RTP2.



ADC

Seminário “Prevenção e combate ao abuso e negligência infantil”

Divulgo.
ADC

***
CONVITE

Seminário “Prevenção e combate ao abuso e negligência infantil”
18 de Dezembro

O projecto Prevenção e Combate ao Abuso e à Negligência Infantil: O que é eficaz? pretendeu reunir conhecimento especializado e práticas concretas relativamente aos mecanismos mais eficazes no combate ao abuso e à negligência infantil, ao longo de todo o sistema de cuidados que vai da prevenção ao tratamento. O projecto foi financiado pela Comissão Europeia, através da Iniciativa Daphne e coordenado pelo Instituto da Juventude Holandês. O CESIS – Centro de Estudos para a Intervenção Social – foi o parceiro português deste projecto, sendo os restantes parceiros envolvidos o conselho regional de Orebro (Suécia), a associação Family Child Youth (Hungria), o Instituto da Juventude Alemão, e o Instituto Verweij-Jonker (Holanda).

Este projecto irá terminar no final do presente ano, encontrando-se, neste momento, na sua fase de disseminação. Para tal, realiza-se um Seminário de divulgação que terá lugar no próximo dia 18 de Dezembro, entre as 09.30h e as 12.30h, no Hotel Vip Executive Barcelona, na Rua Laura Alves, nº 10, Lisboa.

Os principais resultados do projecto serão apresentados no Seminário, nomeadamente o manual de boas práticas deles resultante, cujo sumário executivo será publicado em língua portuguesa. O manual completo estará disponível apenas em inglês.

Caso tenha interesse em participar no Seminário, inscreva-se enviando a ficha de inscrição para o e-mail cesis.geral@cesis.org ou para fax +351 21 386 7225.

Inscreva-se e participe!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Workshop: Trabalho Terapêutico com Grupos


O papel do educador de referência
no acolhimento de crianças e jovens

Mais um workshop promovido pela Labirintos Coloridos sobre acolhimento terapêutico. O tema é trabalho terapêutico com grupos em contexto de acolhimento de crianças.

Pode saber mais em:
www.labirintoscoloridos.com/acolhimento

Inscrições Abertas
Workshop: Trabalho Terapêutico com Grupos
Lisboa, 3 de Dezembro 2012 - 49 euros c/IVA

PVS

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Construção e desconstrução de credibilidade - o peso das redes sociais, dos media e do sentido cívico

Por sugestão de um membro do blog venho aqui partilhar o meu comentário pessoal  (publicado ontem no Facebook) à avalanche de reacções e discussões geradas a partir da intervenção da Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome de Lisboa, na entrevista à SIC Notícias:

Tendo trabalhado quatro anos no Banco Alimentar Contra a Fome, em contacto estreito com a presidente, Isabel Jonet, sinto a responsabilidade de partilhar a minha perspectiva relativamente ao que tenho lido e ouvido através da internet. É a minha opinião, baseada, como disse, em quatro anos de trabalho em conjunto, de aprendizagem na dedicação a uma causa.

O Banco Alimentar Contra a Fome e o seu espantoso crescimento deve-se, concordo a 100% com alguns comentários que li, ao espírito solidário dos portugueses, à nossa raça de entre-ajuda e de “dar o corpo ao manifesto” a favor das nossas comunidades. O Banco Alimentar Contra a Fome, como comprova a nossa participação em peso, é de todos e para todos. Por isso aderimos até agora e acredito que a adesão vai continuar a crescer. Porque o essencial, o que nos move, é a luta contra a fome, a luta contra a discriminação e a injustiça social e isso não pode, acho que aqui concordamos todos, nunca parar. Podem dizer, “há outros meios para lá chegar”. Até agora, em Portugal nunca vi via tão eficaz que tenha merecido tanta credibilidade (graças a uma construção passo a passo que começou há mais de 20 anos e que conta com a participação de cada cidadão). O Banco Alimentar Contra a Fome, o modo transparente como distribui os bens doados pelas famílias que têm menos condições para os comprar, pelo qual até agora temos vestido a camisola e nos sentimos responsáveis e orgulhosos, não deve ser prejudicado, para bem de todos...

Efectivamente, a organização não existe separada da sua direcção e principalmente da sua presidente. É de certa maneira sua expressão.

Quem conhece a Isabel Jonet sabe acima de tudo que o trabalho que tem feito até hoje, com a ajuda de todos, é de uma inestimável dedicação, boa-vontade e compromisso. Não há contas, nem palavras que cheguem aos calcanhares das horas e anos investidos, ao espírito empreendedor, ao ritmo e energia (a mim chegava-me meia-hora de conversa no escritório – interrompida por vários telefonemas, recados, pedidos – para ficar desorientada e precisar de descansar). A Isabel é conhecida pessoalmente por muitos e se há coisa que para a qual nunca lhe faltou tempo foi para ouvir quem lhe pede ajuda e de procurar uma resposta, mobilizando recursos que tem à disposição e os que não tem. Por isso continuo a telefonar-lhe sempre que conheço pessoas que estão a passar por situações críticas que me “ultrapassam”, porque confio na sua proactividade, no cuidado e procura de oportunidades/soluções para propor a quem está a passar por dificuldades. (Um parênteses, em modo de exemplo: Se forem ao Banco Alimentar num dia de semana vão encontrar muito movimento e muitas, muitas pessoas que naquele trabalho encontraram um espaço de convivência, onde são úteis e podem tornar aquilo em que são bons a fazer numa mais-valia para muitos, mesmo que seja uma qualidade considerada pelo mercado de trabalho actual como insignificante, naquele contexto tem o maior valor. Por isso, antes dos alimentos chegarem às famílias e às Instituições de Solidariedade Social que os entregam, passam pelas mãos de pessoas incansáveis e generosas que têm falta de comida em casa, ou têm tudo o que precisam, que têm deficiências motoras ou mentais, ou que estão a cumprir medidas educativas como penas de serviço à comunidade, ou “avós” com mais de 70 anos. É este ambiente de integração e trabalho em equipa, sobretudo voluntário, que caracteriza o Banco Alimentar e que é o ambiente que muitos desejamos para a nossa sociedade).

Penso que só de uma equipa movida por consistência e grande transparência é possível desenvolver uma obra de bem tão grande e gerar tanta confiança. Não foi de um dia para o outro, nem em meia dúzia de anos, foram quase tantos anos como os que tenho de vida e acho que não é justo nem construtivo formar uma impressão a partir de uma declaração de 6 minutos. Porque não confrontar com outras tantas declarações, mas melhor que declarações, analisar mais a fundo o trabalho (as acções, iniciativas, benefícios distribuídos…) que tem vindo a ser desenvolvido, sem dúvida, mais uma vez, com a colaboração de todos, mas particularmente pelos voluntários que diariamente tornam o sonho do Banco Alimentar Contra a Fome Possível, motivados pelo exemplo de dedicação da sua presidente.

Todos temos as nossas implicações com os patrões e eu não sou uma excepção! Em quatro anos tive “razões de queixa” mas muito mais razões houve para me sentir agradecida. E os patrões, ainda que sejam a cara das organizações, assim como nós, têm os seus dias melhores e piores. A meu ver, que tenho “fobia” a câmaras, acho que é preciso valor para fazer declarações que ficam para sempre gravadas e são ouvidas por tantas pessoas. A quem é que as palavras nunca atraiçoaram? Só que normalmente "palavras leva-as o vento"... Declarações, mais e menos felizes são parte do nosso dia-a-dia. Aspiramos, cada vez mais, a que os discursos tenham qualidade, sensibilidade e sentido de colaboração, procuramos que sejam coerentes com a prática. E todos os dias tentamos, somamos as nossas declarações e intenções…todos os dias. O balanço e consistência de uma atitude e postura de estar na vida, inevitavelmente, vê-se nas obras, nas pessoas que beneficiamos ou prejudicamos através das nossas atitudes e iniciativas, com as coisas que pomos em prática.

