CriançaSemRisco

terça-feira, 16 de maio de 2006

Beyond trauma - Making sense of a nonsensical past

Peter Wilson é um excelente psicanalista britânico que tem trabalhado com crianças vítimas de maus-tratos em comunidades terapêuticas de crianças. Recentemente, a convite do John Diamond, proferiu uma conferência intitulada "Beyond trauma - Making sense of a nonsensical past" nas celebrações anuais da The Mulberry Busch.

Fica aqui o link para escutar online a conferência com atenção.

PVS

III Encontro Internacional de Musicoterapia

Vai realizar-se no próximo dia 2 de Junho o III Encontro Internacional de Musicoterapia que terá lugar nas instalações da Universidade Lusíada de Lisboa, das 9h às 18h. Conta-se desta vez com a presença da musicoterapeuta americana Diane Austin e estarão reunidos os representantes dos três cursos de formação pós-graduada em Musicoterapia existentes em Portugal.

Para mais informações, contactar a Associação Portuguesa de Musicoterapia (APMT) através do telemóvel 93 324 2678 ou do email musicoterapia@sapo.pt.

PVS

segunda-feira, 15 de maio de 2006

Fronteiras organizacionais

Uma organização com capacidade de inovação e de produção de ideias só pode sobreviver na medida que troca e negoceia conteúdos com o meio, isto é, se for um sistema aberto. A organização precisa de retirar do meio matéria-prima, energia, massa crítica de forma a transformar estes elementos em produtos ou resultados necessários para a sua sobrevivência, paralelamente deitando fora os resíduos do processo.

Este sistema que descrevemos tem que ter algumas propriedades. Sublinha-se desde já a necessidade da organização ter uma fronteira que defina o limite entre o fora e o dentro do sistema. Esta fronteira deve ser suficientemente sólida, de forma a conter o sistema e a permitir a manutenção de uma lógica interna, e suficientemente permeável de forma a permitir trocas entre o organização e o meio. Se a fronteira se impermeabiliza totalmente, deixa de existir interacção com o meio e o sistema morre. Pelo contrário, se a fronteira se torna universalmente permeável, o sistema desagrega-se, morrendo por dissipação.

Nas organizações mais complexas, tal como nos sistemas mais complexos, existe um conjunto de subsistemas que traçam fronteiras com o meio e gerem um conjunto de processos de trocas. As actividades destes subsistemas necessitam de ser coordenadas de forma a cumprirem o propósito do sistema com um todo. Esta coordenação implica a priorização e a hierarquização dos processos de forma a se potenciar a tarefa primária, isto é, o que a organização precisa de fazer para sobreviver (Rice, 1963).

Gerir as fronteiras, torna-se num elemento fundamental para a organização. Tornando-se este processo mais complexo na proporção da descentralização dos subsistemas e da diferenciação das tarefas atribuídas. Numa organização é preciso coordenar o departamento de produção com o departamento comercial, com o departamento de marketing, com o departamento de recursos humanos, no sentido que todos os departamentos partilhem uma visão e uma estratégia orientada para a tarefa primária da organização.

É então fulcral alinhar as visões e as estratégias ao longo dos subsistemas da organização.

Quanto à componente visão, enquanto elemento mais subjectivo do processo de gestão no sentido visionário, o processo de comunicação e de partilha entre os diferentes subsistemas torna-se bastante mais difícil.

Quanto à componente estratégica, o elemento mais objectivo do processo de gestão, o estabelecimento de metas e sequenciação de processos de forma à concretização das metas estabelecidas, é mais fácil de ser comunicado e alinhado.

Partilhar visão é relativamente difícil, partilhar estratégia é relativamente fácil.

PVS

terça-feira, 9 de maio de 2006

506º Aniversário da Misericórdia de Santarém

A Santa Casa da Misericórdia de Santarém pela ocasião das comemorações do 506º aniversário está a organizar nos últimos dias de Maio um conjunto de iniciativas de formação e reflexão.

Destaca-se desde já o Dia Aberto no Lar dos Rapazes. Esta iniciativa irá contar com Sérgio Niza, professor que irá conversar sobre a importância do Movimento da Escola Moderna no desenho de modelos educativos de crianças acolhidas.

PVS

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Formação em acolhimento de crianças no ISPA

No sábado passado tivemos o prazer de inicial mais uma iniciativa de formação na área do acolhimento de crianças. O Instituto Superior de Psicologia Aplicada está a fazer uma aposta no desenvolvimento de iniciativas nesta área concreta, tendo as instituições e os profissionais da área dado uma excelente resposta.

Esperamos em breve estendermos estas acções de formação aos prestadores de cuidados das crianças, contrariando o hábito de que só os técnicos é que têm acesso às acções de formação.

PVS

terça-feira, 18 de abril de 2006

O tempo e as nossas obrigações

Será que é elidível a obrigação do Estado e da sociedade proteger a vítimas de maus-tratos pelo simples facto de com passar do tempo estas se tornam adultos? Acho que não!!

Um olhar atento do presente obriga-nos necessariamente a fazer acções que “reparem” e reconstruam os significados do passado. É verdade que há dez anos atrás não tínhamos a mesma consciência social sobre o fenómeno dos maus-tratos infantis, e como é lógico no plano da realidade não podemos voltar atrás e reescrever a história. Contudo um olhar crítico do passado colectivo e individual permite criar espaços, onde a história do ponto de vista simbólico e significativo se reescreva. Esses espaços encerram uma função terapêutica e reparadora.

Neste sentido, as comunidades devem organizar espaços terapêuticos de promoção da saúde mental, onde se possam inscrever vítimas de maus-tratos que por acção do tempo cresceram.

PVS

segunda-feira, 17 de abril de 2006

Crianças boas e más


A história do acolhimento de crianças é marcada por peripécias e por ciclos de maior e menor atenção consoante a valorização que a sociedade faz das suas crianças e da sua população mais vulnerável.

No presente vive-se um momento peculiar, uma atenção particular dos media e da sociedade em geral sobre o fenómeno da criança mal tratada e um desprezo em particular pela criança com comportamentos de oposição e desafiadores das normas da sociedade.

A sociedade, a escola e o sistema de protecção, aparece acentuar a clivagem entre criança vítimas e crianças agressoras. As primeiras merecedoras de todo o apoio e respostas sociais, as segundas merecedoras de contenção urgente, de correcção e de uma injecção urgente de gratidão por viverem num mundo já sem fome.

Não é com raridade que ouvimos comentários do tipo: "porquê dar as melhores respostas e equipas de luxo para trabalhar com crianças, que negam todo o tipo de ajuda, e que constantemente nos viram as costas, porquê lhes dar tudo se elas parecem não querer nada?"

...Talvez, porque são crianças?!

Contudo, as boas regras de gestão de recursos informam que devemos apostar no melhor cavalo e só depois devemos apostar no cavalo coxo.

Permanecendo então a impossibilidade de pensar que aquém da clivagem operada por nós entre crianças vítimas e crianças desafiadoras, estão crianças a sofrer e com uma enorme incapacidade de gerirem o seu viver emocional, permanece um vazio de respostas para as crianças que desafiam os nossos modelos. Crianças que precisam de ser apoiadas, que precisam de respostas adequadas ao nível da saúde mental e da educação. Respostas que integrem a sua história, que lhes dêem experiências significativas e que lhes permita criarem um projecto futuro onde se imaginem.

PVS

sexta-feira, 14 de abril de 2006

Votos de boa Páscoa!


Neste período pascal esperamos que todos se lembrem de quão importante são as nossas crianças.

Esperamos também que em reflexão conjunta se desenhem novas formas de protecção e de acolhimento de crianças.

Certos que todos nós vivemos a nossa verdade pascal, fica a convicção de que iremos regressar aos nossos trabalhos com uma energia renovada.

PVS

quinta-feira, 13 de abril de 2006

Maus tratos institucionais e um surpreendente Acórdão do Supremo...

O Supremo Tribunal de Justiça surpreendeu tudo e todos com a publicação do acórdão de 4 de Abril (ler aqui) resultante do recurso interposto pelo Ministério Público no âmbito de um processo de maus-tratos infantis institucionais. O acórdão defende em determinado momento a naturalidade e adequação no castigo físico, enquadrando este nas boas práticas parentais.

Já diversas vozes vieram a público, nomeadamente a Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados que classificou hoje como «impróprio» e «muito perigoso» o acórdão do Supremo Tribunal de Justiça que considerou lícitos os castigos corporais aplicados pela responsável de um lar a crianças deficientes. A notícia é avançada pela Agência Lusa.

Nós, por aqui no blog, não gostaríamos de deixar de expressar a nossa indignação, e afirmar com toda a convicção que são acórdãos desta natureza que colocam realmente as crianças em risco.

Resta-nos a certeza que esta não é a tendência da nossa magistratura judicial que em tantos momentos tem dado sinais de maturidade e de humanismo.

PVS

terça-feira, 11 de abril de 2006

Formação em acolhimento de crianças

Ainda existem vagas para o curso de formação "Intervenção Terapêutica e Educativa em Unidades de Acolhimento Prolongado" a decorrer no Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA) em sete sábados consecutivos a partir de dia 22 de Abril. Este curso tem a carga horária de 21 horas e os seguintes módulos:
  • As primeiras comunidades residenciais terapêuticas para crianças; 
  • O ambiente social como espaço terapêutico; 
  • Educação e função terapêutica a partir da rotina diária; 
  • Autoridade e consequências da reparação; 
  • A família e a instituição; 
  • Afectos e emoções emergentes da tarefa; 
  • Grupo de apoio aos que apoiam “Grupo Balint”. 
Os interessados podem inscrever-se na secretaria do ISPA.

TSM

domingo, 9 de abril de 2006

Autoridade e sacos de rebuçados

Já algumas vezes referi neste blog a importância da autoridade ser mantida na base da pirâmide organizacional de uma instituição de acolhimento de crianças.

A ideia é que quem deve ser percepcionado como tendo mais autoridade deve ser o prestador de cuidados que está, no dia-a-dia mais próximo da criança, e não o director que habita num gabinete no “último piso” da instituição.

Uma directora de uma instituição de crianças gostava muito de conversar com os miúdos da sua instituição e, de forma a facilitar estas conversas, tinha colocado um boião de rebuçados em cima da sua secretária. Lógico que os miúdos adoravam aquele espaço.

O que esta directora não se deu conta foi que estava a desautorizar a sua equipa. Esquecera-se de se certificar que cada chefe de equipa de casa, não teria um boião de rebuçados mas sim dois, e que cada prestador de cuidados não teria dois boiões de rebuçados, mais sim uma saca de 1kg, sempre às costas.

Só assim as crianças iriam percepcionar o director com alguém vulgar que até as ouvia, em detrimento daquelas pessoas tão especiais que no dia-a-dia se encontram com elas carregando sacos de rebuçados.