Todos nós desejamos melhor e a sustentar esse desejo está a esperança. Todos nós esperamos de quem nos rodeia oportunidades para mostrarmos que podemos e queremos continuar a tentar crescer…em empatia, na capacidade de ouvir/aprender e desenvolver boas atitudes, movidos por boas causas.

“Há muitos caminhos para chegar a Roma”. Optamos por múltiplas vias e estilos, mas unem-nos os desejos de bem-estar colectivo, de uma sociedade mais justa. Já vai longa a dissertação, acrescento só uma coisa que tenho pensado muito e que acho que remata bem o que tenho tentado expressar… é que aquilo que, em última instância, distingue os resultados das nossas acções é a intenção que pomos nas coisas – procuramos reconhecimento ou o bem-comum?

Este é o meu propósito: ser movida pelo desejo de bem-comum. Desejo para todos.

...

Hoje acordei a pensar…Mesmo tendo tido tempo para preparar o que queria expor, podia ter escolhido outras palavras, houve pontos que não desenvolvi como gostava, havia muito mais a dizer, se calhar não dei a entender bem o meu ponto de vista... E depois pensava: qualquer declaração pública presta-se a ser criticada. E ocorria-me: só não é julgado quem não tenta fazer nada. Não nos metam medo as críticas.

MM

terça-feira, 30 de outubro de 2012

5º Curso ACOLHIMENTO DE EMERGÊNCIA DE CRIANÇAS EM RISCO

Informamos que irá realizar-se o 5º Curso ACOLHIMENTO DE EMERGÊNCIA DE CRIANÇAS EM RISCO entre os dias 8 de Novembro e 13 de Dezembro de 2012. Para aceder aos seus conteúdos e outras informações poderá consultar os documentos anexos.

Flyer

Ficha de Inscrição

PVS

domingo, 28 de outubro de 2012

Maria Minas

Como fundador deste blog, gostava de dar as boas-vindas à Maria, a nossa nova colega de blog.

A Maria é psicóloga, doutoranda da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa e bolseira da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

A Maria tem dedicado o seu tempo a investigar e reflectir sobre projectos de intervenção na família e na comunidade. Não se limitando à investigação teórica da biblioteca, procurando conhecer o que se faz no terreno em Portugal e no Mundo.

Sem sombra de dúvida que hoje este blog ficou muito mais rico. Obrigado Maria!!

Bem-vinda!

PVS

Uma teoria impressa na prática

É a primeira vez que participo neste blog. Sinto-me grata por colaborar e poder partilhar aquilo que vão partilhando comigo. É este o contributo que espero dar: fazer circular saberes comuns, saberes científicos, saberes gerais e multidisciplinares, multiculturais, saberes que sabemos e às vezes só nos apercebemos quando dizemos ou escrevemos…

Move-me o sonho de, em conjunto, desenvolver o sentido cívico, a solidariedade, entre-ajuda e aproximação entre segmentos sociais. Pano de fundo necessário ao crescimento de relações sem risco, felizes. Despertam-me o interesse e provocam-me o envolvimento os grupos/redes/sistemas como comunidades, escolas, teorias, tudo o que gira na órbita da sociedade e está nas entranhas dos seus processos.

Começo assim...

Gostava de pôr em comum o legado deixado por um autor de quem tenho ouvido citações repetidas vezes, todos os dias, desde que aterrei em Florianópolis para visitar um projecto social nos morros/periferia da cidade. Paulo Freire. A leitura foi-me recomendada, recomendada, recomendada. A sua grande obra é orgulho do povo brasileiro, da América Latina e está imersa na linguagem e prática de professores, educadores, psicólogos, assistentes sociais, sociólogos... Falo por experiência própria, subjectiva: nestes 10 dias de estadia e convivência com brasileiros, tenho a impressão de que aqui se respira e transpira (porque se pratica) participação, colaboração, acreditar nas pessoas, o sentido de troca e reciprocidade…de forma bastante natural, automática e, repito-me, entranhada.

Como investigadora, fiquei a pensar que a literatura escrita noutros idiomas para além do inglês é desvalorizada. Os latino-americanos orgulham-se muito da sua produção e sentem-se subestimados face à gigante visibilidade/procura que têm os artigos "ingleses", ou, como dizemos sem dar por isso, "americanos" (quando há tanta América para além dos Estados Unidos) e fizeram-me questionar sobre o monopólio "estadunidense", em como nos influencia e, se não tivermos consciência, pode chegar a alienar (caso nos fechemos a outras leituras).

Partilho um episódio para exemplificar o que venho comentando, entre os incontáveis exemplos a que tenho assistido e, depois, os links para três livros de Paulo Freire.

Foi uma conversa entre o padre Vilson, um dos líderes comunitários do morro onde estou instalada, e um rapaz de 12 anos – participante do projecto Procurando Caminho (ver vídeo). Apanhei uma parte, em que o padre respondia ao menino: “Quantas bicicletas precisamos para começar? Vamos levar para a frente a tua proposta. Descreve num papel a tua ideia, quero tirar de ti o projecto!” E tirei uma fotografia desse momento, vale a pena reparar.


Os links:
·         Pedagogiado oprimido
·         Pedagogiada autonomia

Desenho-avaliação numa formação do projecto Procurando Caminho 
Vou-me aventurar nestas leituras. Espero que sirva para reflectir, aumentar a compreensão e continuar a surpreender e deixar surpreender a prática. 

"Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre." Paulo Freire

MM

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Pais querem mais autoridade para as escolas ajudarem famílias em risco

E querem muito bem!

"A Confederação Nacional das Associações de Pais vai propor no parlamento que as escolas tenham poder para ajudar as famílias que ficam subitamente sem rendimentos suficientes para manter os filhos a estudar."

Notícia a ler no Jornal de Notícias aqui.

ADC

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Os lugares comuns da Maria

"De diversos lugares, encontros e perspectivas, de um processo de investigação-acção resulta a vontade de pôr em comum o que os sentidos captam e interrogam. No foco estão as relações comunitárias, não se dispensando notar nos processos socio-económicos que influenciam o seu bem-estar. Numa mistura de impressões lúdicas e mais formais, assente numa atitude de curiosidade e abertura para olhar e ouvir, falar de lugares comuns é descrever histórias de todos, que nos inter-relacionam e aproximam."

O blog da Maria Minas sobre intervenções comunitárias a acompanhar de perto!

http://lugarescomunss.blogspot.com.br

ADC

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Conto eu, Contas tu

A possibilidade e a capacidade de contarmos a nossa própria história para nós próprios e para os outros poode ser profundamente estruturante. Quando contamos a vida, construímos uma narrativa. Contamos o conto da nossa vida. Que nunca reproduz o realmente vivido, mas é uma mistura daquilo que foi o vivido e o imaginado, atribuído, acrescentado, retirado. Uma mistura de realidade e ficção, a que damos sentido. E que nos dá sentido.

A narração faz parte da relação consigo mesmo e com o outro. Começa muito antes do acto narrativo, e segue...

Um Wokshop a não perder, um convite à curiosidade e a novas formas de pensar.
"Narrativas de Contos, Narrativas de Vida" com Claudia Fonseca no dia 27 de Outubro

À noite, Cláudia Fonseca, fará ainda uma sessão aberta ao público em geral, com entrada livre.