PVS

quarta-feira, 5 de abril de 2006

Balanço de formação em acolhimento prolongado de crianças e jovens

O primeiro curso de formação "Intervenção Terapêutica e Educativa em Unidades de Acolhimento Prolongado de Crianças e Jovens" terminou ontem em Leiria. O balanço é manifestamente positivo, realçando-se a motivação e interesse do grupo pela temática e a aquisição de um conjunto de ferramentas teóricas que nos parecem úteis para este contexto específico de intervenção.

O grupo de formandos destacou como pontos positivos os tópicos relacionados com a gestão das equipas de prestadores de cuidados, e dos modelos de gestão da autoridade, sublinhando-se a importância de supervisão externa.

Foi também referido que ficou claro que nem toda a comunicação é consciente e que existem elementos inconscientes que devem ser alvo de atenção e reflexão.

Foi indicado como ponto mais fraco ou limite da formação, a falta de mais espaços de aprendizagem experiencial, destacando-se a ideia de que só se aprende o que de alguma forma nos diz respeito.

Resta um obrigado ao grupo de formandas pelo muito que me permitiram aprender. Fica prometido que em breve nos iremos reencontrar para um workshop de natureza mais experencial.

PVS

sexta-feira, 31 de março de 2006

Formação de Formadores - Comissões de Protecção de Crianças e Jovens

Uma semana em clausura, muita reflexão e muitas descobertas!

Realmente, a Lei de Promoção e Protecção é uma caixinha de surpresas, que se renova à medida que a cultura de promoção e protecção evolui.

Alguns pontos que desde já gostava de sublinhar.

A intervenção das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJs) em modalidade restrita só pode acontecer com o consentimento dos titulares do poder paternal não bastando o consentimento do progenitor que detém o exercício do poder paternal. Esta interpretação implica a obrigação de audição de ambos os progenitores mesmo quando o casal se encontra divorciado e o exercício do poder paternal se encontra regulado judicialmente. A dispensa do consentimento de um dos titulares do poder paternal só existe em caso de manifesta dificuldade em localizar o paradeiro.

As CPCJs não fazem inquéritos crime, e por isso não fazem investigação. Neste sentido, as CPCJs não têm legitimidade de requerer exames médicos de diagnóstico na ausência de consentimento dos titulares do poder paternal.

Subsistiu a ideia de que as CPCJs não são serviços, e nesse sentido não devem assumir os actos dos processos de promoção e protecção, devendo delegar às entidades parceiras os actos que achar convenientes, levando em conta o princípio da intervenção mínima.

Um tema de grande relevo foi o princípio de reserva dos processos. O carácter confidencial dos relatórios e das peças processuais deve ser tido em conta nos serviços das entidades parceiras. Este princípio obriga a que os relatórios técnicos inter-instituições sejam de conhecimento exclusivo dos técnicos envolvidos directamente no processo, e não de todas as hierarquias e serviços administrativos de cada instituição.

Quanto ao modelo de intervenção na família... ainda não foi desta...

Contudo, ficou a promessa de um segundo momento de formação dedicado a matérias mais específicas.

O melhor foi mesmo a dinâmica de grupo que se gerou e que tanta esperança nos dá.

Obrigado Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco por esta semana tão rica.

PVS

quinta-feira, 30 de março de 2006

The Mulberry Bush


Muitas vezes escrevemos neste blog sobre comunidades terapêuticas para crianças e jovens com dificuldades emocionais.

A The Mulberry Bush é talvez a mais mítica destas comunidades.

Fundada por Barbara Dockar-Drysdale em 1948, no pós-guerra, foi muito influenciada pelo pensamento de Winnicott.

É actualmente uma escola residencial para crianças entre os cinco e os doze anos, com elevado sucesso.

Vale a pena conhecê-la visitando o website (clicar aqui).

TSM

quarta-feira, 29 de março de 2006

E quando as crianças rejeitam a nossa ajuda...

Muitas vezes quem trabalha com crianças com dificuldades emocionais depara-se com uma situação de difícil resolução: as crianças que queremos ajudar aparentemente recusam ou não querem a nossa ajuda.

É difícil para os técnicos e os prestadores de cuidados evitarem o sentimento de serem rejeitados. Especialmente quando ofereceram ajuda, com as melhores intenções, a crianças que tiveram histórias de vida bastante problemáticas. Este sentimento leva a que, frustrados, desmotivem e se esforcem menos em ajudar estas crianças, considerando-as incapazes de serem ajudadas.

Esta rejeição é tão mais estranha quanto mais facilmente os técnicos e prestadores de cuidados imaginam ou têm a ideia de que estas crianças estariam desejosas de ser retiradas às famílias que delas abusaram ou negligenciaram. No entanto, na prática não é isso que acontece.

Temos de nos lembrar que, por muito desadequada que fosse a família de onde provieram, era, mesmo assim, a única família que conheceram. Aquela a quem estão vinculados e onde aprenderam a viver.

Temos também de nos recordar do que um psicanalista escocês dos anos cinquenta, Ronald Fairbairn, chamava a defesa moral. Ao crescer num meio particularmente hostil é vulgar, dizia Fairbairn, criar a fantasia de que é o próprio que é mau em vez dos seus pais/família. Ou seja, em vez de terem pais abusadores ou negligentes, as crianças muitas vezes criam a fantasia de que o que se passa é o oposto: são eles que são más crianças e os pais são óptimos. Isto faz com que tenham esperança de que se se portarem sempre bem, os pais nunca lhes vão bater, abusar ou não lhes prestar atenção. O que significa que, quando entram numa instituição, estas crianças vão sentir isso como uma punição extrema: significa que se portaram muito mal e que os pais já não as querem.

É então necessário ter atenção aos sentimentos que estas crianças provocam em quem as tenta ajudar. Mais do que deixarmo-nos vergar pelos sentimentos que nos invadem, ficando incapazes de ajudar, temos que usar esses sentimentos "terapeuticamente". Temos de pensar nos nossos sentimentos como "pistas" para entender a experiência emocional das crianças e, consequentemente, ajudá-las com essas mesmas experiências.

TSM

terça-feira, 28 de março de 2006

Psicanálise e Serviço Social


Saiu recentemente um livro inovador para a prática de serviço social: "Psychoanalytic Theory for Social Work Practice: Thinking under fire" (consultar aqui). Editado por Marion Bower e escrito na sua maioria por assistentes sociais, é um livro essencial nesta área.

Cada vez mais é necessária a existência de um modelo teórico partilhado entre os varios técnicos da área que permita a reflexão e compreensão das problemáticas associadas ao acolhimento de crianças.

Os temas tratados vão desde o trabalho com crianças e famílias, as questões da supervisão, consultoria e gestão de stress emocional, várias vezes debatidas neste blog.

A editora Karnac está de parabéns por ter lançado este livro!

TSM

domingo, 26 de março de 2006

No final do dia, o que é que fica?

Muitos dos técnicos das CPCJs chegam cada vez mais tarde a casa. Assumindo em regime de “voluntariado”, a gestão infinita dos processos, permanecendo noite a dentro a tentar descobrir soluções quase mágicas.

A questão que devemos friamente levantar é: qual a eficácia deste processo? Já por diversas vezes afirmámos que tarefas / missões idealizadas, não se coadunam com bons processos de gestão e acabam invariavelmente no desgaste dos recursos humanos.

Defendemos que é urgente que as CPCJs definam de forma realista a sua tarefa e os limites reais da sua intervenção, traçando estes limites a partir dos recursos existentes em matéria de infância e juventude no concelho.

É igualmente necessário que as equipas que realizam gestão de casos (Comissão Restrita), tenham acesso a consultoria e a um espaço de reflexão, que as permita trabalhar as suas próprias expectativas.

Em bom serviço é aquele que no final do dia pode-se fechar a porta com a certeza de um bom trabalho.

PVS

sexta-feira, 24 de março de 2006

Relatórios dos Listenning Post (OPUS)


Os relatórios mundiais, incluindo Portugal, dos Listening Post, organizados pela Organization to Promote Understandig of Society (OPUS) já estão on-line no site da OPUS. A leitura dos relatórios permite uma visão interessante do mundo no ínicio de 2006.

Está previsto o próximo Listening Post para os finais de Junho.

PVS

quinta-feira, 23 de março de 2006

Expo Criança 2006 - Números acima das expectativas

Pelo sétimo ano consecutivo crianças, pais, professores, educadores, e outros profissionais do sector, juntaram-se em Santarém para mais uma edição da Expo Criança.

No total, foram mais de 25 mil visitantes que passaram pelo Centro Nacional de Exposições (CNEMA), entre os dias 15 e 19 de Março. Apreciando o facto da Expo Criança ter tido em 2006 uma duração mais reduzida em relação aos anos transactos - somente cinco dias, "procurando", segundo a administração, "uma maior concentração das actividades e uma maior rentabilização da presença dos expositores profissionais", o balanço do certame superou as expectativas da organização, tendo-se registado proporcionalmente, um aumento de visitantes, de 22% em relação ao ano homólogo de 2005.

Outros dados comprovam o sucesso do evento deste ano. Foram cerca de 14 mil crianças, mais de 18% em relação ao ano homólogo de 2005, que desfrutaram de espectáculos de teatro, música e muitas outras actividades lúdicas, e 12 mil adultos - mais 28% em relação ao ano transacto -, registando-se também uma maior afluência de pais no fim-de-semana, e de técnicos de educação e outros profissionais do sector durante a semana. Digno de nota também é o aumento de 17% no número de expositores, perfazendo um total de 105.

São razões suficientes para acreditar que a Expo Criança continua a somar créditos como a principal montra do sector.

PVS

Formação nas CPCJs

A Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco (CNPCJR) está a iniciar um esforço de formação das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJs). Já algumas vezes neste blog fui crítico da política de protecção mas parece que desta vez existem sinais de alguma esperança.

Não seria honesto com os leitores deste blog se não declarasse que no presente aceitei o desafio da CNPCJR para realizar um curso de formação de formadores na área das crianças em risco e da intervenção das CPCJs. Por isso durante a próxima semana irei ficar em clausura. Espero regressar com uma dose renovada de esperança e com novas aprendizagens.

Espero também que deste momento de formação e reflexão comece a nascer um embrião de intervenção psicossocial consistente. Afinal a intervenção das CPCJs é mais que a aplicação de uma boa Lei.

Será que vêm aí o Modelo de Intervenção Centrado na Família?!

PVS

Edwin Gordon na Gulbenkian

Edwin Gordon vai estar na Gulbenkian no próximo fim de semana.

Edwin Gordon. Depois de ter realizado a sua formação como contrabaixista na Eastman School of Music, integrou a famosa banda de jazz de Gene Krupa, prosseguindo a sua formação científica na Universidade de Iowa. Foi professor em três prestigiadas universidades americanas, desempenho pelo qual foi agraciado com diversos prémios de mérito científico e académico.Tem uma vasta participação em revistas de investigação especializadas, sendo um conferencista de renome mundial. Criador de uma teoria de aprendizagem musical e co-autor do currículo de iniciação instrumental Jump Right In, Edwin Gordon é internacionalmente reconhecido como um dos maiores pedagogos da actualidade.

Através de rigorosa e extensa investigação, tem dado contributos significativos em áreas como o estudo das aptidões musicais, estádios e tipos de audiação, teoria de aprendizagem musical, ritmo, movimento e improvisação musical.

Publicou vários livros, dois dos quais traduzidos e editados pela Fundação C. Gulbenkian: "Teoria de Aprendizagem Musical", "Competências, Conteúdos e Padrões" e "Teoria de Aprendizagem Musical para Recém-Nascidos e Crianças em Idade Pré-escolar".

Além do trabalho de orientação de inúmeras teses de doutoramento no campo da Psicologia da Música e da Educação Musical, o professor dedica-se há mais de 30 anos ao estudo do desenvolvimento musical de crianças recém-nascidas e em idade pré-escolar. O seu contributo nesta área de estudo é absolutamente inovador e sólido.

O seu trabalho tem sido divulgado em Portugal desde 1994, marcando decisivamente as práticas educativas e artísticas do panorama musical português.

Todos os que puderem, inscrevam-se na conferência!

Organização
CESEM - Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa
Av. de Berna, 26 C
1069-061 Lisboa

Secretariado: Cristina Cota (tlf.: 21 7942043 / email: cesem@fcsh.unl.pt)

PVS

quarta-feira, 22 de março de 2006

As nossas necessidades

Raras são as vezes que escolhemos uma profissão por acaso. Muitas das vezes a profissão que desempenhamos satisfaz algumas das nossas necessidades emocionais, o que necessariamente não é mau. Contudo quando pensamos na intervenção na área social, devemos ser mais atentos a este processo. Quais as necessidades que esperamos satisfazer? Como é que vimos o nosso papel?

É com frequência que vimos pessoas nas instituições de acolhimento à espera de reconhecimento e gratidão por parte das crianças. Não é estranho face ao investimento nelas depositado. É sempre melhor esperar gratidão do que coisas “piores”. Mas na verdade, por vezes, percebemos que o que move as pessoas não é a capacidade de se darem em uma, duas, três relações, mas pelo contrário de preencherem o próprio vazio pessoal com dez, quinze miúdos. Neste sentido, é importante compreender que alguns não andam por estas bandas pelas crianças, mas principalmente para tentar satisfazer um necessidade pessoal.

Estas pessoas precisam de ser trabalhadas e apoiadas, e são normalmente as primeiras a "estoirarem" psicologicamente. A final a gratidão é um bem escasso nesta área e é bom que assim o seja.

PVS

sábado, 18 de março de 2006

Breves notas sobre o workshop "Knowing the Child, Building a Relationship"

O workshop "Knowing the Child, Building a Relationship", foi um sucesso da Expo Criança 2006. Os participantes tiveram a oportunidade de, através de uma metodologia activa e inovadora baseada no trabalho de grupo bem como em representação pictórica, aprofundarem uma série de questões ligadas ao acolhimento de crianças em risco.
  • Quem são as crianças que acolhemos? 
  • Qual o seu contexto de origem? 
  • Qual a relação materna precoce que tiverem? 
Foi o primeiro grupo de questões abordadas pelo grupo. Após este primeiro momento, onde se destacaram algumas pré-concepções que todos nós, com alguma naturalidade, fazemos em relação a estas crianças e às sua famílias, sublinhou-se o carácter único de cada criança e como é difícil nos envolvermos numa relação de um para um. Falou-se também de crianças excessivamente exigentes e desafiadoras.
  • O grupo prosseguiu o trabalho aprofundando as seguintes questões: 
  • Como é que vemos as crianças nas instituições? 
  • Como é que vemos as instituições? 
  • Como é que vemos o papel da equipa de trabalho? 
Nesta segunda parte os diversos grupos tentaram aprofundar as suas ideias sobre a vida nas instituições e o papel destas. Falou-se de crianças a pedir ajuda, crianças vítimas, crianças sem identidade.

Paralelamente falou-se de equipas, com amor para dar, com uma capacidade quase mágica de “salvar” as crianças. O grupo foi reflectindo sobre até que ponto existe uma clivagem que permite ver as equipas como portadoras de todo o amor e por outro lado as crianças como vazias de coisas boas, vazias de amor.

Sublinhou-se o perigo dos adultos não identificarem as suas partes mais agressivas e serem movidos por uma idealização, situação que pode deslizar para um rápido “burnout” da equipa, bem como para situações de abuso.

Os trabalhos continuaram com a análise das questões associadas ao papel da cada membro da equipa e à autoridade que assumem no seu desempenho. De onde vem a nossa autoridade? Como é que usamos a autoridade?

Foi curioso percebermos como é difícil identificarmos as fontes da nossa autoridade e o reconhecimento de um mandato claro para o desempenho do nosso papel na instituição. Associou-se esta dificuldade com a definição, por vezes turva, da tarefa primária da instituição. Discutiu-se a necessidade da tarefa primária ser definida de forma concreta e com relação directa à realidade. Destacou-se o perigo de tarefa primária ser definida de forma idealizada do tipo "integrar todas as crianças na sociedade com sucesso". As tarefas primárias idealizadas contribuem negativamente para a definição dos papéis, contribuindo progressivamente para a promoção de agendas pessoais dos membros da equipa, por vezes incompatíveis com o bem-estar das crianças.

O workshop acabou com a referência à necessidade de permanecer uma visão binocular da relação, onde ambas as pessoas da díade se conseguem colocar não só no seu lugar (no seu papel) como também no lugar do outro, e desse lugar observar a relação. Esta dupla visão foi interpretada como essencial e como estruturante de uma boa prática.

Resta-nos mais uma vez sublinhar o privilégio que foi para todos trabalhar uma manhã com o Lionel Stapley, e como ficámos todos contentes por saber que existe uma grande probabilidade do Lionel Stapley, juntamente com mais dois consultores da OPUS, organizarem um curso “Containment for Growth” em Portugal no próximo Outubro.

Até Outubro...

PVS

quarta-feira, 15 de março de 2006

Não temos toda a informação...

Quando uma história sobre uma criança em risco nos chega às nossas mãos somos impelidos a tentar saber mais. Quando por razões profissionais temos que ser agentes na história dessa criança, parece que a informação que dispomos nunca é a suficiente. Por vezes vemo-nos a tentar solicitar inúmeros relatórios de forma a tentarmos ter um puzzle intelegível.

Este nosso comportamento é perfeitamente compreensível, só que se depara com uma impossibilidade de raiz. A vida de uma criança não se resume a três ou quatro relatórios. Neste sentido deixo a proposta que devemos em determinado momento tentar encontrar caminhos e respostas nos dados que dispomos, olhando para dentro de nós e usando a nossa cabeça para elaborarmos um sentido para a história que temos à nossa frente.

Esta minha proposta é obviamente polémica. Implica admitirmos em primeiro lugar que não temos o controlo completo do puzzle do caso, existem sempre peças que faltam e que por isso existe sempre incerteza. Em segundo lugar implica admitirmos que o lugar onde o sentido se ganha é interior, íntimo e por isso subjectivo. Em terceiro lugar o meu desafio levanta a questão: como é que a minha intersubjectividade, os meus valores, preconceitos e normas culturais, condiciona a maneira como construo o puzzle que é do outro?

Para minimizarmos estas questões parece existir um só caminho. Sabermos muito bem o que é nosso e o que é do outro. Ao mesmo tempo que publicamos esta distinção em grupo de trabalho e em grupo de supervisão.

É bom termos presente que os instrumentos objectivos só são úteis como parte do processo de avaliação, eles não são a avaliação por si.

PVS

Chegou a Expo Criança 2006


A Expo Criança 2006 chegou e chegou com energia, animação e muita brincadeira!!!

Um dia cheio de surpresas boas.

Na parte da manhã um seminário rico sobre as questões do ciclo da violência com três intervenções muito ricas de Laborinho Lúcio, Maria José Gambôa e Moita Flores.

Para a parte da tarde estava reservada uma verdadeira surpresa promovida pela Associação para o Desenvolvimento Social e Comunitário de Santarém. No âmbito do workshop sobre educação parental, tivemos o prazer de ouvir Ana Gomes, psicóloga clínica e terapeuta familiar. Um verdadeiro presente para quem, como eu, já anda há algum tempo a pensar nas questões da educação parental.

Retive uma máxima:

A parentalidade não se ensina: aprende-se!

PVS

Leitores amigos

Ter um blog é ter uma porta aberta para o mundo. Publicar ideias pensamentos, convicções. Neste sentido, o acto de escrita é mais fácil quando se imagina que o leitor é nosso cúmplice.

Hoje recebi um mail especial de um leitor. Alguém muito cúmplice do meu pensamento que há alguns anos me ensinou a ver a arquitectura como os traços que dispõem paredes que contêm e provocam emoções e pensamentos.

Obrigado Ana por passares pelo blog!

PVS

terça-feira, 14 de março de 2006

Ajuda de Mãe - Linha SOS Grávida

A Ajuda de Mãe tem um linha SOS Grávida de aconselhamento que nos parece bastante útil na prevenção da relação primária e do percurso da vinculação perinatal.

SOS Grávida é uma linha telefónica à qual os apelantes recorrem para, de uma forma anónima e confidencial, esclarecer dúvidas e/ou partilhar ansiedades/expectativas, nas áreas da gravidez, sexualidade e planeamento familiar. Através do contacto telefónico é ainda possível proceder ao encaminhamento adequado para os recursos disponíveis na comunidade.

808 20 11 39 / 213862020
(2a a 6a feira entre as 10h e as 18h)

PVS

segunda-feira, 13 de março de 2006

Silêncio...


O baloiço parou!!! Ficou simplesmente a memória vaga de uma infância trémula. Marcada pelo compasso do bater seco de um punho. Os sapatos, os companheiros de todos os caminhos, inertes repousam junto do baloiço. O silêncio lembra a mordaça, do não falar e o cheiro, os lírios murchos.

Este é só um lugar difícil de visitar, um lugar imaginado a partir de muitas histórias não contadas, por muitas crianças que tenho vindo a conhecer.

PVS

Grupos de supervisão

Estando bem cientes das dificuldades das instituições em apostarem numa supervisão externa às suas equipas, vamos iniciar grupos de supervisão transversais.

A ideia é criar grupos de 8 técnicos de diferentes instituições da acolhimento de crianças que se possam reunir quinzenalmente com um consultor/supervisor, e que nesse espaço possam apresentar/discutir e reflectir sobre casos práticos.

Em breve iremos dar mais notícias sobre estes grupos e sobre a metodologia a seguir.

PVS

Não nos vamos esquecer...