Mais informações aqui.


CBR


 

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Crianças em risco de... Exclusão

Hoje em dia está provado que as crianças com incapacidade inseridas em contextos educativos inclusivos de qualidade demonstram resultados positivos no desenvolvimento, comportamento e qualidade de vida.
Mas como conseguir uma inclusão de qualidade?


As educadoras perguntam-se muitas vezes:
“Como serei eu capaz de responder às necessidades específicas daquela criança, não podendo esquecer todas as outras crianças na sala?”
 
As respostas não são fáceis mas a preparação dos profissionais é essencial!
No link abaixo podem ficar com uma ideia do que tem vindo a ser feito em Portugal.

 
Participem na discussão!
Para qualquer dúvida raquelmcorval@gmail.com
 
RC



terça-feira, 25 de setembro de 2012

Autismo - Podcast

A Autism Podcast Series (Dr. Laura Crane) dá-nos a conhecer de uma forma acessível a investigação mais recente na área do Autismo publicada na revista "Autism: The International Journal of Research and Practice". É o estado da arte sobre o tema com relevância para o dia-a-dia de todos aqueles que se interessam sobre o tema, sejam eles académicos, investigadores, estudantes, clínicos, jornalistas, decisores políticos, pessoas com autismo e suas famílias.

PVS

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Formação - Diagnóstico Espectro do Autismo


O Centro PIN – Progresso Infantil promove a formação no ADI-R “Autism Diagnostic Interview Revised” de 29 a 31 de Outubro, com a formadora Fiona Scott do Autism Research Centre em Cambridge, uma referência internacional na área do Autismo. Este curso permite obter a certificação para aplicação de um dos principais instrumentos de diagnóstico no Autismo.

Para saber mais consulte o flyer.

PVS

terça-feira, 11 de setembro de 2012

O que pensam os pais sobre os conflitos das crianças?


Uma equipa do Instituto Superior de Educação e Ciências encontra-se a desenvolver um estudo sobre as ideias dos pais e dos profissionais sobre os conflitos nas crianças de idade pré-escolar.
Estes questionário destina-se a PAIS DE CRIANÇAS DOS 2 AOS 6 ANOS e foi preparado para recolher as suas perspectivas, enquanto pais, sobre situações de conflito vividas pela sua filha, filho ou filhos, e seus pares.

Se é mãe/pai participe clicando abaixo! O seu anonimato está garantido.

https://docs.google.com/spreadsheet/viewform?formkey=dEROdk50X0JLaExzS2Nobngtcm12YVE6MA#gid=4

Se tiver alguma dúvida pode sempre entrar em contacto com a equipa através do mail nunoamado@isec.universitas.pt

RC

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Ciclo de Cinema sobre os Direitos das Crianças

Divulgo e convido à participação e partilha!
Programa disponível aqui.

ADC


"Exmos. Srs.

Promovido pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Almada, decorrerá entre 19 de Setembro e 17 de Novembro o ciclo de cinema subordinado ao tema “Direitos das Crianças: Uma Missão de Todos!”, integrado no Plano Local de Promoção e Protecção dos Direitos da Criança para 2012.

Procura-se, através da força das imagens, das narrativas, das personagens e das interpretações, abordar temas como a violência, a negligência, o abandono escolar, a gravidez na adolescência ou trabalho infantil. Realidades retratadas através da ficção, mas não raramente vividas por crianças e jovens, serão mote para o debate que se seguirá após o visionamento de cada filme e que contará com a presença de um/a comentador/a convidado/a. As sessões decorrerão com entrada livre.

Neste ciclo de cinema apresenta-se 11 filmes, um por cada freguesia do Concelho de Almada e, em todos eles, os Direitos das Crianças e Jovens são ponto comum.

A programação deste ciclo de cinema focalizado na Promoção dos Direitos da Criança, é um convite da CPCJ de Almada para que tome parte activa no debate e reflexão sobre a protecção e a promoção dos direitos das crianças e jovens do nosso concelho. Contamos com a Vossa participação!

Com os melhores cumprimentos
A Presidente da CPCJ Almada

Filomena Afonso"

PSP e o Facebook

A página de Facebook da PSP com a exposição de uma criança deixou de estar online. Muito possivelmente alguém se indignou com o facto de nessa página ter sido violado o segredo de justiça e o direito de privacidade de uma criança de dois anos de idade alvo de uma medida de protecção.

É triste que até a página ter sido retirada do Facebook alguém com privilégios de administrador tenha apagado os comentários que mostravam indignação pelo comportamento da Polícia e tenha deixado os comentários que defendiam de forma simplista a acção da Polícia.

Como referido anteriormente neste blog, nunca teve em causa a acção da Polícia junto da criança somente a publicitação que fizeram do caso. Todos facilmente concordamos que uma coisa é um órgão de investigação policial publicitar uma apreensão de armas ou de droga, outra coisa é publicitar com fotografias o "salvamento" de uma criança.

É com muita tristeza que vejo acontecer numa canal de comunicação oficial da Polícia Segurança Pública a violação do segredo justiça. Estou certo que a Tutela do MAI e a PGR irão proceder em consonância de forma a que episódios semelhantes nunca mais aconteçam. Obrigado a todos que comentaram e denunciaram esta actuação. Infelizmente alguns dos vossos comentários foram apagados do Facebook no decorrer do dia...

PVS

Combate ao crime começa na infância!


Sabia que....

os estudos têm vindo a mostrar que contextos de creche e jardim-de-infância de qualidade parecem reduzir a criminalidade e, a longo prazo, são a forma com melhor custo-benefício de reduzir o crime?

A criança terá maior probabilidade de ter sucesso na escola e de crescer como um cidadão produtivo na sociedade.

A fórmula é simples!

RC

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Polícia que não protege

Normalmente não tenho por hábito comentar publicamente casos concretos, nem o Código Deontológico dos Psicólogos o aconselha (ver 8º Princípio Específico em http://bit.ly/NRdyLC ). Mas hoje tem mesmo de ser.

Há dois dias sensivelmente a PSP agiu no âmbito das suas competências e retirou uma criança que estava sozinha numa viatura em situação de abandono. Após o procedimento a mesma Polícia, ainda dentro das suas competências, encaminhou a criança e o expediente para os serviços competentes, tendo-se procedido à protecção da criança e à instauração de Processo de Promoção e Protecção.

O estranho desta história é que a mesma Polícia usou o caso para publicitação à margem do direito de reserva / confidencialidade prevista na Lei de Protecção de Crianças e Jovens em Perigo (ver Lei 147/99 de 1 de Setembro aqui), senão vejamos:
  • A PSP na página oficial que detêm na rede do Facebook colocou um foto (ainda que ligeiramente escurecida na zona do rosto) na qual se vê a criança em causa a ser alimentada por uma alegada agente no interior de uma esquadra. A foto tirada foi postada em regime público sendo acessível por qualquer utilizador do Facebook no mundo inteiro. Hoje a mesma foto já tinha sido partilhada por 18 mil utilizadores, estando em sites da imprensa internacional. 
  • A mesma PSP divulgou e disponibilizou a foto à imprensa escrita tendo hoje sido publicada em jornais como o Correio da Manhã e o Diário de Notícias. 
  • A mesma PSP, através de um dos seus agentes, e sabendo que os factos são de carácter reservado e que alguns dos mesmos constituem um crime e por essa razão estão em segredo de justiça, disponibilizou-se a efectuar entrevistas televisivas detalhadas. E logo depois as colocou na sua página de Facebook, incluindo uma da SIC em que o jornalista não se coibiu de dizer publicamente o nome da criança em causa, violando todas as orientações para a comunicação deste tipo de casos (ver legislação e orientações específicas para a Comunicação Social no site Crianças vs Riscos/Perigos - CNPCJR). 
No mínimo, há que exigir de imediato à Tutela uma acção face à actuação da Polícia de Segurança Pública, nomeadamente na captação e utilização abusiva de imagens da criança. E em relação aos senhores jornalistas, quem de direito também já devia estar a tomar as medidas necessárias...