Atenção!!!

"As Comissões de Protecção de Crianças e Jovens em Risco deverão receber novos técnicos até ao final de Junho, anunciou hoje a secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Moniz."

In Público (08/03/2006)

PVS

domingo, 12 de março de 2006

Caminhos a percorrer...

O Diário de Notícias na revista de hoje dedica uma entrevista e um artigo às crianças mal tratadas. A entrevista ao Juiz Conselheiro Armando Leandro é uma boa viajem ao mundo do sistema de protecção das crianças, onde a demagogia de uma outra direcção da Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco (CNPCJR), numa cruzada contra a mudança da Lei de Protecção, deu lugar ao idealismo quase onírico de um Homem que acredita talvez demais na Humanidade, na Sociedade e no Direito. Lógico que o Juiz Conselheiro Armando Leandro nunca pode ser julgado por acreditar na Humanidade. E ainda bem que acredita!!! Contudo, ao fim de algum tempo, o movimento de apelo constante à comunidade civil como primeira responsável pela protecção das crianças começa a cansar. Não que a tese esteja errada mas pela falta de eco que o apelo produz. Na prática, pregar aos peixes tem exactamente a limitação de se estar a pregar aos peixes.

Cremos que é preciso algo mais para mudar o sistema de protecção vigente. Uma terceira via entre a demagogia política e o sonho humanista. Um caminho traçado pela ciência, pela formação técnica e que assente na competência dos principais agentes. Não faz sentido que não existam médicos de Medicina Legal, com competência e formação específica para fazer um diagnóstico de maus-tratos nos diversos hospitais centrais, concentrando-se esta valência específica da Medicina Legal somente em Lisboa, Coimbra e Porto. Também não faz qualquer sentido que não exista formação ao nível das diferentes tipologias de maus-tratos. Como é que um técnico de serviço social pode fazer um diagnóstico se desconhece os quadros nosográficos dos maus-tratos infantis? Quantos técnicos sabem o que é uma Síndrome de Münchausen ou uma Síndrome da Criança Abanada?

Na verdade, a qualidade da parentalidade não salta sempre à vista. Exige-se avaliações pormenorizadas e técnicas sobre a qualidade da vinculação. Sendo assim, como é que não existe um único protocolo alicerçado em instrumentos estandardizados de avaliação da vinculação?

Enfim... o que pretendo com este texto é sublinhar a necessidade do sonho e do ideal abrirem o caminho à ciência e a técnica.

PVS

sábado, 11 de março de 2006

Guião Técnico - Lares de Crianças e Jovens

A Direcção Geral da Acção Social do Ministério da Segurança Social, no ano de 1996, sob a direcção técnica de Maria Amélia Fernandes e Maria Graciete Palma da Silva, publicou um guião técnico sobre o funcionamento dos Lares de Infância e Juventude.

Este documento, lamentavelmente, nos últimos dez anos não foi alvo de nenhuma actualização e revisão. Contudo, ao lermos de novo o documento, ficamos com a sensação de que se pelo menos as directivas nele inscritas estivessem universalizadas, o panorama já não seria muito negro.

O problema reside nos acordos de cooperação que o Estado só revê anualmente do ponto de vista financeiro, não revendo as outras dimensões do acordo, deixando desta forma a avaliação da adequação das instituições ás normas mínimas definidas pelos próprios serviços do Estado.

Para a consulta deste guião basta clicar aqui.

PVS

À espera de uma picareta...

Há paredes que ainda têm que ser derrubadas.

O trabalho eficaz em parceria que é exigido na área das crianças em risco habita para lá de alguns muros!!!

PVS

Supervisão externa - Uma exigência!

O texto do Tiago Sousa Mendes faz-nos lembrar mais uma vez a necessidade de supervisão dando ênfase as necessidades de quem cuida. Lembrando que a qualidade da prestação de cuidados está intimamente interligada à disponibilidade emocional dos aultos que trabalham com elas.

Convém afirmar que estas notas do Tiago sobre a necessidade de supervisão não são notas sobre necessidades supérfluas, sobre luxos de instituições e de funcionários. Pelo contrário, a supervisão é o método mais económico e eficaz de evitar histórias de abuso e de maus-tratos dentro das instituições.

A exigência de supervisão/consultoria externa a todas as instituições de acolhimento iria de forma significativa melhorar a qualidade de vida das crianças acolhidas e evitar escândalos do tipo Casa Pia.

Esta exigência deveria estar incluída em todos os acordos de cooperação que o Estado celebra com as instituições que acolhem crianças.

PVS

sexta-feira, 10 de março de 2006

Ciudar de quem cuida

Muito se tem falado ultimamente sobre as crianças em instituições, sobre como é necessário criar as melhores condições possíveis para estas. No entanto, o discurso sobre instituições de/para crianças acaba, ou pelo menos não vai muito para além disto, como se a "vida" de uma instituição se resumisse apenas às crianças de que cuida.

Raramente ouvimos falar dos técnicos e funcionários que "cuidam" destas crianças e, quando ouvimos, é muitas vezes para os criticar enquanto pessoas e enquanto técnicos. No entanto, são eles que diariamente são confrontados com as ansiedades decorrentes da sua, como alguém designou, "tarefa impossível". A maior parte das vezes sozinhos, têm de lidar com todas as dificuldades emocionais inerentes a esta profissão, além de recursos materiais e humanos insuficientes.

Uma instituição que se pretende que "cuide" de crianças não o pode fazer sem conseguir "cuidar" dos seus membros. Estes precisam de ser apoiados, suportados, entendidos e "cuidados" na sua tarefa de cuidar. É nesse sentido que a supervisão e a consultoria externa assumem particular importância.

Só conseguimos cuidar de alguém, porque alguém cuidou de nós.

TSM

Os adultos não gostam do tempo

Crescer tem tudo a ver com limites. Só se cresce em espaços estruturados, onde há tempo e momentos de silêncio e de reflexão. Neste sentido, quando trabalhamos com crianças devemos ter sempre presente a gestão do tempo e como o tempo se impõe enquanto limite estruturante dos processos de aprendizagem.

Numa sala de aula existem tempos e aprendizagem, tempos de trabalho de grupo, tempos de reflexão, tempos de brincadeira, tempos para dúvidas. O professor deve ser o gestor dos tempos à medida que facilita e propõe tarefas.

Sendo pacífico a tese que aqui apresento, interrogo-me... Porquê é que nos colóquios e seminários de gente crescida os trabalhos nunca se iniciam a horas? Porquê é que ao final de uma hora de trabalhos já existe uma hora de atraso? Porquê é que quando se chega à hora do debate em plenário tem de se acabar os trabalhos porque o atraso já é incomportável?

Então como é que os adultos querem continuar a crescer (e a ajudar as crianças a crescer) se não respeitam o TEMPO?

O tempo é amigo da organização e da produtividade, e muitíssimo amigo do crescimento.

PVS

8 Apostas para uma cultura ética no acolhimento de crianças

  • Cultura de Vinculação
  • Cultura de Segurança e Compreensão – “Holding”
  • Cultura de Comunicação
  • Cultura de Participação e Cidadania
  • Cultura de Autonomia / "Empowerment"
  • Cultura de Pensamento e Verdade
  • Cultura de Parceria
  • Cultura de Supervisão e Consultoria Externa
 
PVS

quinta-feira, 9 de março de 2006

Tarefa primária em acolhimento de crianças

A tarefa rimária (primary task) é um conceito introduzido nos anos 60/70 na literatura organizacional influenciada pelos trabalhos do Instituto Tavistock.

Todas as organizações são tidas como um sistema aberto, com uma tarefa (missão) central, que tem de ser conseguida através da actividade coordenada de um conjunto de elementos do sistema que organizam processos e funções.

A clarificação da tarefa primária é essencial para o funcionamento da organização e para a sua sobrevivência.

É importante reflectirmos sobre qual é a tarefa primária das instituições de acolhimento de crianças (Lares de Infância e Juventude).

Richard Rollinson (2003), propõe um conjunto de 6 questões que nos ajudam a definir qual a nossa primary task numa instituição de acolhimento de crianças:

  • Quem são as crianças que nós pretendemos ajudar?
  • O que é que aconteceu a estas crianças?
  • Qual foi o impacto nas crianças das experiências precoces?
  • Como é que as crianças exprimem este impacto no presente?
  • O que é que tentamos fazer com e para elas quando são acolhidas?
  • Para que fim e resultado nós realizamos este esforço extraordinário?

PVS

quarta-feira, 8 de março de 2006

Autonomização do crime de violência doméstica... Proposta arrojada!

A Comissão para a reforma do Código Penal foi arrojada quanto à autonomização do crime de violência doméstica. Um sinal muito positivo desta Comissão. Resta esperar que em sede legislativa as propostas não se percam e que, no terreno da aplicação do Direito, a lei se transforme em sentença.

PVS

Violência doméstica passa a ser crime autónomo

"Violência doméstica passa a ser um crime autónomo no projecto de novo Código Penal, punido com pena de prisão de um a cinco anos, revelou à Lusa fonte ligada ao processo.

Fonte da Unidade de Missão para a Reforma do Código Penal (CP), que na próxima semana deverá entregar as suas propostas para o novo código, disse à Lusa que uma das novidades do projecto é a autonomização do crime de violência doméstica, que fica contemplado no artigo 152.

De acordo com a mesma fonte, no artigo agora criado entende-se que 'quem de modo intenso causar maus tratos físicos ou psíquicos, incluindo privação da liberdade, a cônjuge, ex-cônjuge ou com quem vive em união de facto, bem como aos filhos, é punido com pena de prisão de um a cinco anos'.

A fonte admitiu também que, no novo CP, o crime de violência doméstica deixe de depender de queixa da vítima.

A revisão do CP deverá ficar concluída na próxima segunda-feira, depois de o grupo de trabalho ter praticamente ultimado as ultimas propostas na passada segunda-feira."

In Portugal Diário (08/03/2006)

PVS

terça-feira, 7 de março de 2006

Presente

Um presente foi deixado à porta de uma instituição de acolhimento de crianças. Uma criança a passar por ele apanhou-o. Ao abrir o embrulho encontrou um carro dos bombeiros.

Contente, pegou no carro e reparou que precisava de pilhas. Correu a pedir a um adulto três pilhas para colocar no super carro dos bombeiros. O adulto prontamente colocou as pilhas no carro e para espanto de todos o carro não andou. Afinal era um carro para meninos pobres!!!...

PVS

Crianças de olhar perdido


Algumas crianças esperam, anos e anos por uma família, esquecidas numa instituição.

Resta-lhes olhar para o céu e esperar que alguma nave tipo "Cocoon" as venha buscar. O olhar perdido que vemos é o olhar de quem olha para uma esperança remota...

PVS

segunda-feira, 6 de março de 2006

Campanha "Pobreza Zero"


Uma excelente iniciativa na luta contra a pobreza!

Missão da campanha:

Mobilizar a sociedade portuguesa para a acção em torno da luta contra a pobreza e para os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM).

Porquê uma Campanha “Pobreza Zero”?

No ano 2000, 189 chefes de Estado e de Governo assinaram a Declaração do Milénio que levaram à formulação de oito objectivos de desenvolvimento específicos a alcançar até 2015. Estes objectivos, chamados Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, podem ser resumidos da seguinte forma:

  1. reduzir para metade a pobreza extrema e a fome;
  2. alcançar o ensino primário universal;
  3. promover a igualdade entre os sexos;
  4. reduzir em dois terços a mortalidade de crianças;
  5. reduzir em três quartos a taxa de mortalidade materna;
  6. combater o VIH/SIDA, a malária e outras doenças graves;
  7. garantir a sustentabilidade ambiental;
  8. criar uma parceria mundial para o desenvolvimento.

Passaram-se cinco anos e os líderes políticos continuam a não cumprir as suas promessas. Por isso, sob o lema “Pobreza Zero”, a campanha apela à sociedade para que se mobilize, actue e pressione os líderes políticos, e exija, como primeiro passo para a erradicação da pobreza, o cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

O crescimento económico espectacular gerado nos últimos anos não contribuiu para garantir os direitos humanos nem para melhorar as condições de vida em todas as regiões do mundo, nem para todas as pessoas seja qual for a sua condição, género, raça ou cultura. Pelo contrário, aumentou a desigualdade e a injustiça para níveis escandalosos.

A persistência da pobreza e da desigualdade no mundo de hoje não tem justificação. Somos a primeira geração que pode erradicar a pobreza! Existem meios suficientes, tecnologias, desenvolvimento e capacidade para tal. Os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio são objectivos viáveis do ponto de vista técnico e económico, exigindo apenas vontade política por parte dos Estados.

Para as organizações sociais os ODM são limitados e apenas representam alguns avanços face às suas reivindicações históricas mas é igualmente certo que se no ano 2015 se conseguirem cumprir os ODM tal como estão formulados, será o melhor indicador de que se produziram transformações profundas na estrutura mundial que conseguiram reverter o agravamento da situação. Neste sentido, o ano de 2005 foi um ano fundamental para os movimentos sociais.

Ainda em Setembro de 2005, a Assembleia Geral da Nações Unidas apresentou um relatório sobre o grau de cumprimento e incumprimento relativo aos ODM, durante a cimeira do Milénio.

Esta cimeira foi de uma importância primordial para este século e permitiu perceber qual a real vontade dos países em envolver-se na luta contra a pobreza global. Visite o site Pobreza Zero!

PVS

Crianças em risco e pobreza

Existe curiosamente em Portugal uma sobreposição considerável entre crianças sinalizadas nas CPCJs e crianças incluídas em agregados beneficiários de Rendimento Social de Inserção (antigo Rendimento Mínimo); por outras palavras, há uma sobreposição clara entre pobreza e maus-tratos a crianças.

Esta clara sobreposição conduz a algumas questões:

  • Será que as CPCJs só sinalizam em meios sócio-económicos baixos?
  • Será que pobreza em Portugal é sinónimo de mau trato?
  • Será que a política / metodologias de luta contra a pobreza está a alimentar a exclusão social?
  • Será que a pobreza em Portugal se associa positivamente com problemáticas de saúde mental que desembocam em patologias da vinculação?

Esta são algumas perguntas que exigem respostas rápidas…

PVS

O regresso da roda

Alguns países europeus, de forma a agilizar o processo de adopção e diminuir o número de crianças que ficam em situação de abandono intra-familiar, voltaram a recuperar o velhinho sistema da roda.

Pode ser esta uma forma curiosa para dar a volta à morosidade dos processos de adopção?

PVS

domingo, 5 de março de 2006

Blogicamente!

Expo Criança - Workshop no dia 17 de Março, no Espaço Multiusos das 16h às 17h, dinamizado por Raquel Nunes e Ermelinda Damas.

Os primeiros passos na Matemática são marcantes e determinantes no percurso escolar de uma criança. As noções de lógica devem ser colocadas em “alto-relevo” na Educação Pré-Escolar, devendo ser uma constante de trabalho, exploração e criação, por parte dos agentes educativos ao longo do Ensino Básico.

O Kit Blogic irá ser apresentado como um recurso didáctico que permite aos profissionais da Educação Pré-Escolar e do 1º Ciclo do Ensino Básico utilizar as potencialidades pedagógicas do material estruturado Blocos Lógicos.

Seguindo uma trajectória sequencial, de forma mais ou menos complexa, consoante a faixa etária e o desenvolvimento da criança, o Blogic proporciona momentos lúdicos ao mesmo tempo que desenvolve competências lógico-matemáticas.

PVS

sábado, 4 de março de 2006

Parcas mudanças

Já não há dúvida que a atenção dos media está redobrada nos casos de maus tratos infantis. Ao ritmo semanal, a imprensa apresenta um novo caso grave e mais uma história de possível ineficácia das autoridades com responsabilidades em matéria de protecção da infância. A mediatização tem o “mérito” de redefinir a agenda política, colocando a prioridade na protecção à infância.

Contudo, ao olharmos para este último ano e meio, pouco mudou nas CPCJs. Os técnicos de reforço às ainda não estão em funções, o diploma de regulamentação das medidas de Promoção e Protecção (i.e., acolhimento familiar, educação parental, e apoio para a autonomia de vida) ainda não foi publicado.

Ainda não existe um guião de procedimentos uniformes que estandardize os procedimentos inter-serviços, sempre que existe a sinalização de um caso de maus-tratos grave. A esta lista devemos ainda adicionar o baixo número de programas "Escolhas" e "Ser Criança" aprovados (menos que um por distrito!).

Resta concluir que muito pouco tem sido efectivamente feito. A ausência total de respostas continua a imperar na intervenção.

PVS

sexta-feira, 3 de março de 2006

Mais adultos e menos crianças

Um bom indicador de qualidade do funcionamento das instituições de acolhimento de crianças é o rácio adulto (prestador de cuidados) / criança. Um quadro de pessoal que não prevê 10 educadores para 20 crianças é manifestamente insuficiente. Lógico que estamos conscientes que este número é considerado de luxo, atentos à comparticipação que o Estado dá por criança acolhida em Lar de Infância e Juventude, o que ronda os 400€ mensais.

Temos é que pensar que os lares não são unidades residenciais de estudantes, povoados por crianças desvalidas que só estão acolhidas para terem acesso à escolaridade. Os lares são hoje em dia respostas últimas no sistema de protecção de crianças em perigo e por isso devem ter o reforço financeiro compatível com as novas exigências da população a que dão resposta.

PVS

Depósitos

Ainda não há muito tempo as instituições de acolhimento de crianças eram depósitos organizados em grandes camaratas.

O problema é que por aí fora, pelo país profundo, camaratas como esta continuam a existir...

PVS

quinta-feira, 2 de março de 2006

Suporte emocional

Quem trabalha com crianças em risco, frequentemente crianças com perturbações emocionais e do comportamento, está diariamente exposto a comportamento e atitudes desafiantes que provocam ansiedades, medos, tensões. Sem o devido suporte emocional de uma equipa coesa e de uma consultoria / supervisão externa o caminho é certo...

Uma forte aposta em team building e em consultoria externa evita o burnout das equipas, diminui o turnover das equipas e melhora a prestação de cuidados.

PVS

Viva aos Morangos


Cada vez mais as nossas crianças não se satisfazem nas relações sociais significativas. Pelo contrário, pedem à televisão que as satisfaça.

PVS

quarta-feira, 1 de março de 2006

Bater à porta


Porque é que não se bate à porta nas instituições de acolhimento?

Uma boa forma de respeitar a privacidade de cada um é bater à porta quando se entra no espaço do outro. A individualidade e a privacidade têm obrigatoriamente de ser alvo de respeito nas instituições que acolhem crianças.

PVS

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

Todos diferentes


Esta é uma imagem bem clássica sobre o que são os refeitórios das grandes instituições de acolhimento de crianças.

A massificação no início do século já não tem lugar nos dias de hoje. A Internet e os telemóveis, a troca rápida de informação, alterou o viver adolescente, sendo que cada vez mais existe um sublinhar da diferença e da especificidade de cada um.

É esta diferença de cada um, de cada adolescente, que deve ser alvo de atenção pelos adultos que cuidam delas.

PVS

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2006

Casas frias, sonhos perdidos


Muitos dos lares de crianças e jovens são casas frias, onde se coleccionam sonhos perdidos. É urgente aquecer estas casas com calor humano.

Não faz mais sentido ter casas com 50 ou 70 crianças para meia dúzia de adultos... Nunca fez. Nunca fará.

PVS

Os tempos das crianças em risco

"Time present and time past
Are both perhaps present in time future,
And time future contained in time past.
If all time is eternally present
All time is unredeemable."

In Four Quartets by T.S. Elliot.

PVS

Seis perguntas!!

Seis perguntas que se devem colocar para obtermos uma definição clara sobre o papel das instituições de acolhimento de crianças.

  • Quem são as crianças que nós pretendemos ajudar?
  • O que é que aconteceu a essas crianças?
  • Qual foi o impacto nas crianças das experiências precoces?
  • Como é que as crianças exprimem esse impacto no presente?
  • O que é que tentamos fazer com, e para elas, no momento do acolhimento?
  • Para que fim e resultado nós realizamos este esforço extraordinário?
PVS

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

Crianças que não brincam na fantasia

Os acontecimentos recentes de violência envolvendo jovens no Porto são acima de tudo sintoma de uma política de protecção de infância pouco eficaz e desligada da saúde mental. Não basta pensar que dar um tecto, alimentação e permitir o acesso ao ensino básico a uma criança em risco chega para a proteger e levá-la a um bom desenvolvimento. É necessário um olhar mais técnico, pormenorizado, e que leve em conta o desenvolvimento e estruturação da personalidade da criança.
Qualquer criança em risco é uma criança que num determinado momento da sua vida viu o seu vínculo com os pais ameaçado ou quebrado. Viu igualmente a estabilidade da família ameaçada por histórias de abuso e negligência que sedimentam na criança a fantasia de que nenhum lugar é seguro. Estas crianças crescem a margem do amor e da segurança emocional, crescem sem conhecer um espaço onde se possa brincar aos polícias e ladrões, sem ninguém verdadeiramente morrer.

São estes os jovens que quando amontoados, aos 50 e 70, numa instituição de acolhimento, se perdem. Não se encontram enquanto pessoas adultas responsáveis com capacidade de reflectirem nos seus comportamentos. Permanecem imaturos, brincando aos polícias e ladrões, justiceiros de rua, com armas e pontapés de verdade.

Estas crianças não brincam na fantasia, brincam na realidade, e por isso magoam-se e magoam de verdade, lembrando que outrora alguém as feriu na fantasia.