Peço a todos que vão à página do Facebook da PSP em http://on.fb.me/UyBXED e mostrem o vosso repúdio!

PVS

À velocidade da luz?

Sabia que...

nos primeiros anos de vida chegam a formar-se no cérebro cerca de 700 novas ligações neuronais por segundo?

O cérebro de uma criança pequena é extremamente activo, flexivel e ávido de experiências! Mostra-nos a investigação, desde as neurociências à psicologia do desenvolvimento, que as experiências mais ricas e promotoras da actividade cerebral são aquelas que procuram o interesse e o envolvimento da criança. Mais do que brinquedos ou DVDs é a disponibilidade e a sensibilidade do adulto que faz a diferença!

RC

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Espaço online para as famílias

Aqui está mais um recurso importante para as famílias (ainda que apenas em Inglês!). Um local onde é fácil consultar informação importante acerca do desenvolvimento infantil, fazer perguntas e onde podem contar com os conselhos de especialistas de renome tal como o já conhecido e "amigo"  de muitos pais em Portugal, o Doutor Brazelton.

http://families.naeyc.org/families-today

RC

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Mais de três mil pais foram maltratados pelos filhos

"Mais de três mil pais foram vítimas, nos últimos oito anos, de maus tratos infligidos pelos próprios filhos, tendo recorrido à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), que viu duplicar o número de casos entre 2004 e 2011.

Entre 2004 e 2011, a APAV registou 3.380 processos de país vítimas de crimes de violência doméstica por parte dos filhos em ambiente doméstico. Em 2004, a associação recebeu 299 pedidos de ajuda que foram sempre aumentando ao longo dos anos até atingirem no ano passado os 591 casos.

No relatório estatístico agora divulgado, a APAV sublinha que nestes oito anos registou um aumento processual de 97,7%.

Por detrás de cada denúncia estava por vezes mais do que um crime. No total, a APAV registou 7.805 factos criminosos, sendo a maioria associada a maus tratos psíquicos (34%), físicos (29,1%) e ameaças e coação (19,3%).

As mães são as principais vítimas (59% dos casos) e os filhos rapazes os principais agressores (72% dos casos).

Quatro em cada dez casos dizem respeito a vítimas com mais de 65 anos, tendo um terço dos agressores entre 18 e 35 anos."

Notícia publicada a 08/08/2012 pelo IOL.

PVS

terça-feira, 31 de julho de 2012

Licenciatura em Intervenção Comunitária: Qualidade e Inovação

Numa altura em que se fala (e se exige) cada vez mais da qualidade das práticas nos domínios de intervenção social, surge uma nova licenciatura no ISEC que vem dar resposta às necessidades dos profissionais a trabalhar nas mais diferentes comunidades. Ainda que a população-alvo possa variar desde as crianças, às famílias, passando pelos comportamentos desviantes ou pela 3a idade, o objectivo é o mesmo: capacitar quem trabalha para que possa desenvolver uma prática de qualidade, baseada em evidências e que faça a diferença.

Para mais informações, clicar aqui.

RC

Nova Licenciatura em Psicologia - Universidade Católica (Lisboa)

É verdade que já existem alguns cursos de psicologia país fora, mas também é verdade que uma das mais prestigiadas Universidades de Lisboa ainda não disponha de um plano curricular nesta área. A Universidade Católica vai apostar este ano na abertura de uma Licenciatura em Psicologia. Uma excelente oportunidade para quem quer prosseguir estudos nesta área.

Flyer Divulgação

PVS

As Prisioneiras - Mães Atrás das Grades

O sistema prisional Português e bem, na nossa opinião, permite que os filhos de mães em prisão preventiva ou a cumprir pena, desde que tenham menos de 3 anos de idade, possam permanecer na sua companhia. Esta oportunidade que é dada à criança e à mãe pelo o sistema penal é alvo de vários debates, a maioria condicionados pelo preconceito de que uma mãe que comete um crime não pode ser boa mãe. Óbvio que a vida não é assim tão simples: há mães que cometem crimes e são excelentes mães e há mães que não cometem crimes e são péssimas mães.

Isabel Nery, jornalista da Revista Visão publicou um apaixonante livro, "As Prisioneiras - Mães Atrás das Grades", no qual desconstrói um conjunto de preconceitos e juízos pré-feitos que existem em relação a estas mães.



PVS

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Cérebro em família vs. cérebro institucionalizado

Acumulam-se as evidências acerca da importância do papel da família no desenvolvimento da criança.

Os primeiros anos de vida são fundamentais e estes estudos mostram que a melhor opção (e o melhor investimento) é sempre um ambiente familiar positivo, sensível e capaz de saber ler e responder aos sinais da criança.

A institucionalização é normalmente sinónimo de pouca atenção individualizada, altos ratios educador-criança e pouco investimento na criança. As consequências deste tipo de experiências são graves ao nível do desenvolvimento cerebral encontrando-se estas crianças em risco acrescido de comprometimento da sua saúde mental ao longo da vida.

Artigo original

RC

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Relatórios sobre o Sistema de Protecção

Recentemente a Comissão Nacional de Crianças e Jovens em Risco informou que irá passar a disponibilizar os dados referentes à actividade das Comissões de Protecção semestralmente ao invés de anualmente. O aumento da frequência de divulgação de dados, o que é sem dúvida um sinal positivo, não resolve em nada a dificuldade de termos um retrato fiel do sistema de protecção e do número de crianças abrangidas.

Continua a não ser compreensível o facto de só existir informação referente aos processos de promoção e protecção que não estão em fase judicial, faltando toda a globalidade de processos que transitam para os tribunais e que são acompanhados pela Segurança Social e Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Para mais, sabe-se através do Plano de Intervenção Imediata, que descreve as crianças acolhidas, que não existe uma distribuição idêntica na aplicação das medidas de promoção e protecção nas comissões e nos tribunais, sendo a prevalência das medidas de colocação maior na fase judicial.

O estranho é queremos um melhor retrato do sistema e a medida que tomamos é retratar mais do mesmo ao invés de retratar de forma fiel o sistema, que pelo menos estaticamente continua clivado.

PVS

sábado, 7 de julho de 2012

Especialização do acolhimento

O acolhimento de crianças e jovens em Portugal nos últimos anos tem enfrentado desafios crescentes. Já todos sabemos que a população de crianças que hoje chega às instituições têm características distintas das crianças de outrora. Hoje as nossas crianças chegam ao acolhimento com problemas de comportamento e de saúde mental que reflectem experiências de maus-tratos e de violência familiar.

O acolhimento de crianças, para ser eficaz, cada vez mais tem de assumir um papel terapêutico na vida das crianças. É importante que as crianças encontrem na experiência de acolhimento a oportunidade para repararem os seus vínculos relacionais e para estabelecerem novas relações construtivas e de aprendizagem.

Hoje temos o programa SERE + e o objectivo de especializarmos as nossas instituições. Venha pensar este objectivo em conjunto!