PVS

Comichão

Começa a dar algum comichão a forma como se fala das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens em Perigo.

As CPCJs não são entidades mágicas que resolvem todos os problemas da infância. Não servem para isso.

PVS

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006

Comentário ao comentário da Joana Cerdeira

"Olá.

Deparei-me com o blog e de facto a promoção e protecção dos direitos das crianças e jovens em risco é um tema que muito me interessa. Sou psicóloga de formação, mãe de corpo e alma e os maus-tratos às crianças são algo que me indigna profundamente, que mexe com o mais profundo da minha existência. Tenho tentado ingressar numa CPCJ de forma justa e lógica - ou seja, remunerada pelo meu trabalho e gostava de lhe colocar uma questão.

As denúncias não terão um andamento mais eficaz se feitas directamente junto da CPCJ? Num país em que os tribunais se encontram atolados de trabalho, em que processos prescerevem por não serem analisados a tempo, ao menos as CPCJs sempre vão analisando (ainda que por vezes de forma deficitária) os casos concretos...

Joana"


Em parte tenho que concordar com comentário feito pela leitora Joana. Pelo menos nas CPCJs normalmente vai-se falando e tentando resolver algumas situações. Contudo, não devemos confundir competências.

As CPCJs não são órgãos de investigação criminal, nem trabalham à luz do código penal nem do código de processo penal, e por isso não podem e nem têm competência para realizarem inquéritos sobre crimes. Por exemplo, só num âmbito de um processo crime se pode afastar o agressor da residência da vítima ou aplicar outra medida cautelar sobre o agressor que ponha termo à situação de violência.

As CPCJs trabalham enquadradas pela Lei de Promoção e Protecção, o que pressupõe o consentimento dos pais ou detentores do poder paternal, ou guarda de facto da criança, e não oposição do menor quando este tiver mais de 12 anos. Esta intervenção pressupõe ainda a celebração de um acordo de promoção e protecção com base numa das seguintes medidas: a) apoio junto dos pais, b) apoio junto de outro familiar, c) confiança a pessoa idónea, d) apoio para a autonomia de vida, e) acolhimento em família de acolhimento, f) acolhimento em instituição ou g) acolhimento em instituição ou em família seleccionada com vista à futura adopção. Como se pode constatar, nenhuma destas medidas visa afastar o agressor da vitima. Por isso mesmo a Lei de Promoção e Protecção diz no seu artigo 70º que sempre que as CPCJs tenham notícia de um facto qualificado como crime contra um menor têm obrigatoriamente de o comunicar ao Ministério Público.

Quanto ao desejo da Joana de vir a integrar uma CPCJ, espero que seja concretizado em breve.

PVS

Maus-tratos a crianças são crime público

Devemos todos ter consciência que os maus-tratos a crianças são crimes públicos, por isso autónomos de queixa, podendo caber a iniciativa processual ao Ministério Público.

Sendo assim, sempre que alguém tem notícia de um crime de maus-tratos deve comunicar ao Ministério Público ou às entidades policiais.

Óbvio que também se deve ou pode-se comunicar às CPCJs, mas a prioridade deve ser as entidades com responsabilidades em matéria de investigação criminal.

PVS

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

O ciclo da violência (Expo Criança 2006)

A Expo Criança 2006 será palco de uma conferência subordinada ao tema “O Ciclo da Violência”.
Promovida em conjunto com a Câmara Municipal de Santarém, esta iniciativa procura ir ao encontro de questões relacionadas com situações de violência sobre crianças.

Assim, no dia 15 de Março a partir das 9h30 este tema será abordado pelo oradores de renome como Laborinho Lúcio, Maria José Gamboa, Moita Flores e Ana Paula Almeida. “A familia, sede de segurança e dos afectos”, “Intervenção em Famílias/Crianças de Risco” e “Pais Maltratados/Famílias em Risco” são os tópicos para uma discussão sobre um dos temas que mais preocupa actualmente a sociedade portuguesa.

PVS

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

STOP para PENSAR!

Trabalhar numa instituição de acolhimento de crianças em risco cria por vezes nos funcionários a ideia de que muito tem de ser feito com urgência. A eficácia implica à primeira vista a tomada de acções e de decisões de forma a conter de imediato qualquer situação problemática. Contudo, há uma competência que é imprescindível em qualquer pessoa que trabalhe neste contexto, a competência de NÃO FAZER.

Isto é, a capacidade de não tomar uma acção, de conter a ansiedade e a pressão que levam à tomada de decisão. Não tomando uma atitude, a pessoa fica ditada às suas dúvidas, à sua capacidade de suportar a incerteza e a dor de não saber dar resposta. Aí, nesse espaço, inaugura-se o espaço da reflexão e do pensamento criativo. Um psicanalista inglês, W.Bion, sublinhou esta competência como CAPACIDADE NEGATIVA.

A capacidade negativa é a porta para a reflexão e é a chave para quebra da ligação patológica de acção – reacção sem pensamento.

PVS

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

A sala com dez portas

Numa instituição de acolhimento de crianças existia uma sala com dez portas. A sala destinava-se a momentos calmos de conversa com as crianças ou a trabalho administrativo da equipa técnica. O objectivo das dez portas era aumentar a funcionalidade da sala e o acesso rápido aos diversos corredores da instituição. A sala situava-se no centro dos nove corredores da instituição, todos eles ladeados por quartos com nove crianças. A posição central da sala permitia que pelo menos uma porta de acesso era vista em todos os pontos da casa.

Numa reunião de consultoria, os técnicos que habitavam a sala das dez portas queixavam-se que não era possível ter uma conversa calma na sala. Quando mais do que uma porta da sala estava aberta, era um entre e sai de miúdos. Quando as portas se fechavam, sentia-se a pressão do lado de fora das crianças batendo e empurrando insistentemente as portas. Os técnicos reflectiam onde estariam os funcionários durante aqueles momentos de corrupio ou de pressão junto às portas. Ao mesmo tempo que iam verbalizando estas dúvidas, crescia na reunião com o consultor um sentimento de impotência e de incapacidade de mudar a dinâmica funcional da casa.

O consultor perguntou aos técnicos para onde abria a décima porta. Foi explicado que esta dava directamente para a rua. Contudo raramente era aberta, destinava-se a situações de emergência e de evacuação.

Após um longo silêncio...

O consultor teve o seguinte pensamento.
Porque será que os técnicos não se abstêm de se manter no centro da casa e da vida das crianças, guardando junto deles a chave de um sonho chamado “rua”.

Os técnicos intrigados pelo pensamento, responderam prontamente que quando chegaram à instituição esta já tinha aquela arquitectura e que era muito difícil mudar a arquitectura (o mesmo será dizer... mudar a cultura da organização).

O consultor sugeriu abrir no extremo oposto de cada corredor uma nova porta, que desse para a rua. Estas seriam abertas periodicamente e por um bom motivo. As chaves dessas portas seriam entregues aos funcionários. As regras de abertura seriam discutidas por todas as crianças e adultos numa reunião semanal.

A equipa técnica aceitou o desafio…

Algum tempo depois, numa nova sessão de consultoria, um elemento dessa equipa fez a seguinte afirmação.

"Sinto-me só, acho que já não sou importante na casa."

PVS

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006

Pobres recursos humanos

A selecção e recrutamento de auxiliares de acção educativa para instituições de acolhimento de crianças é uma tarefa de muitíssima paciência. O esforço é encontrar pessoas com perfil para a função (i.e. com inúmeras capacidades pedagógicas) com um ordenado próximo do mínimo. Pede-se disponibilidade, paciência, capacidade de entrega, associada a competências elevadas em gestão de conflitos, bem como conhecimentos em modelos de intervenção pedagógica / educativa, consentâneos com os modelos da Psicologia do Desenvolvimento.

Assim sendo, na verdade, não se encontra ninguém nos processos de selecção. Na melhor das hipóteses... meia dúzia de gatos-pingados! Resta então neste cenário exercer uma selecção às cegas.

Às instituições que têm a qualidade como uma meta, e que não podem aumentar os vencimentos, resta uma forte aposta na formação e na supervisão das equipas.

Não tenhamos dúvidas que se não for realizado um forte esforço na formação, então vamos continuar a ter instituições pouco eficientes, onde o mau trato infantil se perpetua.

PVS

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Outsourcing nos lares de crianças em risco

Muitos dos lares de crianças e jovens têm feito um esforço de reestruturação, procurando maiores índices de eficácia. E neste sentido, com frequência encontramos instituições que apostam na:

  • centralização dos serviços de cozinha ou outsourcing da alimentação, recorrendo a empresas de catering;
  • centralização dos serviços de lavagem e engomadoria de roupa ou outsourcing recorrendo a empresas de lavandaria;
  • centralização dos serviços de logística e reparação;
  • entrega da limpeza e higiene da casa a serviços de limpeza centrais ou adjudicação do serviço a empresas de higiene e limpeza.

Nesta lógica as instituições melhoram possivelmente a eficácia (relação qualidade/preço), aproximando-se de uma lógica de hotelaria onde a criança/cliente vê tudo à sua volta ser provido por um exército de funcionários sem nome. Estas instituições de 5***** esquecem-se que a missão (primary task) de uma instituição que acolhe crianças em risco em regime prolongado é ensinar as rotinas e a organização de uma casa, de forma a dar às crianças e jovens ferramentas para a uma futura autonomia.

Na lógica acima descrita fica a ideia que as instiuições estão a ensinar a realizar outsourcings e divisão do trabalho. Talvez almejem a construção de uma geração de futuros gestores hoteleiros. Afinal, o Turismo é uma da áreas em crescimento na nossa economia.

PVS

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

Notícias sobre adopção e centros de acolhimento

Sairam no passado dia 7 duas relevantes notícias no jornal Público, uma sobre o lançamento do Observatório da Adopção que terá como missão fazer um diagnóstico e propor alterações a introduzir nos mecanismos de adopção de crianças em Portugal, e outra sobre o aumento do número de centros de acolhimento.

A criação do Observatório deverá ser hoje anunciada na Amadora pelo ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, José Vieira da Silva.

Por outro lado, o Governo quer criar mais 300 centros de acolhimento para crianças em risco até 2009, elevando de 1800 para 2100 o número de vagas em todo o país, anunciou hoje o ministro do Trabalho e da Solidariedade Social que, em parceria com o Ministério da Justiça, está a preparar o lançamento do Observatório.

Num país onde muito se anuncia e onde tantos institutos existem, é melhor esperar para ver os resultados práticos destas medidas que aparentam ser positivas.

Espero que a reflexão e discussão sobre como prestar cuidados as crianças e jovens em centros de acolhimento seja uma das próximas medidas anunciadas neste jornal. Principalmente sobre como transformar centros de acolhimento em verdadeiros centros terapêuticos, com base nos princípios descritos no post anterior sobre comunidades terapêuticas. O papel terapêutico, mais do que entregue a alguns profissionais, deve ser desempenhado pela instituição per se.