PVS

Acolhimento terapêutico - Conferência em MP3

Conferência realizada por John Whitwell a 9 de Novembro de 1966 intitulada "What is a Therapeutic Community" no decorrer de um fantástico dia de trabalho organizado pela SEBDA - Social Emotional and Behavioural Difficulties Association.

Clicar aqui para ouvir.

Com base na conferência, eu realizei os seguintes slides em Português que talvez já tenham visto em algumas formações: Slides - Pedro

PVS

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Acolhimento Terapêutico - Bibliografia

Caros colegas, agora que chegou o SERE + no sentido da especialização dos nossos Lares de Infância e Juventude, não há nada como tirar os livros da estante. Decidi colocar a minha lista de recomendação de livros online. Estes são os que andam cá por casa; muitos outros bons livros existem. Se alguém quiser uma dica sobre os livros, é só perguntar ou comentar este post.


História do Acolhimento Terapêutico

Bettelheim, B. (1986). Só Amor Não Basta (2ª ed.). Lisboa: Moraes Editores.

Bridgeland, M. (1971). Pioneer Work With Maladjusted Children. London: Staples Press.

Franklin, M. E. (1966). Q Camp: An Experiment in Group Living With Maladjusted and Anti-Social Young Men. Dorking: David Neil.

Wills, D. (1967). The Hawkspur Experiment: An Informal Account of the Training of Wayward Adolescents. London: George Allen & Unwin LTD.

Wills, D. (1960). Throw Away Thy Rod: Living With Difficult Children. London: Gollancz.


Obras de Referência


Beedell, C. (1970). Residential Life With Children. London: Routledge & Kegan Paul.

Beker, J. & Eisikovits, Z. (1991). Knowledge Utilization: Residential Child Care and Youth Care Practice. Washington, D.C.: Child Welfare League of America.

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PVS

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Acolhimento de Crianças - Reportagem TVI

Reportagem TVI sobre crianças em acolhidas em instituição, um bom panorama do que tem de ser feito com muita urgência, no sentido de um acolhimento terapêutico.

http://www.tvi.iol.pt/videos/13660256

PVS

quarta-feira, 4 de julho de 2012

O novo Plano DOM: SERE +

Publica-se aqui na íntegra o despacho que dá origem ao plano SERE +. Acabou o Plano DOM começa o SERE +.

PVS

***

MINISTÉRIO DA SOLIDARIEDADE E DA SEGURANÇA SOCIAL

Gabinete do Secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social

«Despacho n.º 9016/2012

Considerando que o Programa de Emergência Social (PES), nesse sentido, já previa aumentar a sinalização de casos de risco, conferindo uma maior aposta à prevenção primária e secundária;

Considerando que o atual contexto do País também se reflete nas famílias, que embora seja uma das instituições mais persistentes no tempo, necessária e consequentemente, sofre os impactos que abalam os seus membros, com repercussões nas suas crianças e jovens, que se querem prevenir e se possível evitar, quer ao nível das estruturas familiares, quer dos respetivos percursos escolares;

Considerando que a ação do Governo deve procurar uma atuação concertada dos diversos organismos e entidades envolvidas na criação de um novo modelo de acolhimento para as crianças e jovens em risco, por forma a alcançar uma melhor gestão de recursos humanos, técnicos e financeiros;

Considerando que o ciclo do Plano DOM, enquanto plano de intervenção integrada, deve evoluir para um modelo renovado de intervenção integrada e mais especializada, onde além da proteção se atenda à socialização e a um cuidado com o equilíbrio emocional das crianças e jovens, fica desde já salvaguardada a transição automática das instituições que tiveram este plano a decorrer, para o que lhe vai agora suceder, salvo se manifestarem intenção em contrário;

Tendo presente o compromisso estabelecido com as instituições particulares de solidariedade social no âmbito do protocolo de cooperação sobre um novo modelo de acolhimento para as crianças e jovens em risco, que, complementando a ação direta do Estado e respetivas instituições públicas, vêm partilhando importantes responsabilidades, quer para o acolhimento de curta duração em centros de acolhimento temporário, quer para o acolhimento prolongado, em lares de infância e juventude que a procura conjunta de mais soluções, deverá continuar a ter por base uma intervenção integrada, especializada e continuada junto dessas crianças e jovens e suas famílias, a par duma proteção quotidiana às primeiras, assente em modelos socioeducativos adequados:

Ao Estado e à sociedade civil impõe -se que procurem renovar as metodologias adotadas aos níveis técnico, organizativo e funcional dos lares de infância e juventude, através do desenvolvimento de um plano de intervenção integrada e especializada, que evidencie uma melhoria contínua da promoção de direitos e proteção das crianças e jovens acolhidas nos lares, não só no que se refere à definição e concretização, em tempo útil, de um projeto que promova a sua desinstitucionalização, mas seja igualmente promotor do seu desenvolvimento integral.

Assim, determina-se o seguinte:

1 — A criação do Plano SERE + (Sensibilizar, Envolver, Renovar, Esperança, MAIS), de âmbito nacional, que tem como objetivo principal a implementação de medidas de especialização da rede de lares de infância e juventude, impulsionadoras de uma melhoria contínua na promoção de direitos e proteção das crianças e jovens acolhidas, para que no menor tempo útil, da sua educação para a cidadania, sentido de identidade, de autonomia e segurança resultar a sua desinstitucionalização.

2 — A transição automática das instituições que tiveram a decorrer o plano DOM para o Plano SERE +, salvo se no prazo de 30 dias a contar da publicação do presente despacho [Diário da República, 2.ª Série — N.º 128 — 4 de Julho de 2012], manifestarem intenção em contrário.

3 — Sem prejuízo da participação da Comissão Nacional de Proteção das Crianças e Jovens em Risco, e dos contributos da Confederação das Instituições de Solidariedade Social, da União das Misericórdias Portuguesas e da União das Mutualidades, cabe ao Instituto da Segurança Social, I. P., a conceptualização do Plano SERE + e respetiva regulamentação, que definirá os princípios, as regras e os procedimentos a que a execução do mesmo deverá obedecer, bem como a sua execução e avaliação, em três modelos de intervenção especializada de lares de infância e juventude, a definir pelo mencionado organismo.

4 — Nos termos do disposto no n.º 3 do presente despacho, a execução do Plano será assegurada pelo Instituto da Segurança Social, I. P., nos seus serviços desconcentrados, em ligação com o Centro de Segurança Social da Madeira, o Instituto de Ação Social dos Açores e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, nos termos que vierem a ser definidos na mencionada regulamentação.

5 — O disposto no presente despacho entra em vigor no dia 1 de julho de 2012.

26 de junho de 2012. — O Secretário de Estado da Solidariedade e da Segurança Social,Marco António Ribeiro dos Santos Costa.».

[Diário da República, 2.ª Série — N.º 128 — 4 de Julho de 2012].

Papel do psicólogo no acolhimento

Já algumas vezes escrevi sobre este tema no Blog, contudo recentemente várias pessoas voltaram-me a perguntar qual a minha opinião. Confesso que tenho uma opinião completamente anti-cooperativismo que pode chocar alguns colegas; portanto, preparem-se para o que eu vou dizer.

Eu acho que o papel do psicólogo no acolhimento é o que a organização definir. As instituições de acolhimento são organizações como todas as outras e por isso devem ter a legitimidade para definir o conteúdo funcional dos seus recursos humanos. Por exemplo, na instituição onde trabalho existem licenciados em Psicologia com várias funções: alguns são directores de valências, outros arte-terapeutas, outros terapeutas familiares, outros fazem ligação à escola, outros ainda fazem parte das equipas educativas. O que me parece importante é todos saberem de forma clara qual é o seu papel e de que forma contribuem para a missão global da instituição.

Óbvio que podem argumentar que a maioria dos profissionais a que fiz referência não estão contratados como psicólogos. Sim, é verdade. Mas afinal o que é contratar alguém como psicólogo? É contratar alguém para fazer avaliações psicológicas, aplicar WISCS e Rorschach, como no outro dia uma potencial estagiária dizia ser a sua percepção do trabalho de psicólogo, ou contratar alguém para fazer psicoterapia, um para um, com as crianças institucionalizadas (mas para esta função teria de ser um psicólogo psicoterapeuta, verdade?). Não querendo entrar numa outra discussão sobre o papel do psicoterapeuta numa instituição (o que seria uma discussão fácil), permitam-me só esclarecer que um psicólogo não é um psicoterapeuta.

Por esta altura já tenho a classe dos psicólogos a quererem me matar!!! Mas calma. Eu acho que o licenciado em Psicologia é dos profissionais mais bem preparado para trabalhar numa instituição de acolhimento de crianças. Um psicólogo é alguém habilitado a compreender os contextos e processos de mudança e apto a ajudar a instituição a ser promotora de um crescimento saudável. Um psicólogo está habilitado, em equipa, para contribuir para o desenho do modelo terapêutico / educativo de um lar e torná-lo especializado. Um psicólogo está habilitado a compreender como uma instituição é influenciada pelos fenómenos sociais internos e externos, e como esses fenómenos determinam o comportamento dos adultos e crianças.

Em suma, um psicólogo para trabalhar bem numa instituição de acolhimento necessita de saber Psicologia Educacional / Desenvolvimento de forma a desenhar bons programas de intervenção, Psicologia Clínica para compreender o funcionamento mais perturbado e o impacto dos maus-tratos e do trauma nas crianças, e muita Psicologia Organizacional para compreender como o comportamento organizacional determina todo o contexto de crescimento das crianças acolhidas.

PS: Enviem comentários à minha provocação.

PVS

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Pais, filhos e a obesidade infantil

Pais&filhos: "Obesidade infantil: educar as mães é essencial". Assim como os pais, avós ou outros educadores, acrescentaria eu. Ou estes não têm um papel fundamental na (des)educação dos hábitos alimentares saudáveis?

Pais&filhos: "Pais ausentes contribuem para o sedentarismo"

Duas notícias hoje publicadas na Pais&filhos lembraram-me que já há uns tempos que ando para escrever uma nota sobre a Plataforma Contra a Obesidade, um site da Direcção Geral de Saúde com informação útil sobre o tema.


Não me alongando na análise do conteúdo do mesmo - é muito mais interessante cada um ir espreitar por si e tecer as suas considerações - há uma questão que pode ser melhorada: o site ser "child friendly".

Que tal um grafismo mais apelativo aos mais pequenos? Ou pelo menos uma parte do site estar dedicada às crianças, com conteúdos adequados às mesmas.

Há uma área infantil na plataforma que ainda não tem conteúdo mas pensá-la só para pais, escolas e comunidades, como parece indicar o aviso que consta no site, seria esquecer que as crianças também podem ter um papel bastante activo na exploração de informação online (às vezes até de forma bem mais proficiente que alguns adultos...).


E que tal umas receitas pensadas para levar as crianças para a cozinha? Ora aqui está uma estimulante actividade pais-filhos!... Cozinhar pode ser extremamente educativo e pouco ou nada sedentário. Senão vejamos:
  • é uma oportunidade para ao vivo e a cores promover uma alimentação saudável; 
  • aprender hábitos de higiene e segurança na cozinha; 
  • descobrir a Física, a Química, a Biologia e a Matemática com as "mãos na massa"; 
  • exercitar o Português com a leitura dos rótulos e das receitas; 
  • contextualizar os alimentos e os hábitos alimentares em função da Geografia e História dos povos; 
  • e estimular a sensibilidade artística... sim, porque cozinhar é uma Arte! 

O dia seguinte ao plano DOM

Hoje é o primeiro dia sem o Plano DOM em muitas instituições. Não porque o Estado tenha dito de forma categórica que o projecto tenha acabado, mas simplesmente por que de nim em nim chegámos a Julho. Óbvio que muitas instituições sem certezas e com a obrigação de passar os técnicos para o quadro, assumindo o aumento de custos operacionais, decidiram pela fim dos contratos. Este é um bom caso de desarticulação de medidas. Por um lado o Estado a querer acabar com o projecto, com toda a legitimidade, por outro lado as instituições aflitas a não quererem assumir mais encargos, com toda a legitimidade, pelo meio as crianças e jovens que do dia para noite vêem à sua volta uma confusão de adultos ansiosos sem saber se os seus postos de trabalho vão acabar ou não.

Não me vou alongar mais sobre o sim ou não do plano DOM. Gostava de levantar uma outra questão. Qual o impacto deste zig zag ao nível dos despedimentos dos mais qualificados das instituições na construção da percepção que os mais novos têm sobre o valor do estudo e das qualificações? Qual a mensagem que as instituições e o Estado estão a passar às suas crianças, colocando perante os seus olhos esta desvalorização do social dos profissionais mais qualificados? Será que estamos todos a dizer "olha, não estudes porque o melhor que tens a esperar, tal como nós, é não saber se amanhã terás emprego".

Quem trabalha em acolhimento sabe que tudo tem de ser devidamente preparado e trabalhado com antecedência. Sempre que entra ou sai um novo membro na equipa deve ser realizado um momento de apresentação ou de despedida, envolvendo-se necessariamente as crianças na vida da casa. É muito importante que mesmo em tempos turbulentos, como os que vivemos, os adultos consigam pensar que todas estas alterações têm um impacto nas crianças e nos jovens acolhidos.

PVS

sábado, 30 de junho de 2012

Governo vai aumentar as vagas para acolher crianças e jovens em risco

O jornal Público publicou um notícia sobre o aumento de vagas de acolhimento institucional de crianças no sentido das vagas especializadas. Finalmente alguns passos no sentido do acolhimento terapêutico.

Governo vai aumentar as vagas para acolher crianças e jovens em risco - Sociedade - PUBLICO.PT

PVS

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Plano DOM

Muito se tem falado da continuação ou não do Plano DOM. É verdade que em tempo de crise todos os apoios são bem-vindos às instituições e qualquer corte adicional implica em muitos casos despedimentos e diminuição dos cuidados às crianças e jovens. SITUAÇÃO DE TODO A EVITAR!!!

Sem querer ser demasiado polémico gostava de mais uma vez, e agora em tempo de balanço, desafiar o conceito do plano DOM do qual de alguma forma fui sempre crítico. Não por discordar na globalidade da sua filosofia até pelo contrário - reconheço em vários técnicos que encabeçaram o Plano DOM no ISS um enorme mérito técnico - mas sim por ter sempre achado que o plano não se inseria numa política integrada para o acolhimento de crianças em Portugal. Senão vejamos:

a) Chegámos ao fim do programa sem ser publicado o decreto de lei que deveria regular a medida de acolhimento institucional, ficando esta medida de promoção e protecção como a única por regular.

b) Chegámos ao fim do programa sem termos definido uma política clara para a especialização das respostas de acolhimento. Pelo contrário, cada vez mais se ouve os profissionais da área afirmarem que não notam diferença entre os CAT e os LIJ.

c) Chegámos ao fim do programa sem termos articulado a diminuição do acolhimento institucional com o aumento /promoção do acolhimento familiar, tal como os outros países do sul da Europa o fizeram, a exemplo a Espanha (apesar de termos regulado a medida de acolhimento familiar), de forma a aproximarem os seus modelos dos países mais desenvolvidos.