TSM

Comunidades terapêuticas: O que são?!

Na sequência das referências que tenho feito neste blog a comunidades terapêuticas para crianças, diversos leitores têm levantado algumas questões sobre o que são estas comunidades. Lares para crianças doentes? Instituições idênticas às comunidades terapêuticas para toxicodependentes? Residências protegidas?

Comunidades terapêuticas são instituições que visam um ethos de desenvolvimento / aprendizagem através do meio social e das tarefas da rotina diária. Sublinhado-se sempre a capacidade de pensar os conflitos.

Neste sentido uma comunidade terapêutica é:
1. um grupo de pessoas que vivem juntas, se reúnem frequentemente e participam juntas num conjunto de tarefas terapêuticas, domésticas, organizacionais e educativas;
que podem ter,
2. relações próximas, informais e não hierárquicas;
e
3. partilhar regularmente informação entre todos os membros do grupo;
sendo que entre elas existe
4. um compromisso sobre o objectivo de aprender pela experiência de viver e trabalhar em conjunto;
que se aprofunda pela
5. ideia de que os problemas, as tensões e os conflitos do grupo são explorados e analisados numa cultura democrática, de forma a se encontrarem soluções negociadas.
A prática assenta num
6. modelo teórico que informa e dá compreensão sobre os processos mentais individuais e de grupo.
Exige-se
7. uma clara definição dos limites de tempo, espaço e papeis, nos quais os processos acima descritos ganham forma.

Uma comunidade terapêutica é mais do que tudo um modelo de organização da vida comunitária que pode ser aplicada em vários contextos. Assim, o acolhimento prolongado de crianças em risco poderia progressivamente se transformar em modelos de comunidade terapêutica.

PVS

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

Transfoming hate to love


"Transforming hate to love: An outcome study of the Peper Harow treatment process for adolescents" de Melvyn Rose é um óptimo livro sobre comunidades terapêuticas de adolescentes e retrata o trabalho realizado na Peper Harow Foundations (Childhood First).

Vale muito a pena para quem trabalha em lares com adolescentes ou em centro educativos.

Consultar aqui.

PVS

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

Checklists e grelhas de observação

Uma das coisas que mais me surpreende no campo do acolhimento de crianças é a ausência de procedimentos técnicos comuns às CPCJ.

É verdade que existem poucos instrumentos de avaliação disponíveis em Portugal, e muitos vezes não estão actualizados. No entanto, a ausência de intrumentos adaptados não é o único problema. O que é gritante é a inexistência de “guidelines” de actuação e de observação nas visitas domiciliárias. Quando um técnico faz uma visita domiciliária deve saber o que “procura” nessa visita. Ou seja, os indícios de negligência a observar, o comportamento exibido pela criança, interacção desta com os pais, etc.

Seria interessante criar-se uma “check-list” de items a observar e/ou grelhas de observação que deveriam ser comuns para o país inteiro. Isto tudo para que as avaliações não dependam essencialmente do bom senso dos técnicos (como foi referido neste blog no post “Técnicos do IRS”), mas que possam ser feitas com bases em critérios técnicos.

Fazer apenas uma visita e trocar duas ou três palavras com a família não é suficiente. Cada vez mais é preciso ter uma ideia geral do objectivo das visitas e passar a fazê-las de forma pensada.

TSM

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

III Colóquio Europeu de Psicologia e Ética

ISPA irá receber no dia 9 e 10 de Março o III Colóquio Europeu de Psicologia e Ética, tendo definido os seguintes objectivos:

  • reflectir sobre a ética na prática e na investigação em Psicologia;
  • debater com profissionais, investigadores e criadores de outras áreas que relevam do humano sobre o modo como a Ética se cruza com o conteúdo e as formas do seu pensamento, intervenção e produção;
  • enfatizar, à luz das premissas sobre a evolução humana, a dimensão inter-subjectiva, as vivências e manifestações emocionais;
  • contribuir para uma reflexão crítica sobre alguns dos problemas do nosso tempo, a partir do cruzamento de olhares, da diversidade profissional e cultural;
  • estimular, através da criação de lugares de pensamento e de palavra, uma ética do debate, construção e produção do conhecimento.

Mais informações em http://www.ispa.pt/etica/coloquio_index.html.

PVS

domingo, 29 de janeiro de 2006

Autoridade e crianças em risco acolhidas

É frequente por parte de monitores de instituições de acolhimento de crianças em risco o comentário que as crianças e o jovens fazem o que querem, não conferindo autoridade aos adultos. Esta queixa mais complexa fica quando todos temos bem presente que o problema não se resolve através de uma cultura de autoritarismo baseada na acção física musculada ou pela disseminação de ideias terroríficas do tipo “se não nos ouves é que ficas mesmo abandonado”. Então que solução? Que caminho a tomar?

As crianças acolhidas, na sua grande maioria, são crianças em risco, isto porque a sua história está povoada por momentos de desencontro. Momentos que projectam uma sombra cinzenta sobre o estabelecimento de relações seguras e emocionalmente ricas. Estas crianças não tiveram na sua grande maioria alguém que as ensinasse a ler os seus afectos e a dinâmica emocional de uma relação. Neste sentido, são crianças desencontradas onde o vínculo é interpretado mais como grilhão do que como laço que liga duas histórias. O grilhão que prende, lembra o carcereiro e introduz a desconfiança como cultura relacional. O homem que nos dá a comida, é o mesmo que nos lembra que estamos presos. Situação que se agrava no olhar do carcereiro que não assumindo o seu papel, se desculpa pela cruel imposição de regras de que ele mesmo é alvo.

O carcereiro frequentemente, para se defender da violência do seu papel, coloca os seus actos nas mãos de um chefe ou de um rei, oferecendo-se assim como mero cumpridor de ordens sem qualquer autoridade e, por isso, inocente. Defendendo-se, revela-se como despejado de autoridade e de poder. Vemos como é o próprio guarda que se coloca numa posição de fragilidade para se defender das suas próprias emoções, baixando a guarda e desviando-se da sua tarefa. E assim a criança não vê autoridade porque ela não está lá.

Repor a autoridade passa então por assumir um papel e uma função, bem como a possibilidade de assumir que a diferença depende do próprio. O monitor deve ser apoiado no seu papel de decisor, de líder, de forma a se oferecer à criança como adulto que traça um caminho passível de ser alvo de identificação.

Neste caminho devemos ter sempre claro que ninguém se identifica aos fracos que não têm vontade.

PVS

quinta-feira, 26 de janeiro de 2006

Técnicos em risco

O limite do admissível chegou ao concurso de técnicos para as CPCJ. Imaginem que alguns amigos, ao fim de perderem algumas horas na net à procura de entidades que estivessem a organizar processos de candidatura para o concurso público internacional de outsourcing de técnicos, encontraram uma instituição maravilha, a AVOCA Global Service.

Após terem enviado currículo para essa instituição via mail, receberam um mail a informar que por forma à sua candidatura ser processada era necessário o pagamento de uma jóia de 250 euros. Este pagamento, como é lógico, não garante nada, nem a inclusão no processo final de candidatura da AVOCA, visto esta empresa já ter recebido 3000 CV, como afirma no mail enviado. Mas não se preocupem que o 3000 CV vão ser ordenados de forma criteriosa.

Espero bem que ninguém dos meus colegas psicólogos no desemprego ou técnicos de áreas afins ponha o pé na argola desta esparrela. Sinceramente não acredito que a AVOCA tenha 3000 CV porque se assim é existiram 3000 pessoas a pagarem 250 euros, o que significa que esta entidade bondosa já recebeu à custa deste concurso e do desespero dos técnicos 75 mil euros.

Não me atrevo a dizer que estamos perante uma situação de burla; contudo, parece-me que este processo iniciado pelo Estado abre as portas a mil e uma situações de pouca bondade, quebrando-se todos os pressupostos de transparência.

PVS

terça-feira, 24 de janeiro de 2006

Formação em acolhimento de crianças

Tal como prometido, lançámos, em parceria com a Unidade de Investigação e Intervenção em Psicologia (UNIIPSI) do ISLA de Leiria, o 1º CURSO DE FORMAÇÃO EM INTERVENÇÃO TERAPÊUTICA E EDUCATIVA EM CRIANÇAS E JOVENS EM UNIDADES DE ACOLHIMENTO PROLONGADO, que se realizará nos dias 9, 14, 16, 21, 23 e 28 de Março e no dia 4 de Abril de 2006, no ISLA de Leiria, e será dinamizado por Pedro Vaz Santos (psicólogo clínico do Lar dos Rapazes da Santa Casa da Misericórdia de Santarém, e membro da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Perigo de Santarém).

O referido curso irá centrar-se sobre o tema proposto, incidindo sobre temáticas mais específicas tais como:

  • As primeiras comunidades residenciais terapêuticas para crianças (3,5h);
  • O trabalho com crianças com perturbações emocionais e do comportamento (3,5h);
  • O ambiente social como espaço terapêutico (3,5h);
  • Educação e função terapêutica a partir da rotina diária (3,5h);
  • Autoridade e consequências da reparação (3,5h);
  • Afectos e emoções emergentes da tarefa (3,5h);
  • Consultoria e supervisão de equipas (3h).
CONSULTE O FOLHETO - PROGRAMA em:
http://pedrovazsantos.planetaclix.pt/programa.pdf

Para mais informações / inscrições:
Telefone: 244820650/ 244820665/6
Fax: 244813021
E-mail: uniipsi@islaleiria.pt
URL: http://www.islaleiria.pt/uniipsi/uniipsi.html

PVS

sábado, 21 de janeiro de 2006

Técnicos do IRS

Hoje veio a público que os técnicos do Instituto de Reinserção Social (IRS) que actuaram no caso da “Vanessa” foram alvo de um processo disciplinar que concluiu que a sua actuação foi negligente e que na sequência desse mesmo processo irão ser aplicadas medidas disciplinares.

É importante que comece a ser imputada responsabilidade quando as coisas correm manifestamente mal no sistema de protecção. A responsabilização é um elemento importante na melhoria da qualidade dos serviços e, neste sentido, espero que os técnicos aos quais são exigidas tamanhas responsabilidades saibam exigir à tutela e às suas chefias condições de trabalho (não estou a virar sindicalista!).

O que me surpreende é imaginar serviços que realizam avaliações sobre a qualidade parental sem nenhum instrumento estandardizado com valor psicométrico. Não conheço nenhum serviço, à excepção do Instituto de Medicina Legal, que realize perícias psicológicas fundamentadas em material de cariz científico. Isto apesar de tanto a Segurança Social como o IRS terem equipas multi-disciplinares, nas quais se incluem psicólogos.