A ausência das três reformas acima enunciadas na minha opinião faz com que a curto prazo tudo volte à época pré Plano DOM.

Reparem, neste momento, a ausência de regulação da lei faz com que o acolhimento continue a ter procedimentos muito díspares e que não se consiga consolidar um modelo. A especialização não ocorreu; contudo a população de crianças em acolhimento mudou o seu perfil (aumento significativo de crianças com problemas de saúde mental e de comportamento) o que irá perturbar o funcionamento das instituições. A criação de um sistema de acolhimento familiar não ocorreu o que significa, se existir com a crise um aumento na globalidade do número de crianças em perigo, não será estranho observarmos de novo um aumento do número de crianças em instituição.

Então o que é que ficou, de forma clara e unívoca?

Um sistema centralizado de vagas. Isto um serviço não previsto na Lei de Promoção e Protecção que acrescenta um outro nível decisório ao sistema de protecção e que afasta as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens do processo de encaminhamento e negociação directa com as instituições no sentido de encontrar a melhor resposta para a criança que acompanham.

Na verdade continuo sem perceber porque é tão difícil fazermos reformas estruturais no nosso país.

PVS

domingo, 17 de junho de 2012

Crianças da Vila

E se o nosso mundo fosse uma vila de 100 pessoas?



PVS

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Formação em Contenção Física Segura de Crianças e Jovens

A Labirintos Coloridos está a organizar a primeira formação aberta em "Contenção Física Segura de Crianças e Jovens" com o objectivo de apoiar a implementação de espaços seguros e calmos em contexto de acolhimento residencial nos próximos dias 2 e 9 de Julho.

Esta formação inicial terá a duração total de 12 horas (dois dias de formação),  sendo indicada para elementos de equipas técnicas e educativas que trabalhem com crianças e jovens com dificuldades emocionais e de comportamento.

Terá um cariz fundamentalmente prático e surge como resposta às necessidades dos colaboradores de instituições de acolhimento, e de forma a proporcionar ferramentas para gerir os comportamentos desafiantes e agressivos cada vez mais presentes em crianças e jovens institucionalizados.

O modelo de gestão de comportamento subjacente à formação baseia-se num conjunto de noções pró-activas e de estratégias de prevenção. Neste sentido, prioriza-se uma aproximação que seja contentora dos comportamentos desafiantes e que promova ao mesmo tempo o uso planeado de intervenções físicas, cada vez menos restritivas e como último recurso.

A formação estará ao cargo de Catarina Rodrigues, formadora habilitada pela PRICE (Protecting Rights in a Caring Environment) – líder em formação de Contenção Física no Reino Unido e acreditada pela BILD (Physical Interventions Acreditation Scheme).

Para mais informações relativas à formação e ficha de inscrição, visite o site:
https://sites.google.com/a/labirintoscoloridos.com/precomportamentos-agressivos

CBR

sexta-feira, 8 de junho de 2012

ISPCAN no Facebook

A Sociedade Internacional para a Prevenção do Abuso e Negligência de Crianças (ISPCAN - International Society for Prevention of Child Abuse and Neglect) chegou ao Facebook. A todos os que se interessam pelo tema, esta é uma organização de referência a seguir! Podem fazer "Like / Gosto" à página em www.facebook.com/ispcan e estar assim a par de todas as novidades.

ADC

Relatório Anual de Avaliação da Actividade das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens 2011

Disponível para leitura e download aqui.

ADC

Convenção do Conselho da Europa para a Protecção das Crianças contra a Exploração Sexual e os Abusos Sexuais

A 28 de Maio foi ratificada (ver publicação em Diário da República aqui) a Convenção do Conselho da Europa para a Protecção das Crianças contra a Exploração Sexual e os Abusos Sexuais.

O texto completo está disponível para leitura em português aqui.

ADC

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Acolhimento terapêutico de crianças e jovens e trabalho terapêutico com suas famílias

Um caminho para o acolhimento terapêutico de crianças e jovens
Quarta-Feira, 13 de Junho de 2012

Temas
Acolhimento terapêutico de crianças e jovens; - Modelos de especialização dos Lares de Infância e Juventude; - Comportamentos desafiantes das crianças e jovens; - Liderança e autoridade dos educadores; - Construção de equipas terapêuticas; - Trabalho em grupo com crianças e jovens; - Equipas, acções e práticas no terreno.

Objectivos
Sensibilizar os participantes para a necessidade do acolhimento cumprir cada vez mais uma função terapêutica para as crianças e jovens. - Reflectir para a necessidade da especialização e mudança organizacional das instituições de acolhimento de forma a ajustarem-se às reais necessidades das crianças e jovens. - Melhorar as competências de construção de projetos de desenvolvimento de crianças e jovens em acolhimento.

Trabalho terapêutico com famílias em acolhimento de crianças e joven
Segunda-feira, 25 de Junho de 2012

Temas
Papel da família de crianças e jovens em acolhimento; - Trabalho e história de vida; - Preservação da reunificação familiar; - Famílias multiproblemáticas; - Trabalho em rede; - Avaliação e intervenção com famílias no âmbito de actuação do Sistema de Protecção de Crianças e Jovens; - Avaliação e suporte para a mudança (visitas à instituição, espaços de intervenção psico-educativa).

Objectivos
Sensibilizar os participantes para a importância que o trabalho com as famílias tem para a construção da identidade das crianças e dos jovens institucionalizados; - Sensibilizar os participantes para a co-construção dos projectos de vida com as famílias; - Desenvolver uma abordagem eco-sistémica e colaborativa no trabalho com famílias; - Reflectir sobre os modelos, estratégias e instrumentos de avaliação e intervenção com famílias.

Metodologia dos Workshops
Exposição de conteúdos, trabalhos e dinâmicas de grupo, discussão de casos, visualização de vídeos e role plays. Os participantes terão a oportunidade de participar num workshop com uma abordagem reflexiva e colaborativa, centrada nas soluções, com base na experiência de técnicos no trabalho com crianças, jovens e famílias em contexto de acolhimento.

Cartaz

Programa

Ficha de Inscrição

Os workshops serão facilitados por mim e espero que seja uma excelente oportunidade para voltar a trabalhar com os colegas do Norte com quem sempre aprendo.

PVS

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Criança de seis anos impedida de frequentar escola por ser hiperactiva

"A Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP) diz que não é caso único. Este ano lectivo é o quarto, desde Janeiro, todos na área abrangida pela Direcção Regional de Educação do Norte (DREN). A CONFAP avisa o Ministério da Educação e Ciência (MEC): “É um caminho perigoso porque representa a desistência do sistema” destas crianças."

Notícia de hoje do Público. Leitura completa aqui.

TSM

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Crianças em perigo: 800 anos de História

Estamos habituados a ver o abuso sexual de crianças como um fenómeno recente. Não me recordo de ler, enquanto estudava na Universidade, casos relacionados com abuso sexual de crianças nos jornais. Nem me recordo de ter abordado esta temática no curso de Psicologia, nem mesmo quando frequentei o ramo de Psicologia Clínica. E no entanto, cada vez mais têm sido noticiados casos de abusos sexuais de crianças nos jornais e na televisão. É de resto muito rara a semana em que não surjam notícias sobre abusos sexuais de crianças, principalmente no Correio da Manhã. De repente parece que existe uma "nova" realidade e que de repente inúmeros casos de abuso sexual começaram a surgir nas primeiras décadas do século XXI.