Na verdade, o que acontece é que os técnicos e o serviços não têm na sua grande maioria acesso a material de avaliação nem a guiões de procedimentos, sendo a formação específica igualmente escassa.

Neste cenário, resta concluir que as avaliações dependem 90% do bom senso dos técnicos e 10% de algum material, e dizer que lamento o possível mal senso dos técnicos do IRS no caso da Vanessa.

PVS

sexta-feira, 20 de janeiro de 2006

Novo livro de Lionel Stapley

Foi recentemente publicado um livro sobre funcionamento organizacional e instituições numa perspectiva psicanalítica intitulado: “Individuals, groups and organizations beneath the surface: An introduction”*. Este livro assume uma grande importância para todos os que trabalham em instituições, especialmente as instituições de crianças onde os desafios são constantes.

O seu autor, Lionel Stapley, já foi alvo de uma notíca neste blog a propósito da sua vinda a Portugal em Março. Stapley editou ainda “The personality of the organization: A Psycho-dynamic explanation of culture and change” e “It's an emotional game: Learning about leadership from football”*.

*Clicar sobre os títulos para leitura parcial no Google Books.

TSM

O blog e o Google

Hoje saiu no JN e no 24h um artigo do Paulo Trezentos sobre comunidades virtuais que aludia ao esforço da equipa deste blog para o colocar na primeira página do Google. Obrigado Paulo pela citação.

É importante referir que o Paulo Trezentes do ISCTE/ADETI/Caixa Mágica tem sido um promotor dos nossos voos pelo mundo virtual e do software livre (OpenSource).

Todos os leitores, se quiserem ajudar à maior visibilidade do blog, podem colocar o link para o mesmo nas vossas páginas pessoais ou sugerir a colocação do link noutras páginas.

PVS

quinta-feira, 19 de janeiro de 2006

Recrutamento técnicos para as CPCJs

Parece estar por dias a colocação de técnicos. O Estado publicou um anúncio de concurso internacional de outsourcing para a colocação de 200 e muitos técnicos. As entidades concorrentes têm que seleccionar e anexar às suas candidaturas os CV dos técnicos. Situação que fez chover pedidos de CV pela internet. Que situação ridícula. Será que empresas de trabalho temporário têm competência para seleccionar técnicos para esta área específica? Será que essas entidades vão disponibilizar formação e supervisão dos técnicos por eles contratados? A via da profissionalização, no meu ponto de vista, não é esta...

PVS

quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

Desinstitucionalização de crianças

Foi abordado por um colega que me questionou sobre o regresso de crianças acolhidas em Lares de Infância e Juventude à família. A verdade é que tive que responder que, pela minha experiência, e pensando em lares que não cumprem função de acolhimento temporário (os CAT), e que não acolhem crianças com menos de 6 anos, por norma as crianças não regressam à família.

Ficam então algumas hipóteses para inverter esta situação (e que merecem ser alvo de atenção urgente):
- trabalho na retaguarda com a família nuclear e alargada;
- proximidade geográfica do acolhimento;
- apoio social à família;
- adopção plena ou retricta de crianças / jovens.

PVS

terça-feira, 17 de janeiro de 2006

Conceitos: maus-tratos, abuso e negligência

Parece existir um uso um pouco indeterminado sobre um conjunto de conceitos relacionados sobre a tipificação dos tipos de mau trato infantil. Neste sentido convém esclarecer:

Maus-tratos infantis é o conceito mais abrangente que engloba abuso físico, abuso sexual, abuso emocional e as diferentes formas de negligência.

O abuso implica um comportamento (comissão), que coloca a criança em perigo, enquanto na negligência existe a omissão de um comportamento esperado e desejado culturalmente que promove o bom desenvolvimento da criança.

O abuso físico engloba:
- síndroma da criança batida (battered child syndrome);
- síndroma da criança abanada (shaken baby syndrome);
- síndroma de Münchausen por procuração (Münchausen syndrome by proxy).

A negligência engloba:
- negligência física (physical neglect);
- negligência emocional / psicológica (emotional neglect);
- negligência educacional (educational neglect);
- negligência na supervisão (supervision neglect);
- negligência na saúde (health neglect).

PVS

sábado, 14 de janeiro de 2006

Daring to try again: The hope and pain of forming new attachments

"Daring to try again: The hope and pain of forming new attachments". É um texto desafiante de Monica Lanyado apresentado no "Annual Care and Treatment INSET Day of the Charterhouse Group of Therapeutic Communities on 20th September 2000".

O texto permite perceber o papel importante que as instituições de acolhimento têm na promoção de novas formas de vinculação e na reparação de identidades fragmentadas.

PVS

sexta-feira, 13 de janeiro de 2006

Workshop Musicoterapia - Expo Criança 2006

No âmbito da Expo Criança 2006 - Santarém, vai realizar-se no dia 16 de Março um workshop prático de Musicoterapia coordenado por Teresa Leite, presidente da Associação Portuguesa de Musicoterapia (APMT).

Musicoterapia é uma forma de intervenção que utiliza o som e a música como a ferramenta principal no tratamento ou prestação de cuidados a pessoas com dificuldades e patologias das mais variadas naturezas. Para isso, recorre às várias dimensões do som e da música – sensorial, motora, cognitiva, emocional, interpessoal e cultural – para trabalhar as dificuldades das pessoas a quem se pretende ajudar e utiliza a música de forma deliberada, treinada e consoante os dados de uma fase indispensável de diagnóstico e avaliação.

As inscrições para o workshop devem ser feitas junto do CNEMA - Santarém.
Tel: 243 300 300

PVS

quinta-feira, 12 de janeiro de 2006

Lionel Stapley em Portugal - Expo Criança 2006


No âmbito da Expo Criança 2006 vai ser realizado no dia 17 de Março o Workshop - 'Knowing the Child and Building a Relationship' dinamizado por Lionel Stapley.

Lionel F. Stapley, MSc, PhD é director da OPUS (Organisation for Promoting Understanding of Society) e consultor organizacional. Tem trabalhado como staff member em diversas conferências de Group Relations e os seus clientes incluem várias organizações públicas e privadas.

As inscrições podem ser realizadas junto do CNEMA - Santarém.
Tel: 243 300 300

PVS

segunda-feira, 9 de janeiro de 2006

O sintoma das CPCJ

Muito se tem falado sobre a necessidade de formação dos técnicos que integram as CPCJs. Esta é mesmo uma das maiores necessidades. Não faz sentido nomear técnicos para uma Comissão com atribuições específicas se os intervenientes não dominam a Lei de Promoção e Protecção (e a tramitação não judicial destes processos) e se não têm formação específica em maus-tratos infantis (negligência e abusos físico, sexual e emocional).

A argumentação evidente é que se os serviços só pudessem nomear pessoas com formação nesta área não nomeariam ninguém para as CPCJs. Sendo assim é lícito tirar a conclusão que os serviços de origem dos membros das CPCJs, as ditas e tão referidas entidades com competência em matéria de infância e juventude (ECMIJ) que têm nos seus diferentes domínios responsabilidades directas na área das crianças em perigo, não têm nos seus quadros técnicos capazes de desempenhar estas atribuições.

Conclui-se assim que se existe algum disfuncionalismo ao nível das CPCJs, este é mero sintoma da incapacidade e massa crítica dos serviços de origem.

PVS

quinta-feira, 5 de janeiro de 2006

Técnicos da Educação nas CPCJs

Temo gravemente pela saúde mental deste país. Não é que acabei de ouvir o ministro da Segurança Social a falar em colocar técnicos do Ministério da Educação nas CPCJs, alegando que estes fariam a ponte com as escolas, as entidades que mais sinalizam. O Ministro esquece-se que as CPCJs, todas sem excepção, tem desde a sua constituição um membro do Ministério da Educação, conforme o artigo 17º, alínea c da Lei de Promoção e Protecção.

Parece que existe um movimento tautológico de reinventar a roda. Ninguém se lembra que a Lei de Promoção e Protecção existe, foi publicada a 1 de Setembro de 1999, e está disponível para leitura no Diário da República. Por favor leiam a Lei. Caso contrário ninguém se entende!!!

PVS

As CPCJ não são Polícia

Tenho a certeza que já repararam que ainda não foi feito nenhum comentário neste blog sobre a criança em risco de Viseu. A comunicação social tende a ser brusca e a julgar de imediato tudo e todos, e por isso devemos ser cautelosos no emitir de opinião.

Hoje parece que veio a público uma parte do relatório de avaliação sobre os procedimentos adoptados pela CPCJ de Viseu. Infelizmente ainda não tive acesso ao relatório. Já procurei no website da CNPCJR mais ainda não estava disponível. Também não o encontrei em nenhum site na net.
Contudo ouvi a notícia da TVI que comete uma série de equívocos que é importante rapidamente serem esclarecidos.

As CPCJ não fazem investigação nem inquéritos em caso de crianças vítimas de maus-tratos. Cabe exclusivamente aos órgãos de Polícia e o Ministério Público a condução de inquéritos. Neste sentido a Lei de Promoção e Protecção no seu artigo 70.º diz:

“ Quando os factos que tenham determinado a situação de perigo constituam crime, as entidades referidas nos artigos 7.º e 8.º devem comunicá-los ao Ministério Público ou às entidades policiais, sem prejuízo das comunicações previstas nos artigos anteriores.”

As entidades referidas no artigo 7.º são as CPCJ e as entidades referidas do artigo 8.º são as entidades com competência em matéria de infância e juventude (ECMIJ).

Conforme a lei, qualquer hospital que diagnostique uma situação de perigo resultante de maus-tratos físicos, ou caso existam fortes indícios desses maus tratos, deve conforme o artigo 70.º da Lei de Promoção e Protecção de Crianças e Jovens em Perigo comunicar com carácter de urgência ao Ministério Público. Esta é uma comunicação obrigatória e que deve conduzir a investigação e protecção imediata da criança através de um processo-crime e de um processo de promoção e protecção judicial.

Óbvio que o hospital, se achar oportuno, pode comunicar à CPCJ; isto se entender que a intervenção não judicial e em parceria com a família fizer sentido.

A Lei, no meu ponto de vista, parece-me clara. É pena continuarmos todos a achar que as CPCJ são órgãos de investigação.

PVS

terça-feira, 3 de janeiro de 2006

Mais um editor. Bem-vindo Tiago!

O blog "Crianças em Risco" congratula-se, no início de 2006, com um novo membro editor. A partir de 1 de Janeiro contamos com o Tiago Sousa Mendes.

O Tiago é psicólogo clínico, formado no ISPA de Lisboa e, no presente, encontra-se a realizar PhD em Psicanálise e Organizações na Universidade de Essex. Paralelamente, o Tiago tem trabalhado numa comunidade terapêutica de crianças e jovens em Inglaterra, acumulando uma vasta experiência na área do acolhimento infantil.

Obrigado Tiago por te juntares a este nosso blog!

PVS