Podemos assim criar a convicção (falsa) que o abuso sexual de crianças é um fenómeno recente e que as suas causas devem ser procuradas no contexto social actual. No entanto este é um fenómeno com quase 800 de história documentada, pelo menos no caso português. E se no campo da Psicologia esta referência passou despercebida, na historiografia o documento que se segue tem sido muito estudado.

Este documento datada aproximadamente entre 1214 a 1216 relata um caso de abuso sexual de uma criança. O caso vem descrito no que é considerado como o primeiro documento escrito em português a "Notícia de Torto" publicada no Album de Paleografia de João Alves Dias, Oliveira Marques e Teresa Rodrigues e editado pela Editorial Estampa.

Este documento descreve os agravos feitos contra o nobre minhoto Lourenço Fernandes da Cunha que tinha caído em desagravo junto do Rei D. Sancho I. Aproveitando esta circunstância, um grupo de parentes seus aproveitou para lhe roubar frutos, dinheiro e terras, tudo descrito neste documento, presumivelmente dirigido a D. Sancho I. No meio do mesmo documento aparece descrito como um tal de Gonçalo Gonçalves desunro sa fili pechena. Ou seja, no meio dos conflitos familiares a filha pequena de Lourenço Fernandes - presumivelmente pré-púbere como se entenderia neste contexto o que certamente quereria dizer que teria menos de 12 anos - terá sido abusada sexualmente por um dos rivais e parente do seu pai.

Não sabemos mais sobre o que aconteceu a esta filha - nem qual seria - mas mesmo passados 800 anos não podemos deixar de empatizar com o seu sofrimento, vítima de um conflito familiar. Passados 800 anos ainda inúmeras crianças são vítimas de abusos sexuais por ano e, não sendo este um fenómeno novo, talvez tenhamos de repensar as respostas actuais para com estas.

Até que ponto é que no contexto de crianças em perigo faz, ou não sentido, criar respostas específicas para crianças vítimas de abusos sexuais? Até que ponto é que respostas não específicas não constituem maus-tratos na medida em que não se adequam às necessidades específicas destas crianças?

Se calhar ao fim de 800 anos temos de começar a abordar estas questões em profundidade.

TSM


quinta-feira, 17 de maio de 2012

Sete maneiras de ajudar sem gastar dinheiro

"O nosso tempo e talento podem ajudar tanto (ou mais?) do que o nosso dinheiro. Tempo é dinheiro, já se sabe, mas, por vezes, gastamo-lo em coisas tão inúteis que é bom saber como o podemos aproveitar melhor. O que sabemos fazer também pode ser usado fora do lugar de trabalho e das portas de casa. Seja por puro altruísmo – simplesmente para ajudar o outro – ou com um bocadinho de egoísmo à mistura porque ajudar nos faz sentir bem, não ter dinheiro não é desculpa para não dar nada."

Público, 16/05/2012

Leitura completa disponível aqui. A ler e partilhar!

ADC

Numb

Há já algum tempo que estava com ideias de escrever este post. O tom é relativamente crítico para aqueles que advogam a favor e de forma indiscriminada a utilização de psico-fármacos em crianças e adolescentes. Quem trabalha em acolhimento de crianças, nomeadamente em Lares de Infância e Juventude, tem observado que cada vez mais os seus jovens entram nas instituições já medicados (principalmente os que são transferidos de outras instituições), normalmente com neurolépticos e estabilizadores de humor. Apesar de medicados estes jovens não vêem acompanhados de diagnóstico claro e muito menos acompanhados por um plano terapêutico adequado no qual estejam explícitos quais os objectivos terapêuticos. A nossa percepção é que a medicação é utilizada simplesmente como um colete de forças químico que tem como objectivo conter os comportamentos de oposição / protesto que estes jovens podem ter. Por outras palavras a medicação reduz a probabilidade destes jovens se expressarem. Desculpem pelo que vou dizer mas por vezes tenho a sensação que a dosagem da medicação é acertada através da ansiedade do adulto que acompanha o jovem à consulta. Quando o adulto está calmo e diz que os comportamentos incomodam pouco, o médico diminui a dosagem; quando o adulto está mais ansioso, o médico reforça a dosagem. Existe quase que uma medicação por procuração, baseada nos níveis de ansiedade do adulto.

A minha experiência é que estes mesmos jovens, numa instituição de acolhimento bem organizada e com a participação activa dos jovens na gestão e administração das rotina rotinas, rapidamente começam a dispensar praticamente a medicação ou pelo menos a reduzirem a significativamente a dosagem. O comportamento de protesto dos jovens em muitos casos é um sintoma crítico no processo de adaptação que estes jovens têm de fazer à experiência de institucionalização. Viver numa casa 24h sobre 24h com outras 20 ou 30 crianças e jovens, não ter um adulto de referência, ter um milhão de regras impostas (top to down) exige um esforço enorme, por vezes sobre-humano.

Na minha opinião devemos questionar sempre quando nos chega um jovem medicado sobre qual a patologia? Qual é o problema de saúde mental? Qual é a finalidade da terapêutica?

Deixo-vos um vídeo provocador elaborado pela Citizens Commission on Human Rights (CCHR).



PVS

quarta-feira, 16 de maio de 2012

terça-feira, 15 de maio de 2012

International Day of Families 2012

Hoje é o Dia Internacional da Família. Das Famílias, aliás, porque as há com todas as formas e feitios. Cada uma sempre original e em permamente reinvenção.

Este Dia foi escolhido em 1992 pela Assembleia Geral das Nações Unidas e desde há alguns anos que o Secretário-Geral escolhe um tema específico e prepara uma mensagem especial para a ocasião. Este ano o tema é "Ensuring work family balance". Deixo-vos as palavras de Ban Ki-moon.

"This year’s International Day of Families highlights the need for work-family balance. The aim is to help workers everywhere provide for their families financially and emotionally, while also contributing to the socio-economic development of their societies.

Current trends underscore the growing importance of work-family policies. These include greater participation by women in the labour market, and growing urbanization and mobility in search for jobs. As families become smaller and generations live apart, extended kin are less available to offer care, and employed parents face rising challenges.

Millions of people around the world lack decent working conditions and the social support to care for their families. Affordable quality childcare is rarely available in developing countries, where many parents are forced to leave their preschool children home alone. Many young children are also left in the care of older siblings who, in turn, are pulled from school.

A number of countries offer generous leave provisions for mothers and fathers. Many more, however, extend few comprehensive benefits in line with international standards. Paternity leave provisions are still rare in the majority of developing countries.

Flexible working arrangements, including staggered working hours, compressed work schedules or telecommuting, are becoming more widely available – but there is much room for improvement everywhere. I am committed to this in our own organization, where we are currently looking at our own arrangements, and seeing what we can do better.

We need to respond to the ever-changing complexities of work and family life. I welcome the establishment of family-friendly workplaces through parental leave provisions, flexible working arrangements and better childcare.

Such policies and programmes are critical to enhancing the work-family balance. These actions can also lead to better working conditions, greater employee health and productivity, and a more concerted focus on gender equality.

Work-family balance policies demonstrate both a government’s commitment to the well-being of families and the private sector’s commitment to social responsibility.

On this International Day of Families, let us renew our pledge to promote workfamily balance for the benefit of families and society at large."

Um feliz dia para todas as famílias! Não só hoje. Porque se o Natal é sempre que um homem quiser, como escreveu Ary dos Santos, então o Dia da Família também pode ser todos os outros dias do ano.

ADC